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1356 I SÉRIE - NÚMERO 34

Já pensou, Sr. Deputado, alguém considerar-se o mais livre do Mundo, porque era o mais pobre?
Para ele, a pobreza, a simplicidade e a liberdade eram uma e a mesma coisa.
Porém, para S. Francisco, pioneiro; do amor, só o amor, ai concórdia e a fraternidade entre os homens eram o pão que não tinha, o vinho que não bebia, a roupa que o não cobria: e o lar que abandonou para entrar em todos os lares como mensageiro da paz.
Hoje, quando tanto dela muitos povos carecem, pergunta-se: Como é possível pacificar o mundo, se não houver paz nos nossos corações?
Porém, na época em que vivemos, o Mundo caiu tão baixo que o ódio é mais eficaz que o amor. A guerra gera guerra, faz correr sangue humano.
Por isso, no início deste Novo Ano, que S. Francisco seja o mensageiro dia paz, que desperte o coração dos governantes de todos os povos, sejam eles dependentes do Ocidente ou do Leste,
Sr. Presidente, Srs, Deputados: Enquanto houver um, português sem casa, sem assistência médica, sem escola para aprender, sem comida para se alimentar, sem roupa para se vestir, enquanto houver um homem tiritando de frio e com fome, devemos, como dizia e praticava S. Francisco de Assis, sofrer com esse homem.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: A invocação do exemplo de virtude responsabiliza-me no plano da acção. Em conformidade, permito-me formular o voto de que as diligências que correm no sentido de dotar a Ordem de S. Francisco, em Coimbra, com as condições materiais necessárias ao desempenho da sua generosa acção em benefício dos jovens e dos mais desprotegidos dos nossos concidadãos sejam coroadas de êxito.

Aplausos do PSD, do CDS e do PPM.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Barrilaro Ruas.

O Sr. Barrilaro Ruas (PPM): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: As minhas palavras são formalmente para .pedir esclarecimentos ao Sr. Deputado Mendes de Carvalho, mas devo esclarecer que, «pela minha parte, considero que falar de S. Francisco de Assis, mesmo sob forma de intervenção muito modesta e muito rápida, é sempre pedir ao espírito franciscano um esclarecimento, uma luz suplementar e, se me permite, é integrar-me na formalidade regimental para testemunhar aqui o apoio, pessoalmente e em nome do PPM, da nossa presença nesta comemoração franciscana desenvolvida aqui hoje pelo Sr. Deputado Mendes de Carvalho.
Em .primeiro Lugar, gostaria de recordar que para nós, Portugueses, não apenas por obra dos» descobrimentos, em cuja inspiração o espírito franciscano foi tão essencial, mas pelo facto de a Ordem Franciscana e a filosofia franciscana serem inseparáveis do nome grande de Portugal, que é Santo António de Lisboa, toda a comemoração de S. Francisco de Assis é uma acção «i um momento autenticamente portugueses.
Em segundo lugar, o espírito franciscano tem qualquer coisa de extremamente actual, .porque através de toda a História -e hoje principalmente- o espírito de autêntica revolução espiritual tem sempre qualquer coisa de franciscano e a actualidade da revolução em termos positivos, a revolução que não odeia, a revolução que ama e que constrói tem sempre um fundamento franciscano no seu íntimo e na sua essência.
Em terceiro lugar, quero recordar a falta que faz hoje a Ordem Franciscana num dos pontos cruciais da política contemporânea: Jerusalém, os Lugares Sagrados.
A extrema decadência a que chegou em termos de direito internacional o caso de Jerusalém e dos lugares sagrados diz respeito às 3 grandes religiões do Livro, às 3 grandes religiões bíblicas: o judaísmo. o cristianismo e o islamismo. Tem que ver, portanto, gravemente com o que se passou do século XVIII com a expulsão violenta dos Franciscanos (1747) dos lugares sagrados, que eles, em nome da Cristandade e com o reconhecimento universal, conservavam e transmitiam como uma tradição.
Essa falta ida Ordem Franciscana não lhe é imputável. É-lhe imputável sim uma ordem de valores que decaiu, que se degradou extremamente, e é em nome desses valores que temos de protestar e que temos de esperar que um dia a Ordem de S. Francisco de Assis seja reconduzida, na medida do razoável e do possível, a essa intervenção, numa ordem internacional que é jurídica mas que é, antes de tudo, moral.
S. Francisco de Assis está presente, portanto, na história do pensamento, na história do amor, na história da ordem colectiva de toda a Humanidade.

Aplausos do PPM, do PSD e do CDS.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Raul Rego.

O Sr. Raul Rego (PS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Gostava de dar uma explicação à Câmara, associando-me às palavras do Sr. Deputado que acabou de celebrar o centenário do nascimento de S. Francisco de Assis.
De facto, não podemos esquecer -tal como o Sr. Deputado Mendes de Carvalho acentuou - que o franciscanismo foi a fraternidade na Idade Média, e a fraternidade é o socialismo no nosso tempo.

Vozes do PS, da ASDI e da UEDS: - Muito bem!

O Orador. - Não podemos esquecer que o chamado Santo António de Lisboa foi o chamado S. Paulo do franciscanismo. Mas se quisermos vir para o nosso tempo, lembro a grande figura de incorreu que foi Jaime Cortesão, que foi para o túmulo com o hábito de S. Francisco de Assis.
Lembro ainda do nosso tempo que os Franciscanos, no final da monarquia, com a voz de Santo António, foram os partidários da democracia no velho regime. E, em Maio de 1910, a voz de Santo António era proibida por ser democrática e era constantemente atacada pela escola dos jesuítas pelo novo mensageiro do Coração de Jesus.

Vozes do PS e da UEDS: - Muito bem!

O Orador: - O Sr. Deputado Mendes de Carvalho falou ainda do padre Manuel Alves Correia e eu falo também de seu irmão, cr padre Joaquim Alves Correia, que foi exilado por Salazar, que morreu no exílio e