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250 I SÉRIE - NÚMERO 8

passava no anterior regime, referia-me claramente à situação profissional, e sobretudo material, dos jornalistas.
Antigamente, os jornalistas eram obrigados a ter dois ou três empregos, e hoje está realmente a acontecer o mesmo no sector da comunicação social. Era apenas isto que queria referir, Sr. Deputado.

O Sr. Presidente: - Para um pedido de esclarecimento, tem a palavra a Sr.ª Deputada Zita Seabra.

A Sr.ª Zita Seabra (PCP): - Sr. Presidente, antes de formular o meu pedido de esclarecimento, queria perguntar à Mesa como é que é contabilizado o tempo do pedido de esclarecimento que vou formular.

O Sr. Presidente: - A contabilização resulta do que determina o Regimento. Tem 3 minutos, Sr.ª Deputada.

A Sr.ª Zita Seabra: - Exactamente, Sr. Presidente, mas era só para saber se, em função do acordo que foi feito na conferência de líderes parlamentares, esses 3 minutos de que disponho para fazer o pedido de esclarecimento não são depois descontados .

O Sr. Presidente: - Não são, não, Sr.ª Deputada.

A Sr.ª Zita Seabra (PCP): - Muito obrigada, Sr. Presidente.
Sr. Deputado Lopes Cardoso, poderia dizer que subscrevia no fundamental as declarações que proferiu, nomeadamente no que respeita à situação da comunicação social - onde penso que, apesar de tudo, pecou por defeito - e às condições de trabalho dos jornalistas.
Só que, solidarizando-me em nome do meu grupo parlamentar com o que disse em relação às condições em que trabalham os jornalistas portugueses, e nomeadamente à negociação do seu contrato colectivo - que está há 11 meses para ser alterado e em cuja proposta a entidade patronal vai ao ridículo de propor um aumento de 12 % -, gostaria de lhe lembrar, Sr. Deputado, que, para além dos jornalistas, há também os gráficos.
Os gráficos estão exactamente na mesma situação contratual que os jornalistas e têm travado - e muito bem - a luta conjuntamente, pois estão nela interessados, tanto uns, como outros. Na verdade, se os gráficos não escrevem o que os Srs. Deputados dizem, imprimem essas mesmas palavras.

O Sr. Jerónimo de Sousa (PCP): - Muito bem!

A Oradora: - Não podemos esquecer que os gráficos também têm filhos, também comem, logo também os 12 % não chegam para eles.
Daí a minha questão em relação às condições de trabalho que parecem ser, na verdade, inaceitáveis na situação actualmente em vigor. Com uma taxa de inflação de 30 %, o aumento proposto no contrato colectivo de trabalho dos jornalistas - que estão hoje numa situação difícil, pois muitos deles têm os salários em atraso - não faz face à recuperação do poder de compra.
A segunda ordem de questões, Sr. Deputado, é a de que, na verdade, a comunicação social estatizada, e particularmente no que diz respeito à Televisão, está hoje pior do que nunca esteve, em termos de manipulação e de falta de isenção.
Chamo a atenção do Sr. Deputado e desta Câmara para a situação escandalosa em que se encontra a Televisão. Só diria que desde que este Governo entrou em funções e desde que tem a responsabilidade que tem hoje, o PCP teve em média, por mês, 3 minutos de televisão. Esta é a média do tempo que o PCP teve no Telejornal. E mais: ao todo, participou em dois debates na televisão, desde que este governo assumiu funções. Isto e inaceitável em termos de partido de oposição, é uma manipulação clara da opinião pública, pois o PCP representa aqui mais de l milhão de votos de eleitores portugueses.
Em anteriores governos, muitas vezes denunciámos aqui a situação que se vive nesse órgão fundamental de comunicação social que é a televisão, mas hoje ela está pior do que nunca. Em termos objectivos, isto é, de contabilização de tempo, está pior do que nos piores tempos do Sr. Proença de Carvalho. E ele era muito mau! Hoje está pior, e o PCP tem menos tempo directo de Telejornal do que tinha nesse tempo.
Exactamente em igual situação está o movimento dos trabalhadores. A luta dos trabalhadores que hoje está completamente ausente de toda e qualquer imagem televisiva no Telejornal (o noticiário fundamental) está completa e totalmente manipulada.
Era para isto que gostaria chamar a atenção da Câmara e dos Srs. Deputados. Penso que aqui, pelo menos, é possível que os democratas façam um juízo de valor em relação à situação anterior ao 25 de Abril - e também tenho o meu - e que, através dessa comparação, não escamoteiem a gravidade da situação que hoje se está a viver em termos de uma liberdade fundamental que é o direito a ser informado.

Aplausos do PCP.

O Sr. Presidente: - Para responder, se desejai, tem a palavra o Sr. Deputado Lopes Cardoso.

O Sr. Lopes Cardoso (UEDS): - Pretendo responder, embora não seja fácil, na medida em que a Sr.ª Deputada não me fez perguntas em concreto.
De facto, começou por fazer o que, de certo modo, poderia ser uma insinuação desagradável, ao chamar a minha atenção para o facto de eu não ter referido a luta dos gráficos porque eles não publicam os meus discursos.
Bom, Sr.ª Deputada, penso que nem sequer vale a pena responder a insinuações deste teor.
Quanto às questões que levantou relativamente à Televisão, devo dizer que a minha intervenção política durou os 10 minutos regimentais e que havia muita coisa sobre a qual teria de falar. O problema concreto que se discutia aqui era o da situação dos jornalistas, do contrato em causa e, indirectamente, o das repercussões que a situação em que vivem os jornalistas tem nos órgãos de comunicação social e na sua independência.
É óbvio que a Sr.ª Deputada aproveitou para fazer unia crítica à Radiotelevisão Portuguesa que eu subscrevo a 80 %, ou mesmo a 90 %. Todavia,