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3634 I SÉRIE - NÚMERO 87

disciplinares. Pode haver uma amnistia por infracções de carácter político; não pode de maneira nenhuma, haver uma benção para toda a espécie de infracções disciplinares cometidas em vários órgãos de comunicação social estatizados ou quaisquer outros serviços do Estado.
Era isto que queria dizer como protesto em relação á intervenção do Sr. Deputado Vilhena de Carvalho, que não é bem um protesto mas apenas uma simples tomada de posição.

O Sr. Presidente: - Para responder, se assim o entender, tem a palavra o Sr. Deputado Vilhena de Carvalho.

O Sr. Vilhena de Carvalho (ASDI): - Sr. Presidente, começo por registar que o Sr. Deputado Sousa Tavares chama protestos, às tomadas de posição. É um novo vocabulário.
Sr. Deputado Sousa Tavares, registei a sua tomada de posição; contudo, devo dizer, não fiquei a saber muito bem qual ela era.

O Sr. Sousa Tavares (PSD): - Eu expliquei. Aliás, no outro debate também lhe expliquei!

O Orador: - Sr. Deputado Sousa Tavares, os problemas que se levantaram no outro debate são diferentes daqueles que a proposta apresentada pela minha bancada podem suscitar. O Sr. Deputado não chegou a dizer se relativamente à proposta agora apresentada, que é totalmente diversa do projecto de decreto-lei...

O Sr. Sousa Tavares (PSD): - Dá-me licença que o interrompa, Sr. Deputado?

O Orador: - Faça favor, Sr. Deputado.

O Sr. Sousa Tavares (PSD): - Eu disse que bastaria acrescentar um adjectivo.

O Orador: - E qual é o adjectivo, Sr. Deputado? O Sr. Sousa Tavares (PSD): - Política!

O Orador: - Nesse caso, pergunto-lhe se V. Ex.ª considera que é emissão de uma opinião política alguém dizer que outrem é, por exemplo, um «maquiavél à moda da Beira».

Risos.

O Sr. Sousa Tavares (PSD): - Sr. Deputado Vilhena de Carvalho, se, por exemplo, eu manifestar num serviço onde estou integrado a opinião de que o meu superior é ... -sei lá! não quero dizer agora um palavrão porque ficaria registado no Diário...

Risos.

O Orador: - Diga, diga, Sr. Deputado.

O Sr. Presidente: - Peço para não dizer, Sr. Deputado Sousa Tavares.

O Sr. Sousa Tavares (PSD): - Eu não digo, Sr. Presidente.
... - isso seria uma manifestação de opinião que daria motivo a uma infracção disciplinar do tipo daquelas que não considero que possam ser amnistiadas. É esse o problema.

O Orador: - V. Ex.ª considera então que as infracções disciplinares não podem ser objecto de amnistias?

O Sr. Sousa Tavares (PSD): -Claro que podem!

O Orador: - Nesse caso, registamos que: as infracções disciplinares podem ser objecto de amnistias.
Gostaria ainda de registar que o Sr. Deputado Sousa Tavares não chegou a dizer se é pró ou contra os touros de morte. Na discussão que estamos a travar os touros não são aqui vindos nem achados; os toureiros, esses sim, esses é que têm processos nos tribunais por terem morto touros em praças públicas.

Risos.

O Sr. Sousa Tavares (PSD):- Por amor de Deus, Sr. Deputado Vilhena de Carvalho, esses toureiros estão processados porque mataram indevidamente os touros e, como sabe, isso é proibido em Portugal. O Sr. Deputado disse que isso era uma violência contra o animal; eu disse que violência é a tourada em si. O matar o touro na praça é a menor violência que se comete numa tourada. Foi isso que eu disse.
Se quiser pode admitir que sou defensor dos touros de morte. Apenas tenho a dizer-lhe que não sou defensor de touros nenhuns.

Risos.

O que eu digo -e digo-o sinceramente- é que considero que a menor violência que se faz ao touro numa tourada é matá-lo na praça.

O Sr. Presidente: - Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Martins Canaverde.

O Sr. Martins Canaverde (CDS):- Sr. Presidente, Srs. Deputados, Srs. Membros do Governo: Para todos os portugueses cristãos ou não cristãos, religiosos ou não religiosos, a visita do Papa João Paulo II a Portugal é, como se acentua na Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa, um sinal-estímulo da união entre todos os homens para além das diferenças de cultura ou política.
O povo português, para além de ir, decerto, revelar efusivamente os seus sentimentos de júbilo, de afecto e respeito perante o Bispo de Roma, o Peregrino e crente de Fátima, espera certamente que o Parlamento Português, atento ao alto significado da visita, tome, em seu nome e por si, as medidas de clemência que o histórico acontecimento justifica.
Com efeito, por entre dificuldades, angústias, incerteza e ameaças, no meio de injustiças, tensões e lutas que nem sempre têm alguma coisa a ver com a justiça, o bem-estar, a segurança e a paz, todos os homens, mesmo os que não sabem sê-lo, pois ainda há, infelizmente, muitos homens que não são homens -para usar a expressão feliz de Paulo VI - e necessitam de pausas e intervalos para consultar e ouvir a sua própria consciência, para se interrogarem a si próprios mais do que para acusar os outros, para, enfim, esco-