I SÉRIE — NÚMERO 116
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fatores de conflito entre Estados, devendo, por isso, ser gerida em função de necessidades objetivas e não de
interesses empresariais, Os Verdes propõem:
Em primeiro lugar, a defesa da gestão pública da água, designadamente garantindo que os sistemas
associados ao abastecimento e saneamento se mantenham na esfera pública;
Em segundo lugar, que as entidades que fazem a gestão dos sistemas de abastecimento e saneamento
sejam sempre total ou maioritariamente públicos;
Em terceiro lugar, que qualquer alteração que seja introduzida nos modelos de gestão da água não ponha
em causa as competências das autarquias locais nesta matéria;
Em quarto lugar, a garantia do acesso universal das populações ao abastecimento de água e a sistemas de
saneamento;
Em quinto lugar, que os modelos de gestão da água visem, de forma prioritária, a preservação deste
recurso, nomeadamente impedindo a degradação da sua qualidade na origem, evitando, assim, elevar custos
de tratamento;
Em sexto lugar, que os modelos de gestão da água sejam eficientes e permitam que o custo da água seja o
mais baixo possível, refletindo-se na menor tarifa possível;
Em sétimo lugar, a garantia de que as tarifas da água sejam socialmente justas, ajustadas à capacidade
que as famílias detêm, de modo a que ninguém fique privado do acesso à água por razões económicas;
Finalmente, em oitavo lugar, que seja implementado com urgência o Programa Nacional para o Uso
Eficiente da Água, que nenhum Governo ainda teve vontade política de implementar, e que a Assembleia da
República conheça trimestralmente, por via do Governo, a sua fase de implementação.
Mas como as Sr.as
e os Srs. Deputados sabem, no próximo mês decorrerá a Conferência Rio+20, Os
Verdes fazem aqui uma chamada de atenção muito particular para o facto de a água ser uma matéria
justamente debatida nesta Conferência.
Importa que a reflexão que aí se fará se sustente na resolução da Assembleia das Nações Unidas
justamente sobre o direito humano à água e não nas sucessivas tentativas do Conselho Mundial da Água,
liderado por empresas multinacionais, como a Générale des Eaux ou a Lyonnaise des Eaux, para excluir esse
reconhecimento, dando-lhe, antes, um caráter economicista, procurando a mercantilização da água, quantas
vezes sob um rótulo altamente aliciante, que é o de «economia verde», mas que engana — e engana muito!
Por isso mesmo, Os Verdes recomendam ainda que o Governo português proponha e apoie, na
Conferência Rio+20, a Resolução da Assembleia das Nações Unidas sobre o direito humano à água e ao
saneamento, e que o Governo português, nessa mesma Conferência, se oponha terminantemente a qualquer
tentativa de se imporem mecanismos de mercantilização e de privatização da água.
É com este detalhe que está apresentado o projeto de resolução.
A Sr.ª Presidente: — Inscreveram-se, para pedir esclarecimentos, os Srs. Deputados Renato Sampaio e
Paulo Sá.
Tem a palavra o Sr. Deputado Renato Sampaio.
O Sr. Renato Sampaio (PS): — Sr.ª Presidente, Sr.ª Deputada Heloísa Apolónia, saudamos esta iniciativa
do Partido Ecologista «Os Verdes». Contudo, quero dizer-lhe que a Sr.ª Deputada não resistiu à tentação de
considerar, mais uma vez, o PS como um dos seus inimigos principais. E quando a senhora sabe que, para o
PS, a água foi sempre…
O Sr. Paulo Sá (PCP): — Um negócio!
O Sr. Renato Sampaio (PS): — … uma prioridade na sua agenda política.
Foi assim quando, na Presidência portuguesa da União Europeia, em 2000, aprovámos, por iniciativa de
um Governo socialista, a Diretiva-Quadro da Água
Foi assim, por iniciativa de um Governo do PS, em 2005, que esta Assembleia aprovou, por uma ampla
maioria, a Lei-Quadro da Água e a Lei da Titularidade dos Recursos Hídricos.
Foi assim, ainda, por iniciativa do Grupo Parlamentar do Partido Socialista, quando alterámos a Lei n.º
23/96, introduzindo a recolha e tratamento de águas residuais como um serviço público essencial.