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3272 I SÉRIE - NÚMERO 83

num autêntico genocídio e numa política Ide bárbara colonização, tendo em vista a liquidação das estruturas económicas, sociais, culturais e políticas da República Democrática de Timor Leste.
Por que razão, apesar dos protestos mais ou menos firmes, mais ou menos platónicos, dá comunidade internacional, é possível manter-se e, até certo ponto, consolidar-se a agressão colonial-fascista?
Em primeiro lugar, porque Portugal se demitiu, no que a Timor Leste diz respeito, das obrigações criadas com a Revolução do 25 de Abril garantir as condições para a autodeterminação e independência das colónias e dos deveres expressos no artigo 307.º da Constituição, que atribui ao Presidente da República, assistido pelo Conselho da Revolução e pelo Governo, a competência para praticar todo os actos necessários à realização do objectivo de promover e garantir o direito à independência de Timor Leste.
Em segundo lugar devido à política imperialista dos Estados Unidos da América, que têm em Suharto um homem de mão para garantir o controle dos estreitos de Ombai-Wettar, necessário ao trânsito imerso dos submarinos nucleares, que seria naturalmente posto em causa pela política de não alinhamento e de independência nacional prosseguida pelo Governo da RDTL.
Em terceiro lugar, porque a política revolucionária e de independência nacional, apoiada na mobilização e organização populares, dirigida pela Fretilin, não satisfaz a gulodice de outras potências imperialistas, normalmente tão empenhadas em apoiar lutas de libertação que possam vir a controlar.
Assim, o povo maubere, organizado soberanamente na RDTL, dirigido pela Fretilin e apoiado nas Fretilin, responde à agressão fascista, contando com as suas próprias forças, sem praticamente nenhum apoio exterior eficaz, nas duras condições de luta impostas por uma ilha rodeada de lacaios do imperialismo americano.
Os dirigentes portugueses subordinaram-se' vergonhosamente aos interesses- americanos na área, em detrimento dos interesses do povo maubere, traindo liminarmente as obrigações criadas com a Revolução de Abril.
Não foi por acaso que Lemos Pires, em representação da soberania portuguesa, não atribuiu qualquer significado à vitória da Fretilin nas eleições de Março-Abril de 1975, em que esta esmagou literalmente os seus opositores da UDP e da Apodeti, obtendo 90 % dos lugares em disputa.
Mas também não foi por acaso que a Fretilin obteve tal vitória, que se ficou a dever ao seu programa de cariz eminentemente popular e único, que punha como questão fulcral a rejeição total do colonialismo e a defesa da independência nacional. A popularidade das opções da Fretilin era tal e a sua radicação nos interesses e na luta ancestral dos Timores tão clara que a UDP se viu obrigada, por puro manobrismo e oportunismo político, a fazer uma aliança em Janeiro de 1975, na tentativa de conseguir espaço de manobra para impor os interesses da burguesia compradora e nostálgica do domínio colonial.
Mas a dinâmica popular e revolucionária do processo levou-a a desmascarar-se, assumindo de «imediato as teses spinolistas da federação, até ir cair nos apelos à integração na Indonésia.
A Apodeti, que desde o início se definiu pela integração na Indonésia, não obteve um único lugar naquelas eleições.
À revelia mais descarada dos resultados' das eleições, o Governo Português insiste em se entender com os partidos rejeitados pelo povo e avança para a fantochada da cimeira de Macau em 26 de Junho, que, coerentemente, a Fretilin rejeitou.
Com a complacência das autoridades e a cumplicidade activa de alguns militares, entre os quais Magiolo Gouveia, a UDT faz um golpe para se impor pela força onde não tinha qualquer apoio popular, correspondendo assim aos interesses dos monopólios japoneses; australianos e americanas, e directamente do expansionismo javanês, de verem a Fretilin liquidada, pois ela é, no dizer do Presidente Nicolau Lobato, «[...] a liberdade do povo em marcha».
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Há factos na história que enchem de alegria o coração dos homens, que iluminam a vida e fortalecem o ânimo e a coragem de todos aqueles que querem o bem-estar e o progresso da Humanidade.
Naturalmente que esses mesmos factos despertam o rancor e o ódio e toda a espécie de sórdidos e miseráveis ataques por parte daqueles que têm como missão defender os interesses abjectos da rapina e da exploração, à custa do sofrimento limite dos povos.
Um desses factos foi a proclamação da independência de Timor Leste, foi a proclamação da República Democrática de Timor Leste, pelo povo maubere, dirigido pela Fretilin.
A mentalidade reaccionária e colonialista instalada desde as estruturas centrais do Poder até sectores do próprio MFA, a submissão aos interesses dos EUA passando por Jacarta, á capacidade de negociar com toda a escumalha, com toda a sorte dê esbirros, excepto com os verdadeiros representantes do povo; excepto com aqueles que realmente querem e podem levá-lo à vitória, vão permitir o aberrante comportamento das autoridades portuguesas em Timor Leste: conivência e convivência com a situação golpista provocada pela UDT, já vencida, cilindrada nas próprias eleições sob os auspícios da potência colonial, mas não convencida, e a intolerância, a rejeição total à resposta corajosa e decidida da Fretilin ao proclamar a insurreição geral, única solução que lhe restava depois de, sem resultado, ter apelado sucessivamente para a Administração Portuguesa para se opor, impor e desarmar os golpistas.
Os valentes combatentes da Fretilin são chamados de bandidos pelo Alto-Comissário, que depois da convivência com a UDT, não suporta a vitória da Fretilin e vai refugiar-se em Ataúro, e a resposta que dá aos apelos - uma vez mais - da Fretilin para se reinstalar em Díli e assumir a direcção do processo de descolonização traduz-se num envio de apelos para o exterior, solicitando, no fundo; a ingerência externa, um qualquer auxílio institucionalizado, fascista, colonialista, imperialista, qualquer coisa que pusesse fim à «desordem» revolucionária do povo em movimento a organizar-se e a criar as