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4740 DIÁRIO DAS SESSÕES N.° 235

Trouxe aqui o testemunho de uma vítima dos terroristas dos anos trinta. Quase quatro décadas volvidas e essa vítima, então feliz, foi atingida pela maior desgraça, pela mais atroz das amputações pelos terroristas de hoje! Mas era Portugal que estava em jogo e encontrou-se resistência para sobreviver.
Assim, dentro da linha de coerência política que sigo desde os bancos da escola, sempre presente e sempre firme na defesa da Pátria e da Família, indiferente aos modernos movimentos que pretendem fazer do homem um autómato e da vida um gigantesco ficheiro de cartões perfurados, ou discos magnéticos, aguardando o momento de entrarem no formidável computador electrónico em que se tornou o mundo, com o sangue bem quente a correr nas veias, de rosto ao sol, e no pleno uso do direito e do dever que me cabe, como homem livre e Deputado, eu peço desta bancada ao Governo que seja implacável na busca e na repressão de quem comete crimes hediondos que visam a destruição da sociedade em que vivemos, dos valores morais que graças a Deus possuímos e temos que preservar para que gravíssimas responsabilidades não nos sejam futuramente imputadas!

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Eu sei que me repito. Mas nunca é de mais dizer o que se pensa, quando se pensa direito: só assim, e procedendo em conformidade, "honraremos os vivos e seremos dignos dos nossos mortos".
Sr. Presidente: Se de facto "a utilização das bombas corresponde à monstruosidade lógica e moral de um crime premeditado contra vítimas imprevisíveis, e se estas podem ser indivíduos inocentes, talvez simples transeuntes, porventura crianças, e se tais eventualidades não tolhem o braço do bombista nem lhe afectam a consciência a que renunciou ao converter-se à tenebrosa religião do terrorismo", então que solução existe senão encontrar no âmago das organizações comunistas e afins o "detonador" que estabelece os contactos e faz explodir os engenhos infernais, eliminando-o pura e simplesmente de uma sociedade que amaldiçoou e de uma pátria que traiu?
Aproximam-se horas difíceis. Temos exemplos bem próximos e bem recentes daquilo a que pode levar a loucura e a ânsia da corrida para a conquista do Poder. Poderemos nós esquecer tudo quanto a Providência nos deu, aceitando também alianças ou "coincidências" diabólicas que visem a destruição de Portugal?
Srs. Deputados: Não o podemos permitir, tudo devemos fazer para que o combate seja eficiente e dele saiamos vencedores. O momento não é para opções; é para terminantemente dizermos "não" ao inimigo que nos espreita, se agrupa e será implacável, quer por acção directa, quer pelos "cavalos de Tróia" que entre nós se insinuam e proliferam.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Seja sob que forma for, só nos resta combatê-los; combatê-los e vencê-los. Senão seremos nós as vítimas e, o que é pior, os responsáveis. Se o Governo sentir o nosso apoio, a nossa determinação e a nossa crença, se sentir à sua volta inteira unanimidade, terá mais força e mais razão em ser implacável é não permitir que destruam as suas intenções de governar, evoluindo sabiamente na continuidade que se impõe.
Para o que está sucedendo, com uma cadência arrepiante, "não basta indignação", como diz, e muito bem, o jornal A Época no seu editorial do passado dia 12. É preciso actuar "com rapidez e em força" - disse-o Salazar quando os terroristas, em Angola, iniciaram os seus crimes e a sua infernal luta contra Portugal. Não pode ser regateada, e muito menos tolhida, a acção de todas as forças de segurança, que tantos e tão bons serviços têm prestado à Nação, para bem da sua própria sobrevivência.

Vozes: - Muito bem!

O Sr. Peres Claro: - Sr. Presidente: Desejo associar-me com o maior agrado às justas palavras que o Sr. Deputado Henrique Tenreiro proferiu há pouco neste hemiciclo, a propósito da visita que o Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros acaba de fazer à República da África do Sul e à Suazilândia, onde teve oportunidade de contactar com os vastos núcleos de portugueses que nesses países vivem e trabalham e aos quais me referi, em intervenção de 29 de Novembro do ano passado, chamando a atenção do Governo para a necessidade de se apoiar o esforço que essas comunidades vêm fazendo para se manterem portuguesas.
Ficou o Sr. Ministro impressionado, como eu ficara, com esse forte apego à Mãe-Pátria e, tecendo considerações sobre a importância que os portugueses espalhados pelo mundo alheio podem ter no quadro da nossa política diplomática, compreendeu a oportunidade da existência de escolas de língua nacional, ali mantidas por várias associações, e, embora não tenha definido concretamente qualquer acção de apoio a essa iniciativa particular, é-me lícito esperar que o seu Ministério não deixará de encarar o problema com o mesmo interesse que tem dedicado às colónias lusas na Europa.
Sem me querer arrogar representações que não tenho, creio todavia que interpreto os sentimentos da boa gente portuguesa, que dignamente ganha o seu pão nos territórios vizinhos da nossa fronteira de Moçambique, agradecendo ao Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros a visita que lhe fez, a simpatia do seu convívio, o calor da sua palavra e o conforto da sua presença.

O Sr. Presidente: - Srs. Deputados: Vamos passar à

Ordem do dia

Continuação do debate do aviso prévio sobre a toxicomania.
Tem a palavra o Sr. Deputado Salazar Leite.

O Sr. Salazar Leite: - Sr. Presidente, Srs. Deputados: O uso de produtos estimulantes parece ser tão velho como a história da evolução do homem, que sempre procurou ultrapassar, sob diversos aspectos, as suas possibilidades normais. Se o uso esporádico ou moderado de tais estimulantes não parece afectar o organismo, podendo até, em determinadas circunstân-