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I SÉRIE — NÚMERO 58

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O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Exatamente!

O Sr. Jorge Machado (PCP): — Enquanto cortam nas reformas de 400 € ou 500 €, para a banca vão 12

000 milhões de euros para «ajudar» e largos milhões de euros em benefícios fiscais.

Enquanto o Governo distribui sacrifícios para os reformados, à EDP distribui milhões em salários para ex-

ministros do PSD e do CDS.

O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Exatamente!

O Sr. Jorge Machado (PCP): — Veja-se o caso de Eduardo Catroga, ex-ministro do PSD, e Celeste

Cardona, ex-ministra do CDS, gestores de topo que, pelos vistos, até na China são conhecidos.

A justificação de Eduardo Catroga para o seu salário milionário é um escândalo. Diz: «Quanto mais ganhar,

maior é a receita do Estado com o pagamento dos meus impostos, e isso tem um efeito redistributivo para as

políticas sociais.»

O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Não tem vergonha!

O Sr. Jorge Machado (PCP): — Este salário é cem vezes superior ao que os reformados com 445 €, atrás

referidos, recebem.

Mas não satisfeito com a justificação do seu milionário salário, Eduardo Catroga responde que, tal como no

futebol, tal como o Cristiano Ronaldo, este salário é ditado pelo seu valor de mercado.

Importa referir que Eduardo Catroga participou nas negociações com a troica, que determinaram a

privatização da EDP. A recompensa é um salário anual 639 000 €, ou seja, 45 000 € por mês.

Mas não ficamos por aqui: entre muitas outras empresas e organismos do Estado, também na empresa

Águas de Portugal sucedem-se as nomeações. O presidente da Câmara Municipal do Fundão e um vice-

presidente da Câmara Municipal do Porto foram nomeados para a Águas de Portugal — um PSD outro CDS,

porque nesta matéria a divisão é feita irmãmente.

Recorde-se que Passos Coelho afirmou, durante a campanha eleitoral: «Eu não quero ser primeiro-ministro

para dar empregos ao PSD».

Importa, por fim, referir que enquanto os reformados passam dificuldades, enquanto se corta nas

prestações sociais, enquanto se ataca os trabalhadores, dizendo que estamos a viver tempos difíceis, dizendo

que não há dinheiro, o Governo considera, nas palavras do Primeiro-Ministro, difícil intervir na deslocalização

fiscal do Grupo Pingo Doce para o offshore da Holanda.

Para o Governo, cortar em reformas de miséria é fácil e rápido, mas impedir a fuga aos impostos dos

grandes grupos económicos, impor justiça fiscal é difícil, é preciso estudar, é preciso avaliar para nada fazer.

O Sr. João Oliveira (PCP): — É uma vergonha!

O Sr. Jorge Machado (PCP): — Fica assim provado que o Governo ataca quem menos pode e quem

menos tem — os reformados e os trabalhadores —, para deixar intocados os grandes grupos económicos para

que estes possam fugir legalmente aos impostos e assim juntar mais milhões aos milhões de euros que já têm.

Para o PCP, é urgente e necessário suspender imediatamente todo este processo injusto e inaceitável de

fazer pagar os reformados e beneficiários de prestações sociais por um erro que não é da sua

responsabilidade.

São estas as injustiças que importam denunciar! É contra estas injustiças que importa lutar!

Aplausos do PCP.

A Sr.ª Presidente: — Inscreveram-se dois Srs. Deputados para pedir esclarecimentos.

Em primeiro lugar, tem a palavra a Sr.ª Deputada Mariana Aiveca.