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14 DE MARÇO DE 1973 4739

nos seus próprios destinos de um povo que, à custa de enormes sacrifícios, desde há mais de oito séculos glorifica a Pátria Portuguesa.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Reporto-me ainda a 1931, princípios de Fevereiro: de Coimbra viera até Lisboa uma grande manifestação estudantil, acompanhada de alguns dos mestres mais eminentes daquela vetusta cidade universitária, a fim de apoiar o Governo na sua luta pela ordem, pela paz interna e pela liberdade de se dirigir e orientar a si próprio, vencendo algumas resistências de uma democracia falhada, demagógica, mas defendida com azedume por aqueles que, afastados do Poder pela Revolução Nacional de 28 de Maio, não se conformavam com o facto e tudo faziam para recuperar as rédeas da governação que lhes escapara por inépcia, perante a onda de esperança e de reconfortante fé que percorria o País de lés a lés.
À despedida desse grande grupo de estudantes tinham acorrido camaradas seus de Lisboa e muita gente mais.
Encontrava-me entre os manifestantes de Lisboa. Eram 18 horas precisas e, com a partida do comboio, descíamos a rampa da estação do Rossio, já quase no Largo dos Duques do Cadaval. Um estrondo enorme e o pânico que se apossa daqueles que, sem defesa, se vêem, inesperada e traiçoeiramente, atacados. Corpos caídos, sangue e o espanto profundo do sucedido. Ao meu lado, gritando de dor, um rapazinho, vendedor de jornais, tinha a cara destroçada. Não me recordo agora se morreu, se perdeu a vista para sempre. Amigos feridos, alguns com certa gravidade. Eu próprio muito atingido, embora sem riscos maiores, mexia-me com dificuldade, tantos eram os estilhaços que tinha no corpo. Mas quem mais sofreu foi o tal rapazinho dos jornais, vítima inocente da mais nefanda e covarde forma de atentar contra a ordem social e contra o próprio povo que se diz pretender servir e libertar. Estranho conceito de liberdade!
"A utilização da bomba - di-lo o já referido e magnífico editorial do Diário de Notícias - corresponde à monstruosidade lógica e moral de um crime premeditado contra vítimas imprevisíveis. Estas serão decerto indivíduos inocentes, talvez simples transeuntes, porventura crianças. Tais eventualidades não tolhem o braço do bombista, nem lhe afectam a consciência a que renunciou ao converter-se à tenebrosa religião do terrorismo."
Como se verifica, hoje como ontem, a soldo das mesmas ideias internacionalistas e destruidoras vindas de Leste, pretende-se minar o moral de uma nação ansiosa por trilhar novos caminhos ou, quando já os iniciou, apenas deseja sobreviver neste mundo de loucura e de subversão que são os nossos dias. Horrível forma de ser "corajoso", quando o alvo a atingir, e de que se pode ser igualmente vítima, é a própria sociedade em que se vive!
Pretende minimizar-se ou deturpar-se as intenções que nos levaram às frentes de combate, onde a nossa juventude oferece generosamente o seu sangue, os seus Melhores anos, e até a própria vida para conservar a vida do povo a que pertence e que apenas quer que o deixem viver no progresso que alcançou na paz que fruiu durante largos anos.
Nunca Portugal se negou a colaborar na reconstrução de um mundo melhor, de uma Europa livre - ao que se pensava- e de uma humanidade libertada do pesadelo da guerra, que afinal nunca deixou de existir desde 1939 em quase todos os continentes, destruindo os povos, e agora em favor de um novo tipo de colonialismo que invadiu impiedosamente a África e a Ásia, num longo rosário de ódios, crimes e flagelações de toda a espécie, que tiveram afinal o seu berço nesta velha Europa, onde o comunismo foi e continua a ser o grande e moderno executor dos mais hediondos crimes, da mais atroz violência e das sevícias mais brutais. Visa-se amputar e despersonalizar países e civilizações seculares, que levaram pelo mundo além mensagens de esperança, de fé e de cultura.
Os atentados dos últimos dias, chocando profundamente o País inteiro, puseram em risco vidas inocentes e tiveram como objectivo evidente não só a desorganização do esforço defensivo da Nação, mas também semear o terror, a fim de abater o moral de um país que luta com virilidade e obstinação pela defesa do sagrado direito que lhe assiste em querer manter intactos os seus territórios de além-mar, que dele fazem parte integrante, e que urge preservar a todo o custo e sem olhar a sacrifícios, sejam eles de que natureza forem.
E se em África nos batemos, ou melhor, nos defendemos com indómita energia e tradicional determinação, que podemos ou devemos fazer para na frente interna assegurar aos que no ultramar combatem que os seus familiares e os seus bens - a Pátria, em suma - estão ao abrigo dos crimes e das traições daqueles que apenas querem o seu mal, a sua destruição?
Não chega procurarmos os criminosos e levá-los depois a tribunal. É preciso, é indispensável, mobilizarmos todos os recursos humanamente possíveis, todas as energias e argúcia para encontrar e castigar exemplarmente aqueles que a soldo de partidos internacionais, ou sem partido (modernos niilistas), procuram por esse mundo fora, e por todos os meios ao seu alcance, destruir os valores morais que ainda restam, levando os povos ocidentais à escravatura, ao feroz totalitarismo imposto pela força das armas, da denúncia e do crime sem castigo.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - De facto, "os cobardes atentados agora cometidos são o preço cruel que Portugal teve de pagar para manter os padrões de sociedade livre de que os seus inimigos tiram proveito"; assim o diz o ilustre articulista do Diário de Notícias, que termina afirmando: "Mas a manutenção dessa política esclarecida não impedirá que se intensifique a vigilância e a repressão dentro dos limites que a lei comporta."
Apenas nisto não estou de acordo. Será necessário criar novas leis, ou aplicar aquelas que é uso existirem em países em guerra, de forma que os criminosos, seus mandatários e cúmplices sofram na sua própria carne aquilo que está sofrendo a esmagadora maioria da Nação, que vê partir, por vezes sem regresso, os seus entes queridos: maridos, filhos, irmãos, noivos, todos aqueles que constituem ou poderiam constituir o Portugal de amanhã, e generosamente por ele jogam e dão as suas vidas.