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4738 DIÁRIO DAS SESSÕES N.° 235

República da África do Sul e à Suazilândia, com passagem pelos Estados de Angola e de Moçambique.
O caloroso acolhimento dispensado ao Dr. Rui Patrício e as afirmações proferidas pelos governantes da África do Sul e da Suazilândia foram a expressão sincera dos sentimentos de amizade e de boa vizinhança que unem aqueles países a Portugal, entusiasticamente compartilhados pelas suas laboriosas populações, que integram largos núcleos de portugueses que ali se fixaram contribuindo para o progresso desses territórios.
As coordenadas da nossa política externa, enunciadas pelo Chefe do Governo, Prof. Doutor Marcelo Caetano, foram, uma vez mais, brilhantemente desenvolvidas pelo Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros com o aprumo, o vigor e a convicção dos que estão seguros da sua doutrina, do seu direito e da sua razão.
Portugal e a África do Sul procuraram estabelecer condições válidas de estabilização, de cooperação e de pacificação.
Trouxe-nos o Dr. Rui Patrício a certeza de que a cooperação no campo económico não se limitará aos gigantescos empreendimentos de Cabora Bassa, cuja conclusão se espera antes da data prevista, e da bacia do Cunene, mas se estenderá a outros domínios, designadamente nos sectores da saúde e da investigação científica. Trouxe-nos a afirmação de que os nossos vizinhos e amigos concordam na indispensabilidade de uma condenação mundial do terrorismo que liberte o Universo desses criminosos que atentam contra as vidas de pessoas e destroem os bens das populações e transmitiu-nos a certeza de que as nossas forças armadas asseguram firmemente a defesa das nossas gentes, prolongando a sua acção em obras de fomento económico e educativo, de que são exemplo os aldeamentos de Tete. Confirmou a confiança nos destinos de Angola e de Moçambique, cujo extraordinário progresso económico e social pôde presenciar, admirando o entusiasmo pela continuidade da nossa Pátria una e indivisível.
Assim, o Sr. Ministro regressou com a certeza de que é possível prosseguir a política de boa vizinhança e de colaboração, ainda quando não haja identidade de ideologias e sejam diferentes as concepções e os padrões de vida.
Ao longo daquela visita, o Dr. Rui Patrício evidenciou que, em ambos os países, se preferem as batalhas da educação, da assistência e do desenvolvimento económico e social dos dois povos. Também ficou bem claro que não se hesitará em combater implacavelmente os mercenários perturbadores da ordem, treinados e assistidos por estrangeiros, que, traiçoeiramente, atacam populações indefesas, convencidos de que por tal processo desagregam e enfraquecem a nossa determinação de construir uma sociedade baseada na justiça social, na igualdade de todos os cidadãos perante a lei, sem distinções de cor ou de credo, como o têm testemunhado todos quantos têm visitado o nosso ultramar.
Os dirigentes de certos países africanos terão de convencer-se de que o futuro da África não se constrói senão na paz e progresso, como os Portugueses têm feito, com barragens, vias rodoviárias e ferroviárias, navios, portos, parques industriais e assistência às populações e o carinho por todos os naturais daquelas terras.
A promoção da convivência pacífica, mutuamente proveitosa de todas as comunidades, conduzirá à construção de uma sociedade multirracial, no respeito mútuo, na colaboração, que traz a ordem e a paz à população.
O idioma português está a ser ensinado em larga escala na República da África do Sul. Rejubilamos com o facto de os povos da África Austral se terem apercebido da enorme importância de dominarem uma língua hoje falada por cem milhões de pessoas, nos territórios da comunidade luso-brasileira, cujas populações são portadoras de tradições pátrias, de culturas e de experiências que se enriquecem com o estabelecimento de contactos e de permutas com os povos de outros comunidades.
Congratulo-me, congratulamo-nos, pois, pelo grande êxito da viagem do Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros, que, mais uma vez, prestou um serviço do mais alto valor para o nosso país, na política de estreitamento das relações entre Portugal e os seus vizinhos do continente africano.

O Sr. Casal-Ribeiro: - "Símbolo abominável da época de ódio e de violência em que nos foi dado viver" é como o Diário de Notícias, em síntese perfeita, define, no seu editorial do passado dia 11, os últimos atentados terroristas registados em Lisboa, acrescentando que "a bomba é, pelas suas características e modo de emprego, a arma preferida dos que conspiram na sombra contra a organização social baseada na lei e na ordem". É, com efeito, assim mesmo.
Mas, retrocedamos, porém, alguns anos atrás. Estava-se em 1931, no princípio praticamente de um regime de paz, de austeridade e de verdadeira recuperação nacional. Dera-se início a um trabalho de reconstrução gigantesco e, a pouco e pouco, ia-se reencontrando o prestígio internacional perdido, e a Nação, que estivera à beira da ruína financeira e da mais completa decadência, em todos os aspectos, emergia desse descalabro, afinal tudo quanto restava de lutas fratricidas e partidárias que tinham tornado vãs todas as tentativas de alguns bons portugueses que bem quiseram remar contra a maré - quer nos últimos anos da monarquia (regime secular que nos elevara ao maior esplendor da nossa própria grandeza), quer nos primeiros anos da República, por tantos recebida como arauto de novos tempos e de novos rumos.
Lançavam-se então as bases do Estado corporativo, pedra fundamental do regime que haveria de ser personificado por esse genial estadista que foi o Doutor Oliveira Salazar, e nas quais trabalhava também afanosamente outro grande mestre que no Governo da Nação havia de substituir quem durante tantos anos lhe deu o melhor da sua inteligência, da sua liberdade e da sua vocação, em suma: da sua própria existência. Refiro-me ao Prof. Marcelo Caetano, que, ao aceitar sobre os seus ombros os "ciclópicos trabalhos" a que inteiramente se devotou, conhecia bem toda a responsabilidade que livremente tomava de conduzir a bom porto, com firmeza, esta nau em que vivemos e tão bem simboliza a força, a perseverança e a fé