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2776 I SÉRIE - NUMERO 64

cos grupos económicos e o consequente aumento de desemprego, que o plano Werner está a ser aplicado. Igualmente nas 'relações laborais tem sido tentada a sua aplicação. Daí as quase diárias suspensões e despedimentos ilegais de activistas sindicais, a proibição da actividade sindical nas empresas, o agravamento dos ritmos e cargas de trabalho, a insegurança no emprego.
Mas toda esta política de desastre nacional e de agravamento das condições de trabalho e de vida tem encontrado pela frente a luta. dos trabalhadores, que sabem que é possível reestruturar o sector têxtil, defendendo o- emprego, evitando o encerramento de centenas de empresas e sem o agravamento das suas condições de trabalho e de vida.

Vozes do PCP: - Muito bem!

O Orador: -Só que sabem igualmente que a alternativa para a situação actual pressupõe uma nova política, um governo empenhado na defesa dos direitos dos trabalhadores, da indústria nacional e dos interesses do- País, pela que também a reestruturação do sector têxtil exige o rápido afastamento da AD da área do Governo.

Aplausos do PCP e do MDP/CDE.

O Sr. Presidente: - Para uma intervenção tem a palavra o Sr. Deputado Manuel Alegre.

O Sr. Manuel Alegre (PS": - Sr. Presidente, Srs. Deputados: O Grupo Parlamentar do Partido Socialista apresentou na Mesa um voto de pesar pela morte de João José Cochofel, poeta, ensaísta, musicólogo e democrata de sempre.
Depois da morte recente de Carlos de Oliveira esta é mais uma grande perda para a cultura portuguesa.
João José Cochofel foi um dos fundadores do Novo Cancioneiro, movimento poético que deu expressão ao movimento estético, literário e doutrinário conhecido pelo nome de «neo-realismo». Ele aliava,, como Visconti, a quem frequentemente se referia nos seus versos, um gosto do antigo a uma compreensão das realidades presentes e ao empenhamento pessoal, político, poético e cultural na luta pela liberdade e pela criação de uma sociedade mais justa. A sua poesia, marcada por um lirismo intimista, de expressão muito depurada e rigorosa, teve também um claro e profundo sentido social e, nessa medida, ele foi um poeta da resistência, um poeta da liberdade.
Era, como se sabe, um homem de rara e notável cultura musical e foi um dos mais distintos musicólogos da nossa época. A sua cultura musical está, aliás, patente na sua obra, nomeadamente num dos títulos dos seus livros, Quatro Andamentos.
Foi um homem de uma fina sensibilidade, de uma grande discrição e também, é preciso dizê-lo, de uma grande solidariedade, um homem que nunca recusou o seu apoio a quem lho pedisse.
Nos tempos difíceis da luta contra a ditadura salazarista, da luta contra o fascismo, João José Cochofel nunca fechou as suas portas a quem precisou do seu auxílio. E posso dar aqui o meu testemunho pessoal: em 1964, procurado pela polícia política, quando precisei de auxílio e de solidariedade, João José Cochofel, com a sua discrição de sempre, foi o- primeiro a abrir-me as suas portas e, com o risco da sua segurança e da sua liberdade, transportou-me depois para o norte do País para que eu pudesse a seguir atravessar a fronteira e escapar à perseguição pessoal. Fê-lo por mim e por muitos outros resistentes antifascistas. Fê-lo por consciência política, por consciência antifascista, por consciência democrática, ligada ao seu profundo empenhamento cultural.
Foi um homem que deu pouco nas vistas, mas que marcou profundamente os movimentos poéticos e culturais ligados à luta pela democracia no nosso país.
Era um homem a quem ficaria bem, até pelo exemplo da sua discrição, da sua sobriedade, da sua humildade democrática, a medalha da liberdade.
Em nome do Partido Socialista, deixo aqui estas palavras de homenagem a uma grande figura da cultura portuguesa, a um grande resistente antifascista, a um grande poeta e musicólogo português, com cuja morte Portugal perdeu outra grande figura, uma grande figura da nossa cultura, da nossa poesia e da nossa resistência.
Por isso, Sr. Presidente e Srs. Deputados, peco-vos um minuto .de silêncio, em sinal de respeito e de homenagem a essa grande figura que foi João José Cochofel.
O Sr. Presidente:- Srs. Deputados, no seguimento da proposta feita pelo Sr. Deputado Manuel Alegre, solicito a VV. Ex.as l minuto de silêncio e de reflexão acerca do falecimento do poeta Cochofel.
A Câmara guardou, de pé 1 minuto de silêncio.

O Sr. Presidente: - O voto de pesar agora apresentado e subscrito pelos Srs. Deputados do Partido Socialista será presente à Conferência dos Presidentes dos Grupos Parlamentares para oportuna inclusão nos nossos trabalhos.
Para uma intervenção tem a palavra o Sr. Deputado Herberto Goulart.

O Sr. Herberto Goulart (MDP/CDE): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Quero também aproveitar os 5 minutos que nos competem para prestar aqui uma breve homenagem ao Dr. Álvaro Seiça Neves, ontem falecido em Aveiro.
Há pouco apresentei na Mesa, em nome do Grupo Parlamentar do MDP/CDE, um voto de pesar, que tomarei a liberdade de ler como fazendo parte da homenagem que prestamos a Álvaro Seiça Neves no próprio momento em que estará a ocorrer o seu funeral.
O teor do voto é o seguinte:

1 - Considerando que Álvaro Seiça Neves esteve no centro de todos os grandes momentos da luta contra o fascismo, à sua acção se devendo, em grande medida, a realização em Aveiro de um marco histórico que foram os dois importantes congressos da oposição democrática, que foram o Abril antes de Abril;
2 - Considerando que a sua figura impoluta de cidadão e o seu espírito firme e conciliador simbolizam os valores de toda uma geração de democratas a quem Portugal tanto deve;
3 - Considerando que com o falecimento de Álvaro Seiça Neves desaparece uma figura ímpar