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18 DE DEZEMBRO DE 1998 1087

trabalho de investigação nestes manuscritos; as fotografias, com o acordo dos outros legatários, serão depositadas na Fototeca de Lisboa; o conjunto de bens sobre o cinema irá para a Cinemateca Nacional.
Portanto, foi dado o destino compatível com a natureza das coisas, para que as mesmas não fiquem em caixotes. Sabendo-se que, em Portugal, de vez em quando, ainda se encontram bens de Fernando Pessoa em caixotes, sabendo-se que, em Portugal, fotografias de vultos conhecidos são utilizadas, depois da sua morte, para fazer rentáveis fotobiografias, penso que a entrega destes bens, pertencentes a uma mulher tão desprendida como era a Natália mas que tão importante foi para a nossa cultura, à entidade pública, dão-nos a certeza de que qualquer cidadão poderá vir a conhecê-los e a consultá-los e é a melhor forma de respeitar Natália Correia.
Sr. Presidente, sei que estou a ultrapassar o tempo que me foi concedido, mas quero terminar deixando três sugestões: em primeiro lugar, repito, estou disponível para fazer uma apresentação do trabalho da base de dados, provavelmente na 1.ª Comissão, na presença dos membros da Comissão de Educação, Ciência e Cultura que queiram participar. A minha segunda sugestão dirige-se ao Sr. Presidente e à Mesa e é no sentido de que admitam a possibilidade da publicação das intervenções parlamentares de Natália Correia, já que elas representam uma parte importante da sua vida que nunca foi publicada em livro. Finalmente - e todos os grupos parlamentares têm disso conhecimento, pois há uma ideia nesse sentido -, a minha terceira sugestão é no sentido de que se coloque um busto de Natália Correia nesta Casa.
Apesar de termos nesta Sala seis mulheres nuas a agarrar o escudo nacional e sete mulheres vestidas a representar as virtudes e a República, não há nesta Assembleia o busto de qualquer mulher conhecida, com o nome escrito por baixo, embora tenhamos, lá em cima, pintados, todos os parlamentares do século passado. Há, de facto, um desequilíbrio nesta simbólica e para a reequilibrar seria bom que se desse um primeiro passo. E a Natália podia ser esse primeiro passo.
Deixo-vos com os versos dela, que são, provavelmente, o mais importante de tudo isto. Disse ela nos seus Sonetos Românticos:

De em muito amor arder foi minha arte/Em meus versos tomais a vossa parte.

Aplausos gerais.

O Sr. Presidente (Manuel Alegre): - Sr. Deputado Guilherme Silva, pede a palavra para que efeito?

O Sr. Guilherme Silva (PSD): - Sr. Presidente, é para, sob a forma de pedido de esclarecimento, dirigir uma palavra à Sr.ª Deputada Helena Roseta, simultaneamente de homenagem a ela própria e à falecida Deputada e escritora Natália Correia. E quero fazer essa referência porque a Sr.ª Deputada Helena Roseta prestou um serviço, simultaneamente, à memória da Deputada e escritora Natália Correia - devido, aliás -, ao Parlamento, na medida em que a falecida escritora Natália Correia foi uma ilustre Deputada desta Casa, e também a Portugal, na medida em que impediu, como, infelizmente, tantas vezes acontece, que um espólio importante da escritora e Deputada Natália Correia caísse em mãos menos capazes, garantindo que, em parte, esse espólio regressasse às suas origens - neste caso, a Ponta Delgada -, perdurando e sendo acessível a todos quantos queiram conhecer, estudar e aprofundar o que ela nos deixou, que é muito.
Como, infelizmente, é cada vez mais raro encontrar pessoas com a disponibilidade e o empenho que a Sr.ª Deputada Helena Roseta revelou e de que nos deu aqui conta, queria, em meu nome pessoal e em nome da bancada do PSD, associar-me mais uma vez a esse seu gesto e pedir que todos comungássemos deste espírito de homenagem à Natália Correia e também, porque merecida, à Sr.ª Deputada Helena Roseta, pelo que fez pelo Parlamento, pela Natália Correia e por Portugal.

Aplausos gerais.

O Sr. Presidente (Manuel Alegre): - Tem a palavra o Sr. Deputado Manuel dos Santos.

O Sr. Manuel dos Santos (PS): - Sr. Presidente, ainda sob a forma de um pedido de esclarecimentos à Sr.ª Deputada Helena Roseta, quero usar da palavra em representação da minha bancada e da direcção do meu grupo parlamentar.
A falecida Deputada Natália Correia está permanentemente no meu espírito e na minha lembrança com alegria, porque aqueles de quem gostamos muito, mesmo quando desaparecem da nossa intimidade, continuam a estar presentes com alegria na nossa intimidade.
Quero agradecer à Helena Roseta, até porque acompanhei o trabalho ciclópico que ela desenvolveu, tendo, várias vezes, trocado impressões comigo. Aliás, ela pediu-me várias vezes para a ajudar e penalizo-me por não o ter conseguido fazer, mas ela conhece as razões pelas quais me dispersei por muitos assuntos. De qualquer modo, penso que esta Câmara, a cultura portuguesa e a memória de Natália Correia ficam a dever algo de inestimável e de incalculável à tarefa que a Sr.ª Deputada Helena Roseta desenvolveu. Como tal, em nome do Grupo Parlamentar do Partido Socialista e em meu nome pessoal, gostaria de agradecer esse grande esforço.
Ainda em nome da bancada do Partido Socialista, gostaria de dizer que iremos efectuar todas as diligências no sentido de que rapidamente sejam concretizadas as propostas que a Sr.ª Deputada Helena Roseta nos apresentou. Da nossa parte, damos total aquiescência às propostas que foram feitas, mas, mais do que isso, estamos disponíveis para desencadear os processos políticos e administrativos necessários para que essas propostas se transformem em actos, uma vez que são actos de justiça em relação a uma pessoa notável, que foi amiga de muitos de nós e que, repito, todos recordamos com muita alegria e com muita saudade, que vi no nosso convívio e no nosso dia-a-dia e que deixou nas letras e na cultura portuguesa uma obra que é um testemunho, não tanto da capacidade e sensibilidade - e a Helena vai ter de me desculpar - da intervenção de uma mulher na cultura portuguesa, porque acho que não foi só isso que a diferenciou do comum dos mortais, mas de uma pessoa com elevado sentido moral e estético e, sobretudo, com uma disponibilidade e uma alegria de viver que todos nós recorda» mos com muita saudade.
Muito obrigado, Helena Roseta, pelo trabalho que fizeste. Tens o nosso total apoio e a nossa total solidariedade.

Aplausos do PS.

O Sr. Presidente (Manuel Alegre): - Tem a palavra a Sr.ª Deputada Odete Santos.