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72 I SÉRIE-NÚMERO 4

sua espera agricultores de Cantanhede que lhe iam apresentar problemas da batata, do preço de 10$ por que lhe a querem pagar, dos compradores que não há e do escoamento que não se faz pelas entidades oficiais.

Uma voz do PCP: - É uma vergonha!

O Orador: - E também dos terrenos sobre os quais S. Ex.ª tinha acabado de passar, expropriados para a construção da auto-estrada, e cujas indemnizações não estão pagas.
Mas Sua Eminência mandou fazer meia volta e carregar no pedal para não se incomodar.
Já em 22 de Setembro, depois de várias insistências, representantes das associações e cooperativas agrícolas do Baixo Mondego foram recebidos pelo Sr. Ministro da Agricultura, pelos Srs. Secretários de Estado do Comércio e da Produção, director e subdirector regional do MACP e directores da EPAC, a quem prometeu-o pagamento do subsidio de arroz de 1981 de imediato. Para o ano de 1982 prometeu o seu pagamento em tempo anterior ao de 1981 e fixou o seu montante em 14 400$/ha.
Leu-lhes um despacho seu, que não se sabe seja publicado, em que determina que a compra de arroz estrangeiro pelos industriais seja condicionada à compra de arroz nacional.
Disse-lhes apoiar o aparecimento de uma cooperativa de descasque de arroz no Baixo Mondego, adiantou até a promessa de auxilio financeiro de 49 % do custo (29% a fundo perdido e 20 % a longo prazo).
Pediu aos seus serviços presentes a melhor atenção para os problemas dos agricultores e à EPAC para os não prejudicar com importações de arroz estrangeiro.
Pediu aos produtores atenção constante e vigilância no escoamento e preço do arroz, desejando ser informado dos níveis de preços atingidos.
Mostrou-se aberto ao diálogo entre a produção e os serviços do MACP e marcou para 18 de Outubro uma sessão de trabalho em Lisboa com os representantes presentes.
Dessa reunião saíram os representantes das associações e cooperativas com alguma satisfação, mas sem deixarem de alertar todos os produtores a que se mantivessem vigilantes e que defendessem o escoamento e um bom preço para o arroz e que mantivessem as suas associações e cooperativas informadas dos níveis alcançados.
Pareciam bruxos!
De facto, Sr. Presidente e Srs. Deputados, no dia de aprazada reunião de trabalho, em 18 do corrente, ninguém se dignou a aparecer e nem sequer dar cavaco do motivo da ausência.
Na linha do Governo e do seu Primeiro-Ministro, também o Ministro da Agricultura não se quer incomodar com os agricultores. E será assim que amanhã os agricultores do Baixo Mondego, motivados por uma luta justa de defesa dos seus direitos, se juntam a tantos outros sectores que por este pequeno-grande país contestam o Governo que apregoa boas intenções, mas que os despreza e destrói.

O Sr. José Lemos (PCP): - Muito bem!

O Orador: - Amanhã, às 10 horas, os agricultores concentrar-se-ão em Montemor-o-Velho, onde darão uma conferência de imprensa a explicar as razões e objectivos da sua luta e dai partirão com os seus instrumentos de trabalho (tractores, reboques) para cortar as estradas em Coimbra, na Figueira da Foz e o caminho de ferro em Alfarelos.
Será uma grande jornada de luta que o PCP daqui saúda e aplaude. Será uma jornada de luta por aspirações tão simples quanto são os homens do campo: garantia de escoamento e preços para os seus produtos (26550 para o arroz); pagamento dos subsídios de arroz de 1981 até 30 de Novembro e outros.
Querem estes homens e mulheres, como todos os portugueses, exceptuando governantes e seus apoiantes já se vê, que aqui em Portugal se desenvolva e estimule a agricultura e se diminuam as importações de produtos agrícolas (30 milhões de contos em 1980, 50 milhões em 1981,80 milhões previstos para 1982).
Na sua simplicidade percebem, como todos os portugueses, exceptuando governantes e apoiantes, que os seus problemas só terão solução com a queda deste Governo e com o afastamento da AD da área do poder.

Vozes do PCP: - Muito bem!

O Orador: - Sr. Presidente, Srs. Deputados: No ano transacto os incêndios atingiram fortemente os agricultores e produtores florestais dos concelhos de Pampilhosa da Serra, Vila Nova de Poiares, Miranda do Corvo, Lousa e Arganil.
As promessas governamentais estalaram, foram anunciadas medidas e mais medidas, mas certo, certo, é o que se sabe ter sido a ineficácia da prevenção e detecção dos focos de incêndio, a falta de escoamento de madeiras queimadas, a falta de apoio aos agricultores e produtores florestais.
E este ano voltou a acontecer sacrifício, miséria, destruição em todo o alto distrito de Coimbra. Desta vez, para além dos pinhais e eucaliptais, foram destruídos os olivais, videiras, árvores de fruto, milho, palheiros, arrecadações.
Nem o esforço dos bombeiros conseguiu evitar a enorme dimensão da catástrofe.
Cabe aqui um parêntesis para saudar os valorosos soldados da paz, que ainda há pouco conseguiram realizar, após uma temporada desgastante, o seu XXV Congresso Nacional na Figueira da Foz.
Tivemos a felicidade de assistir aos trabalhos do Congresso e fazemos votos para que as conclusões daí saídas possam contribuir para o engrandecimento da imagem do Bombeiro e consigam sensibilizar as entidades responsáveis de forma a uma articulação perfeita dos diversos organismos coordenadores e dos meios necessários à sua operacionalidade.

Vozes do PCP: - Muito bem!

O Orador: - No seguimento de acções já empreendidas, as uniões de agricultores do Alto Distrito de Coimbra iniciaram já o levantamento dos prejuízos havidos e reclamam algumas medidas tendentes a evitar o que se passou em anos anteriores: criação de comissões de avaliação de prejuízos, de parques de recolha de madeiras em todos os concelhos atingidos pelos incêndios, escoamento urgente das madeiras queimadas a preços justos, criando, inclusive, condições para a exportação de madeiras, indemnizações pelos prejuízos causados pelos incêndios, suspensão temporária da contribuição predial rústica, subsídios e apoio técnico para a reflorestação.