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180 I SÉRIE - NÚMERO 7

lista que foi Heitor Correia de Matos, que durante quarenta e dois anos dirigiu este periódico.
Exemplo de dignidade e inconformismo, defendendo intransigentemente os ideais da democracia e da liberdade, colocando-se sempre ao lado dos oprimidos, patrocinando todas as iniciativas em favor dos mais humildes, batendo-se pelos objectivos que enaltecessem a sua terra e as suas gentes, sempre soube honrar, através das suas páginas, todos os seus conterrâneos.
Foram portanto cem anos em que o Vilarealense, arrostando com carências e dificuldades de toda a ordem, conseguiu sobreviver sendo exemplo de dedicação aos princípios que o nortearam e que nunca deixou de defender, apesar das vicissitudes que rodearam, durante longo período, a imprensa deste país.
Como Vilarealenses orgulhamo-nos dos cem anos de vida deste jornal, e desta Assembleia, o órgão mais representativo da vontade popular, fazemos votos para que O Vilarealense continue por longos anos a sua acção em defesa dos princípios que sempre o nortearam, ao mesmo tempo que apelamos junto do Governo para que à imprensa regional sejam concedidas facilidades e apoios que merece.
Ao falar em necessidades da imprensa regional, desejaria salientar também as dificuldades que neste momento atravessa o semanário Notícias do Douro que, vítima de grande incêndio, viu reduzidas a cinza praticamente todas as suas máquinas e demais utensílios tipográficos. Não mendigando esmolas, esperamos que da parte do Governo se propiciem incentivos, tanto para este caso como para outros semelhantes, a fim de que possam ajudar a minorar prejuízos resultantes de tais sinistros.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Ao apresentar esta comunicação nesta Câmara pretende-se não só homenagear o mais antigo órgão de comunicação social ainda em circulação em Vila Real mas também envolver nesta homenagem toda a imprensa regional, incluindo a Rádio deste distrito que, com denodo e ultrapassando dificuldades de toda a ordem, tem lutado pela promoção social, cultural e económica da sua terra.
Para que desta intervenção não fique somente a imagem da vulgaridade de comemoração de uma efeméride, aproveito esta oportunidade para relembrar alguns problemas regionais de Além-Marão, que a verem-se resolvidos a curto prazo seria, a meu ver, a melhor compensação para aqueles que utilizando a imprensa escrita ou falada tem pugnado por tais realizações.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Em consonância com artigos, petições, noticiários e demais colaboração de índole regionalista de que a Rádio e a imprensa duriense, do Alto Tâmega, de Barroso ou Maronesa tem sido porta-voz nos últimos anos, saliento algumas das aspirações do povo nordestino para que ao Governo possam merecer a atenção e a rapidez de decisão que merecem tais pedidos:
1) O funcionamento do 2.º canal da televisão, cuja falta se faz sentir em toda a região. Já por várias vezes e das mais variadas formas tem sido reclamado tal benefício a que as gentes do Nordeste se acham com inteiro direito. As carências de ocupação de tempos livres, que infelizmente são tão poucos para povo tão laborioso, aliadas ao facto da impossibilidade de utilizar, por parte de muitos, outros meios de comunicação social e cultural, fazem com que mais se acentue a necessidade de, com toda a urgência, se instalarem os meios técnicos necessários ao funcionamento do 2.º canal da Radiotelevisão Portuguesa.
Cabe aqui referir também as péssimas condições em que nos chega a transmissão do 1.º canal, e muitos locais da zona norte do distrito de Vila Real só têm acesso à televisão espanhola.
Para além destes motivos, os responsáveis pela televisão não poderão esquecei que, em igualdade de circunstâncias com os portadores de licença das restantes regiões do País, os Transmontanos pagam integralmente a taxa anual sem que lhes seja colocado à disposição o mesmo serviço que contempla a maioria dos telespectadores portugueses.
2) Como foi já afirmado nesta Câmara, ma legislatura anterior, através de uma intervenção de um Deputado social-democrata Vilarealense, as carências rodoviárias são aflitivas: os já célebres projectos da estrada nacional n.º 15, mais conhecida pela estrada do Marão, uma das saídas para a Europa, com ligação do Porto a Bragança, passando por Vila Real, e que felizmente já está em concurso; a estrada nacional n.º 2, de Chaves à Régua e ligação para Mesão Frio; a estrada nacional n.º 322, de Vila Real a Sabrosa; as estradas nacionais n.ºs 312 e 313, de Vila Real a Lamas d'Olo, com ligação a Bilhó, Mondim de Basto e Ribeira de Pena; a estrada nacional n.º 103, de Bragança a Braga, passando por Chaves; troços das estradas nacionais n.ºs 206 e 212, de Alijó a Guimarães, passando por Vila Pouca de Aguiar e Fafe; a estrada nacional n.º 314, de Chaves a Moncorvo, passando por Murça, Abreiro e Vila Flor - umas para abertura e outras para rectificação e beneficiação de pisos -, são, entre outras, insistentemente solicitadas para que o desenvolvimento de Trás-os-Montes seja uma realidade e o seu povo sinta, concretamente, a orientação política no sentido de uma aproximação do nível de vida do povo das zonas do litoral.
Este Governo já definiu a necessidade de ocorrer à execução de tais obras que se encontram nos planos do Ministério da Habitação e Obras Públicas, algumas delas já com prazos e datas de execução, mas as difíceis condições de vida do povo nordestino, desde tempos imemoriais, aliadas à nossa breve adesão plena à CEE, são factores que deverão levar o Governo a considerar com carácter de urgência e do prioridade absoluta estes melhoramentos.
Cabe aqui referir a satisfação do povo transmontano pela rapidez com que foi definitivamente aprovado pelo Governo da Aliança Democrática o projecto de navegabilidade do rio Douro e a vontade manifestada pelos nossos governantes de que tal melhoramento seja uma realidade a curto prazo.
3) As notícias na imprensa regional e nortenha, em que esta intervenção se baseou, assiduamente têm chamado à atenção para a degradação em que se encontram alguns matadouros municipais, sem o mínimo de condições funcionais e higiénicas para ó abate de gado destinado à alimentação.
Já tem sido recolhida, pelos serviços competentes, carne que, apesar de verificada e aprovada e se encontrar legalmente à venda, está em péssimas condi-