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28 DE FEVEREIRO DE 1964 3433

rismo, automobilismo, navegação e aviação desportiva), o montanhismo e o alpinismo, o campismo e, finalmente, os desportos da neve.
Já no I Colóquio Nacional de Turismo foram apresentadas várias comunicações acentuando a riqueza de alguns dos nossos recursos naturais para estes desportos e insistindo pela necessidade de lhes dar um conveniente aproveitamento: «Defesa e aproveitamento dos valores turísticos nacionais», «A caça como fonte de turismo», «A caça como elemento de valorização do turismo nacional», «A importância do chamado desporto submarino no desenvolvimento do turismo em Portugal», etc.
Os desportos de Inverno revestem-se de importância fundamental para o turismo em alguns países europeus. A Suíça, a Áustria, a França, a Itália ou a Noruega exploram, com largo proveito, as aptidões que a neve e a montanha lhes prodigalizam. Nestes países desenvolveram-se actividades múltiplas fundadas em tais atracções: meios de comunicação (caminhos de ferro, teleféricos, telesquis, etc.), hotéis, refúgios, albergues, equipamentos desportivos e vestuário, serviços de guias e de escolas de aprendizagem, etc.
A França, mesmo na multiplicidade dos seus recursos turísticos, não tem minimizado o interesse das estações de Inverno. Uma propaganda bem organizada (cf., por exemplo, a brochura Sports d'Hiver en France) salienta a atracção e as comodidades das estações dos Alpes (75), dos Pirenéus (3), do Jura (2) e do Maciço Central.
Na época de Dezembro de 1960 a Março de 1961, os hotéis das estações de Inverno francesas acusaram 2 063 453 dormidas, das quais 152 826, ou seja 7,4 por cento, pertenceram a turistas estrangeiros. Os departamentos da Alta Sabóia (42 por cento), da Sabóia (28 por cento), de Isère (13 por cento) e dos Altos Alpes (7 por cento) tiveram o maior número de presenças. No que respeita a estrangeiros, foram os Belgas e Luxemburgueses (25,5 por cento), os Ingleses (15,6 por cento), os Alemães (11,5 por cento) e os Americanos (9,6 por cento) que ocuparam os primeiros lugares (cf. Le Tourisme en France, 1961).
Naturalmente que em Portugal, neste sector, as possibilidades serão relativamente reduzidas. Há no entanto que louvar os meritórios esforços da Comissão Regional de Turismo da Serra da Estrela. A construção do teleférico da serra da Estrela tem, além do mais, o objectivo de aproveitar, para a prática do esqui, as pistas de maior altitude, oferecendo-se assim a possibilidade de se alargar o período daquele desporto.
Creio, de resto, que a valorização turística de outras zonas montanhosas do País poderia ser apoiada com a construção de outros teleféricos.
Bem perto de Lisboa, o caso de Sintra e da sua prodigiosa serra é um exemplo de velhas aspirações que não se têm realizado. Quando, às vezes, do Palácio da Pena, contemplo os horizontes que proporcionam um dos mais belos recantos da Europa e sinto como toda esta estância famosa parece esquecida ou vivo adormecida, ganham para mim ressonância amarga as estrofes de Lord Byron, em Childe Harold: «Oh! Em que variegado labirinto de montes c vales surge agora o glorioso Éden de Sintra! Ai de mim! Qual a pena ou pincel que reproduzir pode metade sequer das suas belezas, mais ofuscantes a olhos mortais que as descritas pelo bardo que abriu ao Mundo, tomado de espanto, as portas do Elísio?»
Tenho salientado no decorrer deste aviso prévio que as praias constituirão o principal cartaz turístico de Portugal.
Já na comunicação «O Turismo e a Urbanização», atrás referida, se salientava com oportunidade:

Parece não haver dúvida de que os núcleos urbanos existentes no litoral são hoje os que maior interesse despertam para o turismo. Com efeito, as nossas praias, de norte a sul do País, apresentam uma gama completa de estâncias balneares, desde as que se situam em centros urbanos de denso povoamento (Póvoa e Figueira da Foz), até às praias de maior isolamento, como as de Sines, de Sagres, etc. Além das praias características pelo seu meio pitoresco, a Nazaré e a Ericeira, por exemplo, apontam-se, ainda, os poéticos trechos da. costa de S. Pedro de Muel e, por fim, as ridentes praias de Setúbal e do Algarve, pelo colorido forte das suas arribas. É esta diversidade que acrescenta, ainda, uma maior riqueza a esse filão, praticamente inexplorado, do turismo em Portugal.

Penso que está por fazer, relativamente às nossas praias, um estudo sistemático das suas realidades e possibilidades, em ordem a programar, também conjuntamente, o seu aproveitamento turístico.
Não poderemos, por exemplo, desconhecer as particularidades geográficas e climatéricas. Já há anos, o Prof. Orlando Ribeiro, num apreciado estudo, Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico, salientava:

E no litoral português que se extremam duas regiões climáticas diferentes: a mediterrânica e a oceânica. A primeira, com as afinidades tropicais do seu Verão quente e seco, seus Invernos doces, atravessados por fugazes perturbações vindas do Ocidente. A segunda, sujeita já ao influxo permanente dos ventos de oeste, ventos húmidos do Atlântico, onde nascem os ciclones que rumam a leste. A aragem marítima tempera o clima e faz descer a amplitude anual. Mas o Inverno já se sente, com temperaturas baixas, noites frias, muitos dias consecutivos de chuvas, neves nas montanhas. No Verão, o clima mediterrânico reina por toda a parte, no litoral e no interior, na terra chã e nas serranias.

Um esforço de sistematização quanto às praias portuguesas poderá permitir o seguinte enquadramento (cf. O Turismo e a Urbanização, cit.):

1) Praias de clima atlântico. - Situadas na linha do litoral orientada na direcção norte-sul e onde as praias se expõem a oeste (Póvoa, Figueira, Caparica, Sines, etc.).
2) Praias de clima mediterrânico. - Situadas nas costas orientadas na direcção este-oeste, beneficiando de uma exposição a sul. Não será difícil referir aqui quatro regiões: Costa do Sol, Outão a Sesimbra; Sagres a Faro; Faro a Monte Gordo.

Ora o aproveitamento turístico não poderá esquecer estas realidades, devendo as próprias infra-estruturas ser concebidas e realizadas de acordo com as exigências que as mesmas põem.
No seguimento desta orientação recomendar-se-ia ainda uma propaganda conjunta, no exterior, das praias de Portugal.
Ainda aqui poderia referir o exemplo da França (cf. a publicação Les Plages de France).
As praias do Norte e da Normandia, as praias da Bretanha, as praias do Atlântico e as praias do Mediterrâneo são lembradas em conjunto ao turista. É a variedade de