18 DE JUNHO DE 2015
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propõem já foram objeto de outras propostas que Os Verdes apresentaram. Portanto, temos todo o gosto em
votar favoravelmente este projeto, que consideramos crucial para a fase que o País está a atravessar.
Sr.ª Deputada, julgo que temos a responsabilidade de acabar com esta falácia que, agora, está
permanentemente na boca do Governo, que é esta ideia de que não há dinheiro: «não há dinheiro para nada»;
«não podemos fazer, porque não há dinheiro»; «nós tivemos um programa tão rigoroso e não há dinheiro!»
Sr.ª Deputada, então, devemos perguntar-nos: se o País está nessas condições, a que propósito é que
perdemos tantos e tantos milhões e milhões de euros a dar benefícios fiscais à banca, coisa que o Governo,
durante todo o seu mandato, continuou a fazer, até há pouco tempo, relativamente à matéria do Novo Banco?!
Sr.ª Deputada, que condições temos nós, se não há condições económicas e financeiras no País, para dar
«de bandeja» tanto dinheiro ao sistema financeiro?!
Se não temos essas condições — o Governo diz «não há dinheiro, não há dinheiro!» —, porque é que
vamos acabar com a contribuição do setor energético, que dá ao País qualquer coisa como 150 milhões de
euros anuais?! Qual é lógica?! Vamos perder «de bandeja» este contributo que o setor energético dá, quando
só a EDP tem lucros anuais de mais de 1000 milhões de euros?! Isto é uma coisa perfeitamente
incompreensível!
Então, aquilo que é importante os portugueses perceberem é que há dinheiro, sim, senhor, só que ele é
canalizado para onde o Governo quer, e não é, naturalmente, para os portugueses e para gerar qualidade de
vida aos portugueses. Ou seja, a redistribuição do dinheiro que há está a ser feita de uma forma
absolutamente injusta.
Sabe aquilo em que acredito, Sr.ª Deputada? Julgo que o Governo não quererá canalizar muitas condições
para os portugueses porque tem também, ideologicamente, o paradigma de habituar os portugueses a um
determinado nível de pobreza, habituar os portugueses a não serem muito ambiciosos, no progresso social,
para poder continuar a dar aos grandes grupos económicos e financeiros, a servir aqueles que está, de facto,
a servir e para continuar a apregoar que a miséria que vai pelo povo e a pobreza que alastra ao povo é uma
inevitabilidade.
Não é inevitabilidade coisíssima nenhuma, e nós sabemos disso, Sr.ª Deputada! Sabemos que é uma
opção governativa. O Governo deixou as pessoas para o último lugar.
O Primeiro-Ministro foi muito claro ao dizer que cumpriria o Programa «custe o que custar»! Mas, Sr.ª
Deputada, antes, em campanha eleitoral, tinha dito aos portugueses que tinha as contas maravilhosamente
bem feitas e que sabia que, com o programa da troica, não haveria sequer necessidade de aumentar impostos
e de cortar salários. Isto foi mentir, foi mentir de uma forma absolutamente descarada!
E, agora, continua a mentir, criando uma ilusão sobre a realidade do País, dizendo, designadamente, que
há muita coesão social, que não há mais desigualdade social ou, até, que os níveis de emigração não foram
grande coisa, comparados com outros anos. Isto é, de facto, absolutamente vergonhoso!
Sr.ª Deputada, aquilo para que gostava de chamar a atenção é, de facto, para a nossa responsabilidade,
que também a temos, no sentido de alertar os portugueses para estas mentiras rotundas e para uma
verdadeira aproximação à realidade. E a verdadeira aproximação à realidade faz-nos, se somos humanos,
combater a pobreza.
O Sr. Presidente (Guilherme Silva): — Para responder, tem a palavra a Sr.ª Deputada Catarina Martins.
A Sr.ª Catarina Martins (BE): — Sr. Presidente, Sr.ª Deputada, obrigada pelo seu pedido de
esclarecimentos.
Subscrevo o que disse e julgo que talvez seja bom lembrar, até, dois dados: um é que um dos grandes
problemas, neste momento, de muitas famílias é poder pagar a conta da luz. E há tantas casas com a luz
cortada, numa altura em que, privatizada a energia, a energia subiu 30%, e os dividendos, o lucro que a
energia dava, em vez de estar no País, está a ir todo, todo, todo para o estrangeiro. Portanto, há mais pobres
cá dentro e há tanto dinheiro a sair de Portugal.
O outro dado que queria referir é sobre este problema do «não há dinheiro», da duplicidade da direita. A
Associação Portuguesa de Bancos publica estatísticas que o Governo não costuma publicar, e é pena; uma
delas, interessante, mostra que, em 2010, os apoios públicos à banca rondavam os 3% do PIB e, em 2014,