22 DE FEVEREIRO DE 1964 3339
quer no das outras fases do ciclo económico destas actividades produtivas.
Vozes: - Muito bem!
O Orador: - As regiões de Alcobaça, e das Caldas constituem já hoje valioso exemplo de progresso frutícola.
Mas este movimento de expansão está, porém, ainda longe das reais possibilidades do nosso país neste sector. E refiro-me não só às do território metropolitano continental e ilhas adjacentes, mas às de vastas regiões com aptidão frutícola incluídas nas províncias africanas.
O fomento da fruticultura e da viticultura, à base de uvas de mesa, representa, como já disse também, factor de muito interesse na reconversão da agricultura de sequeiro nas províncias do Sul. Como também a viticultura produtora de boas massas devidamente instalada por forma a reduzir os custos de produção, pelo uso adequado de cultura mecânica e utilizando castas apropriadas, poderá e deverá constituir em regiões muito restritas do Sul do País precioso auxílio para estimular a exportação de sumos destinados aos grandes mercados europeus, africanos e americanos. E esta política, que permitirá a valorização da mão-de-obra rural, hoje numa situação de subemprego no Alentejo, representará segura restauração de culturas que foram já tradicionais nessas mesmas paragens, embora com outros fins tecnológicos. Os célebres vinhos de Borba e da Vidigueira e alguns outros são, na realidade, hoje apenas apagadas testemunhas de um antigo esplendor vitícola alentejano.
Larga expansão se poderá também fazer da viticultura de mesa, em inúmeras encostas, hoje a caminho de rápida erosão em zonas várias da península da Estremadura. E nessas zonas, de microclimas variados, poder-se-á tirar bom partido pelas características ambientais do factor precocidade. E o mesmo direi, e ainda com objectivo de diversificação cultural, em relação à região duriense. onda a fruticultura e a viticultura de uvas de mesa têm possibilidades excepcionais de expansão, facultando condições de vida mais fácil às populações rurais, também em regime apertado de subemprego.
E já não falo do Algarve, estufa natural do território metropolitano e zona de eleição para a indústria turística, nem de certas regiões ultramarinas possuindo condições das mais valiosas para estas actividades produtoras. Torna-se, porém, necessário, para que a floricultura, a fruticultura e viticultura produtora de uvas de mesa e de sumos possam vir a constituir, em prazo curto, fonte de apreciável interesse nos domínios da exportação, que grupos de trabalho especializados programem todo o ciclo complexo destas actividades produtoras, desde a escolha das regiões eleitas para o cultivo das diferentes espécies; das castas a seleccionar para cada caso; dos porta-enxertos adequados; dos sistemas de instalação e de condução; dos esquemas de defesa sanitária, de colheita e de preparação da flor e da fruta para a venda; da conservação e transportes terrestres, marítimos e aéreos e, finalmente, a organização das vendas nos principais mercados mundiais, e que não se esqueça a industrialização dos produtos do pomar e da horta.
Vozes: - Muito bem!
Q Orador: - Neste último aspecto, como em muitos outros, já se encontra valioso trabalho acumulado, que facilitará muito o andar célere no desenvolvimento destas actividades agrícolas. Contudo, no que se, refere a redes de frigoríficação e de armazéns de selecção, calibragem e empacotamento, bem como o que se relaciona com os transportes marítimos e terrestres em navios e veículos apropriados, poder-se-á dizer, infelizmente, que muito está por fazer. E o mesmo direi com referência à organização do comércio interno e externo, onde haverá que eliminar uma legião de intermediários inúteis, que sufocam, totalmente, as actividades produtoras. Ainda conviria que o Estado instalasse nos principais centros produtores viveiros destinados, exclusivamente, a difundir as variedades de maior interesse económico. E elas não são muitas, digo, as que tem probabilidades apreciáveis de conquistar posição de realce nos grandes centros consumidores estrangeiros, especialmente nos mercados da Grã-Bretanha.
Seguindo, porém, sem desfalecimentos, no sentido da valorização da floricultura, da fruticultura e da viticultura de uvas de mesa o de sumos, é de esperar que o nosso país possa, em prazo curto, reocupar a posição perdida no decurso do século passado, e não ser apenas imagem do poeta o dizer-se que Portugal nos seus territórios euro-africanus será num futuro próximo, o grande vergel do mundo ocidental.
O fomento florestal aparece agora aos olhos de muitos interessados no estudo de problemas de economia agrícola, como receita, infalível «para vencer todos os males e desequilíbrios nos mundos da economia e da vida social do agro português.
Assim, se a terra foi degradada até à rocha-mãe pelos elementos ou pela cultura exaustiva, o único recurso será, como é frequente ouvir dizer, a florestação ...
Se as areias não podem ser fertilizadas pela hidráulica agrícola, há um único meio de as valorizar; e esse é semear penisco, e bastará, então, para conseguir o sucesso final da empresa, apenas, como se afirma, algo de aragem estimuladora do Atlântico ...
Se a terra foi ingrata para a vinha ou para- a seara, dando magras produções, revistam-se, mesmo assim, essas encostas pouco férteis com pinheiros ou com eucaliptos, que a rentabilidade dessas leivas surgirá com nível mais satisfatório ...
Se a azinheira foi espécie que, por virtude da desvalorização do suíno e do carvão ou lenha de azinho, deixou de pagar o justo tributo ao empresário, arranque-se o montado, para meteu floresta mais rendosa ...
Ora, de facto, tem sido muito valiosa- a política de repovoamento florestal deste país, levada a cabo pelo privado e pelos serviços oficiais, o que permitiu, na realidade, localizar a Nação no grupo das mais equilibradas, quanto a este aspecto, entra os seus pares europeus. Um quarto lugar um dezasseis países, quanto a percentagem de terra bem arborizada, é, na realidade, situação de país florestalmente evoluído.
Assim foram lixadas, na sua quase totalidade, as dunas litorais e larga superfície montanhosa ao norte do rio Tejo deixou de ter o aspecto escalvado. Ainda não está, porém, concluída essa fase do plano de povoamento florestal. E se não se foi mais longe cumprindo prazos, neste sector, em alguns perímetros florestais do Norte e do Centro metropolitanos, isso terá sido por dificuldades técnicas ou financeiras, em alguns casos, e noutros, talvez, por não convir a redução, por forma abrupta, de territórios silvo-pastoris, sustento de muitos milhares de cabeças de gado bovino, ovino e caprino.
E, ainda, se este último aspecto da diminuição do ritmo de florestação pode, à primeira vista, parecer consequência de activa reacção das populações campestres, julgo antes que deverá ser considerado como apenas o bom senso económico e social a imperar no julgamento de quem tem de decidir nestes complexos pleitos de economia agrária.