I SÉRIE — NÚMERO 38
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Mas, em primeiro lugar, a Sr.ª Deputada precisa de realizar que, podendo o Estado ter empresas públicas,
não está, no entanto, obrigado a ter apenas empresas públicas para realizar ou acautelar serviço público. Há
um contrato de serviço público nos CTT que terá de ser cumprido, em qualquer circunstância — com os CTT
na mão do Estado ou na mão de privados — e há regulação sobre essa matéria.
Portanto, Sr.ª Deputada, o que o Governo fez, de acordo com o que estava programado — e estava
programado há bastante tempo, nomeadamente, desde o início do nosso mandato —, era uma operação de
privatização que pudesse acrescentar valor ao Estado, diminuindo a sua dívida. Ora, foi isso que aconteceu
nesta operação. Durante muito tempo, tudo o que era avaliação de especialidade apontava para valores
consideravelmente mais baixos do que aqueles que o Governo veio a fixar. E o Governo fixou o limite superior
da avaliação, porque estávamos convencidos de que ela seria justa. Ainda assim, Sr.ª Deputada, a valorização
que os títulos tiveram no mercado, subsequentemente, está dentro de padrões normais e o que seria de
preocupar era o inverso: que o Estado se tivesse apropriado de mais valor do que verdadeiramente pudesse
ser reconhecido pelo mercado e de que o mercado afundasse, por depois descobrir que, afinal, a operação
não tinha sido o sucesso que se pretendia.
Mas seria embaraçoso que houvesse uma valorização excessiva. Creio, Sr.ª Deputada, que é cedo para
tirar conclusões dessa natureza. Posso-lhe dizer, por exemplo, que, no caso do Reino Unido, a valorização
subsequente à venda de títulos do Royal Mail, a seguir à privatização foi significativamente superior à
valorização que tem vindo a ser registada ao nível dos CTT.
Mas cá estaremos para continuar a observar o comportamento das ações e espero, sinceramente, que
esse comportamento possa ser positivo.
Aplausos do PSD e do CDS-PP.
O Sr. Presidente (Guilherme Silva): — Tem a palavra a Sr.ª Deputada Catarina Martins.
A Sr.ª Catarina Martins (BE): — Sr. Presidente, Sr. Primeiro-Ministro, reparo que não respondeu à minha
pergunta. Não respondeu como é possível que a empresa tenha valorizado de 5 para 7 por ação, num mês.
Mais: reparo que, quando é o Estado que perde dinheiro, para o Sr. Primeiro-Ministro está tudo bem,
porque para os mercados está tudo bem. Reparo, Sr. Primeiro-Ministro, que nas privatizações que fez dessas
empresas estratégicas, lucrativas — ANA, REN, EDP, CTT, Caixa Seguros —, só em 2014, o Estado poderia
ter arrecadado 425 milhões de euros de dividendos, dividendos que o seu Governo decidiu entregar aos
privados. Quanto mais perde o Estado, mais contente está o seu Governo.
Sr. Primeiro-Ministro, perguntámos-lhe sobre o País, sobre o que ganha o País com os seus sucessos ou
sobre o que perde e constatei que hoje, ao longo de todo o debate, em que se falou sobre saúde, sobre aquela
área em que se tinha dito «Pode cortar-se!», o seu Governo foi afirmando que pode cortar-se nos orçamentos
do Serviço Nacional de Saúde, da escola pública ou dos serviços públicos, que pode despedir-se funcionários
públicos. Tudo pode fazer-se assegurando que nada de mal acontece.
Pois o Serviço Nacional de Saúde diz-nos que isso é mentira. É a rutura nas urgências; é o caso das
colonoscopias, em que os atrasos são fatais; é a diferença entre a vida e a morte das pessoas; são os casos
que se avolumam da falta de resposta.
E, Sr. Primeiro-Ministro, quando lhe perguntamos pelos utentes, não nos responda com os credores. Sr.
Primeiro-Ministro, fale da vida das pessoas. Se está tudo tão bem, como é que as listas de espera para
cirurgias, exames e consultas estão a crescer?!
Sr. Primeiro-Ministro, o Serviço Nacional de Saúde vai ter mais orçamento no Orçamento retificativo para
poder responder ao que as pessoas precisam?
Aplausos do BE.
O Sr. Presidente (Guilherme Silva): — Para responder, tem a palavra o Sr. Primeiro-Ministro.
O Sr. Primeiro-Ministro: — Sr. Presidente, Sr. Deputada Catarina Martins, gostaria de rematar a questão
da privatização dos CTT para lhe dizer que a Sr.ª Deputada, por várias vezes, referenciou o desastre que