43 | I Série - Número: 017 | 7 de Novembro de 2008
crescimento nominal do PIB e o crescimento da receita fiscal.
Portanto, penso que essa observação do Sr. Deputado não tem grande consistência, não tem grande fundamento.
Quanto à questão do IVA, sejamos claros: esse regime sancionatório do IVA que refere, e contra o qual se insurge, é um regime que existe desde que o IVA existe. Esse regime sempre existiu! O Supremo Tribunal Administrativo, com a sua sentença, introduziu no nosso quadro normativo uma dúvida e, portanto, introduz aqui uma questão de incerteza jurídica, que há que clarificar.
Protestos do Deputado do CDS-PP Paulo Portas.
Não! É a favor de um regime, que sempre esteve em vigor e que, de facto, é um regime que faz com que as pessoas cumpram as suas obrigações fiscais.
O Sr. Paulo Portas (CDS-PP): — Não é verdade!
O Sr. Ministro de Estado e das Finanças: — É que há uma diferença entre nós os dois, Sr. Deputado. É que eu estou aqui preocupado e quero defender os contribuintes cumpridores; pelo que vejo, o Sr. Deputado quer defender os contribuintes incumpridores, está preocupado com os incumpridores!
O Sr. Paulo Portas (CDS-PP): — Não é verdade!
O Sr. Ministro de Estado e das Finanças: — Nós temos que ter um sistema que não fomente o incumprimento, que não desresponsabilize o incumprimento, e o que o Sr. Deputado está a propor é que desresponsabilizemos o incumprimento das obrigações fiscais, nos termos em que elas têm vindo a ter de ser cumpridas pelos contribuintes.
Vozes do PS: — Muito bem!
O Sr. Ministro de Estado e das Finanças: — Sr. Deputado João Semedo, no Serviço Nacional de Saúde não há subfinanciamentos.
Desde 2005 até agora, o Serviço Nacional de Saúde tem vindo a ser dotado dos meios orçamentais necessários para levar a cabo a sua missão. Tanto assim é que, contrariamente àquilo que tínhamos no passado, nunca foi necessário recorrermos a Orçamentos rectificativos para corrigir o Orçamento por problemas na área da saúde.
Recordo que grande parte dos Orçamentos rectificativos, na nossa história orçamental, ao longo destas últimas décadas, se deveu a problemas de subfinanciamento na saúde, o que deixou de existir a partir de 2005.
As dívidas vencidas do sector da saúde, ao abrigo do programa de regularização de pagamentos que o Governo anunciou no início desta semana, serão regularizadas até ao fim do ano. Na área da saúde, iremos regularizar as dívidas vencidas.
Quanto ao regime de consolidação das contas, Sr. Deputado, não há razão para alterar a forma como as contas do sector da saúde têm vindo a ser tratadas. Temos, por um lado, uma realidade, que é a dos hospitais EPE, e, por outro, a realidade do SNS, com hospitais que não são hospitais EPE. A relação financeira entre o SNS e os hospitais EPE é clara: há um financiamento, feito pelo SNS, aos hospitais EPE, na base de contratos-programa.
O Sr. Eugénio Rosa (PCP): — Não, não! Está no relatório do Tribunal de Contas!
O Sr. Ministro de Estado e das Finanças: — É isto que está feito e é claro!
Aplausos do PS.