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3 DE ABRIL DE 1985

A instalação de vários organismos de apoio à agricultura e definidores da economia regional, entre os quais é de destacar a Casa do Douro, a importância económica dominante e decisiva no desenvolvimento alto-duriense e nacional através dos seus vinhos de inigualável qualidade e valor, a riqueza proveniente dos mais diversos produtos agrícolas, especialmente a fruticultura, produto dos ricos vales das imediações, indústrias de minérios, de subprodutos vínicos e de produção energética, fazem de Peso da Régua, para além da enorme importância económica actual, um dos mais prometedores e decisivos pólos de desenvolvimento regional e nacional, de que o nosso país tanto carece.

De situação geográfica privilegiada, no coração do Alto Douro, no sopé de encostas que, bordejando o rio, sobem em socalcos xistosos dispostos em anfiteatro e recobertos de densos vinhedos, tornando-se ponto turístico do maior interesse com quadros de aliciante beleza e cor, correndo mundo com vistas de São Leonardo de Galafura ou rabelos de velas enfunadas e carregadas do precioso néctar.
Devido ao acidentado dos seus terrenos, desde sempre a falta de meios de transporte adequados ao escoamento dos seus produtos foi determinante no protelamento do seu desenvolvimento mais acelerado.
Foi durante muitos anos, o rio Douro, a saída única para as suas riquezas naturais e meio de locomoção para as suas gentes.

Há cerca de um século, o comboio apareceu como a solução ideal para o problema dos transportes, ainda hoje e apesar da natureza da via única que o serve, é um dos elementos mais importantes na complementaridade dos factores de riqueza e promoção regionais existentes. Mas, a necessidade de se criarem novos e diferenciados meios de locomoção, aliados ao aproveitamento de condições físicas naturais explicam a importância que a navegabilidade do Douro, cujo o projecto está em adiantada fase de execução, virá a ter na globalidade e eficácia das acções que determinarão um decisivo desenvolvimento concordante com os legítimos interesses dos Alto-Dorienses.

As infra-estruturas de apoio à navegabilidade do Douro, nomeadamente o Porto fluvial, aliadas às condições já existentes e que fazem da Régua o mais importante centro económico do sul do distrito de Vila Real, nó rodoviário de acesso da região transmontana ao sul do país, nó ferroviário com grande movimentação de pessoas e bens e,possivelmente, o futuro nó fluvial mais importante de todo o Douro navegável, exigem transformações e alterações estruturais racionalizadas de acordo com os condicionalismos e as expectativas que tal desenvolvimento adivinha.

Sr. Presidente, Srs. Deputados: Actualmente a única ligação rodoviária entre as duas margens do Douro,ligando Peso da Régua à margem esquerda do mesmo rio, é feita através de uma ponte muita estreita, que não possibilita sequer o cruzamento de duas viaturas de porte médio. Esta ponte foi projectada e construída com vista à ligação ferroviária da Régua a Lamego, que não se chegou a concretizar, tendo sido adaptada para o tráfego rodoviário.

A construção do porto fluvial na margem esquerda do rio Douro, em frente à Régua, virá trazer um movimento de tráfego, especialmente provocado pelo transporte de inertes, que poderá exigir uma ligação ferroviária entre a actual estação de caminhos-de-ferro e o futuro porto fluvial.ªActual ponte teria, assim, as condições ideais para dar concretização a este projecto e solucionar os problemas de transporte ferroviário decorrentes da navegabilidade do Douro e que os necessários, profundos e morosos estudos definirão.

A intensidade de tráfego rodoviário que actualmente se dirige da região transmontana e alto-duriense para sul, tem na ponte da Régua o seu estrangulamento principal pelas características já apontadas.
Tal estrangulamento exigirá que, rapidamente, se proceda aos estudos necessários e convenientes no sentido de se dotar Peso da Régua de uma nova ponte rodoviária, com ligação à actual marginal da mesma vila que deverá ser continuada até à saída do Salgueiral dando-se, assim, o escoamento necessário ao tráfego que se dirige, quer para o Porto e litoral norte, quer para Lamego e sul do País.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Citando João de Araújo Correia, insigne escritor, jornalista, médico e antropólogo reguense que à sua terra e às suas gentes dedica muito da sua vasta obra literária:

A Régua é linda. Em dias soalheiros, vista de longe, do alto desses montes que a circundam, à beira da água, faiscante de jóias, é princesa.

Em homenagem a Araújo Correia como expoente máximo da integridade de português e alto-duriense, solicito a esta Assembleia da República que seja atribuída à vila de Peso da Régua a dignidade de cidade. Todas as condições estão criadas, dependendo somente da vontade deste órgão de soberania agendar e aprovar os projectos de lei que lhe darão cabimento.
Para que a futura cidade de Peso da Régua possa contribuir decisivamente para o relançamento económico da região e consequente recuperação do País, há que lhe conceder os meios necessários à tarefa ingente