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5 DE MARÇO DE 1982 2527

tinuadas moções, paralisantes da normal acção parlamentar, desmotivantes dos governantes e provocadoras da desilusão na população. O pior inimigo da democracia é o desinteresse dos cidadãos.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Na crise, temos coragem de assumir medidas nem sempre populares. Prova-o o Plano de 82, sem ambição, o orçamento de austeridade e muitos diplomas que estão na forja. Alguma impopularidade de hoje ficará connosco. No final do nosso mandato, em face do cômputo geral, o povo nos julgará.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Já sabíamos que o PS nunca seria capaz de atitudes de coragem. Quando foi governo, limitou-se a aceitar as situações criadas pelos governos provisórios e a política de factos consumados do PC, administrando a situação e pedindo empréstimos externos paira despesas correntes, com medo das consequências eleitorais de uma saneadora política de austeridade. Agora mesmo, por divulgação dos seus dirigentes se vê que não quer assumir uma revisão constitucional que, alterando tudo o que é notoriamente programático-partidário (e, por isso já o esqueceu, vê-se - teve de congelar no governo PS/CDS), permita uma democracia plena, viabilizando quaisquer programas sufragados pelo povo português.
Diz que o PSD se vem afastando do seu programa social-democrata, e di-lo demagogicamente como se não compreendesse que estamos numa coligação com outras forças e que, em épocas de dificuldades, o Governo tem que procurar sobretudo soluções pragmáticas. Nau é a oposição que tem competência para passar atestado de social-democracia à minha bancada e ao meu partido. Será o eleitorado que se insere nesse campo ideológico que o dirá, pelo apoio que nos for conferido.

Aplausos do PSD, do CDS e do PPM.

Nós não desprezamos os valores do reformismo, não esquecemos a necessidade de criar empregos; não abandonamos o estudo da problemática habitacional, nas suas vertentes de aumento do parque imobiliário e política de rendas.
Nós não temos deixado diminuir os salários reais, tendo por preocupação básica a defesa do nível de vida das clames trabalhadoras; temos conseguido controlar as subidas inevitáveis dos preços; avançamos no caminho da regionalização do País.
Vamos fazer aprovar a legislação base do sistema de ensino; connosco os reformados, os idosos, os deficientes, os trabalhadores-estudantes vêem melhorada a sua situação.

O Sr. António Vitorino (UEDS): - É o delírio!

O Orador: - Evidentemente que a população portuguesa quer mais.
Nós pretendemos fazer mais e reiteramos as nossas promessas eleitorais. Mas, ainda que não houvesse crise, sempre teríamos à nossa frente 3 anos para realizar a obra que nos impomos.

O Sr. António Vitorino (UEDS): - 3 anos?! ...

O Orador: - Não queiram que façamos em meses o muito que o País não obteve em décadas.

Aplausos do PSD, do CDS e do PPM.

O Sr. António Vitorino (UEDS): - Salazar diria...

O Orador: - O vosso ataque logo no início da acção deste Governo e desta legislatura é uma ofensa aos Portugueses que em nós votaram e que em nós crêem e que não podem compreender que, na vossa cegueira, estejais já, a 3 anos de distância do fim do mandato que nos foi conferido, a dizer que não souberam votar.
A AD mantém-se unida nestas horas difíceis de fácil crítica, como o esteve nas horas gloriosas das vitórias recentes, em que u eleitorado, primeiro espezinhado pela vontade antidemocrática do PCP, depois descrente das receitas socialistas, nos deu a sua confiança.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - É essa confiança que nós, deputados do PSD, transmitimos ao Governo. Ao Governo, que orgulhosamente assumimos, crimes de que saberá ter coragem para não desistir nas horas de incompreensão, certo de que possui intrinsecamente a força de progresso para as horas melhores que o futuro trará.
Falais. Srs. Deputados do PS. em eleições legislativas. Nós não as recearíamos. Hoje mesmo voltaríamos a ganhar se a legislatura estivesse no fim. Mas vós falais nelas a medo.

Aplausos do PSD.

Sabeis que o PS sozinho não teria qualquer hipótese de ganhar.

O Sr. Eduardo Pereira (PS): - Vamos experimentar?

O Orador: - O PS tentou uma coligação com outros partidos, a FRS, mas logo se mostrou incapaz de a manter, como aliás já antes acontecera na coligação com o CDS. Traumatizado pela tutelar estratégia de Salgado Zenha em 1976, só consegue estar só.
Afinal, Sr. Presidente e Srs. Deputados, o PS muito simplesmente não pretende derrubar o Governo, não pretende também eleições, só pretende censurar.
Censurem, pois, Srs. Deputados socialistas.

Um» voz do PS: - Bem merecem!

O Orador - O povo ouve as vossas lamúrias, O povo verá as nossas acções.
Hoje, a vossa moção não será um acto falhado porque a maioria saberá transformar um acto sem conteúdo e objectivamente sem dignidade de Estado, porque à partida sem viabilidade, numa vitória.

Aplausos do PSD.

Censuraram-nos ontem. Censuraram-nos hoje, quando quiserem e puderem, alinhando com o PCP na incompreensão sectária a falta de estímulo que, em democracia e em períodos críticos, todos os par-