O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

8 DE JANEIRO DE 1982 1355

retributivo), os melhores embaixadores do espírito lusíada que gerou e criou essas novas pátrias.
A mensagem de «Paz e Bem» com que os Franciscanos se saúdam em todo o mundo é bem um grito de alerta para este nosso mundo tão conturbado por guerras, ódios, atentados, mortes, armas nucleares, etc. E nunca esta mensagem de «Paz e Bem» teve tanta actualidade como agora. E talvez por isso mesmo não é estranho, nem será por acaso que:
Em vários países do Mundo se preparam congressos, missões populares, semanas de estudo, publicações e transmissões radiotelevisivas, para que se «faça urn trabalho em profundidade para levar os ideais de S. Francisco de Assis ao mundo de hoje;
Se prevê a visita à cidade de Assis, durante o ano centenário, de cerca de 5 milhões de peregrinos, provenientes de todos os cantos do Mundo;
O Parlamento Europeu tenha planeado uma reunião para os dias 5 e 6 de Maio próximo relacionada com o 8.º centenário do nascimento de S. Francisco;
O Comité Organizador das Comemorações requerem à ONU que o dia 4 de Outubro de 1982 seja declarado Dia Mundial da Fraternidade entre os Povos;
Poderá não ter sido por acaso, também, que no dia 13 de Maio de 1981 uma Irmã Franciscana, Irmã Letícia, tenha ficado mesmo atrás de Ali Agca, agressor do Papa, e que quando ele disparou contra Sua Santidade, ela o tenha agarrado pelas costas, impedindo-o de disparar mais de 2 tiros. Irmã simples, acto simples, mas talvez tenha salvo a vida de S. S., o Papa João Paulo II.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - E, por último, não é por acaso, com certeza, que o Secretário Geral das Nações Unidas, Kurt Waldhein, na sua mensagem referente ao 8.º centenário do nascimento de S. Francisco de Assis, considere o facto como «fonte de inspiração para todos nós». E que acrescente: «Encontramos a mensagem de S. Francisco a ecoar nalguns dos mais elevados ideais: da Carta das Nações Unidas.»
Que o espírito simples e alegre de Francisco de Assis, que a sua mensagem alegre e simples de «Paz e Bem», que marcou e marca tantos e tantos discípulos e irmãos, mensageiros e missionários de cultura e civilização, não seja só, e apenas, mais umas palavras que se dizem, mais umas letras que se escrevem, ou mais uma voz que clama no deserto deste mundo contemporâneo, que cada vez parece mais surdo à voz da liberdade. E seja antes um grito bem forte e alto que ecoe em todos os cantos do Mundo e que a todos desperte para a defesa da liberdade e da paz.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Quero que estas minhas palavras sejam não só um voto de louvor e agradecimento a toda a família franciscana portuguesa, pelo passado e pelo presente, pela cultura, pela evangelização, pela civilização e promoção humana de que foram arautos, mas desejar também que a obra dos seguidores do ideal de S. Francisco de Assis, caminheiros da paz, se multiplique no espaço e no tempo, para que a «caminhada para a paz» seja verdadeira e total.

Aplausos do CDS, do PSD, do PPM e de alguns Deputados do PS.

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado Lemos Damião, V. Ex.ª pediu a palavra para que efeito?

O Sr. Lemos Damião (PSD): - Sr. Presidente, não sei que figura regimental devo invocar, mas peço a V. Ex.ª que considere as minhas palavras como apoio à intervenção produzida pelo Sr. Deputado Mendes de Carvalho.

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado, V. Ex.ª pode pedir ou prestar esclarecimentos, ou pode protestar o seu apoio ao Sr. Deputado Mendes de Carvalho.

O Sr. Lemos Damião (PSD): - Protestarei então a favor da intervenção do Sr. Deputado Mendes de Carvalho.

Risos.

Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sr. Deputado Mendes de Carvalho: Agradeço e felicito-o pela sua mensagem de amor, por nos ter falado do pioneiro do amor.
Falar de S. Francisco de Assas, volvidos 8 séculos, não deixa de ser surpreendente, sendo muito mais surpreendente quando a efeméride do nascimento de um homem assume repercussão mundial.
E, mais ainda, se não esquecermos que esse homem nunca quis ser senão o «menor», o mais pequenino de todos, pelo que a História, num acto de rendição à sua vontade, o denominou, de o Poveretto, o Pobrezinho.
Não se poderá, porém, pensar que a dimensão mundial das comemorações seja fruto de qualquer artifício oportunista ou resulte de qualquer manipulação franciscana.
Ninguém, nem mesmo a sua própria Igreja, a quem com toda a sua legitimidade reconheceríamos esse direito, o fez, visto que o Poverello disso não carecia, tão evidente foi a sua mensagem como homem e como santo, que o seu nome e a sua obra ultrapassando a enorme família franciscana, se impôs à Igreja e ao Mundo.
Celebrar aqui e agora o seu nascimento não é um mero acto político; é, pois, dever de todos nós, é dever de toda a Humanidade.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Encontra-se o mundo dos nossos dias numa encruzilhada decisiva.
Todos desejamos criar um mundo povo, digno do homem, que de felicidade e alegria de viver às pessoas, mas, para isso, é imperioso que se façam opções rápidas, corajosas e profundas.
Sendo a raça humana imperecível, S. Francisco percebia-a quando dizia, referindo-se aos jovens: «Eles seguem o seu próprio caminho para atingir Deus.»
E dizia mais: «O nosso, é de pobreza e de castidade; o deles, de abraços e de beijos.»
E como é belo e contagiaste o seu conceito de liberdade!