13 DE DEZEMBRO DE 2017
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que é exemplar para muitos, dentro e fora de Portugal, ainda que muitos não gostem do modelo laboral da
Autoeuropa.
Vozes do CDS-PP: — Muito bem!
O Sr. Pedro Mota Soares (CDS-PP): — Ora, em 2014, quando o anterior Governo anunciou que se tinha
conseguido trazer para Portugal um novo contrato de investimento para uma nova linha de montagem —
estávamos a falar de cerca de 700 milhões de euros de investimento, algo que podia representar a contratação
de 1500 novos postos de trabalho, quase a duplicar as exportações da fabrica de Palmela —, o que
verdadeiramente se tratou foi trazer para Portugal mais uma Autoeuropa, pela importância que esta fábrica tem
para o nosso País.
Este investimento é, de facto, vital para Portugal. Este investimento garante que Portugal terá uma presença
no setor automóvel, um setor que está em rápida transformação, e que essa presença se manterá nas próximas
décadas.
Vozes do CDS-PP: — Muito bem!
O Sr. Pedro Mota Soares (CDS-PP): — Este investimento garante que cerca de 100 empresas portuguesas
— empresas qualificadas, empresas com muita inovação e desenvolvimento, empresas fornecedoras da
Autoeuropa — podem manter a sua capacidade produtiva. Este investimento garante a possibilidade de criarmos
e de mantermos 1500 postos de trabalho adicionais.
Mais: este investimento, muitas vezes, é um referencial, dizendo que Portugal pode ser um país estável,
fiável, confiável para o investimento estrangeiro.
Neste momento, é isto que está em risco. Neste momento, são estes valores que estão a ser postos em
causa, única e exclusivamente por uma guerrilha político-partidária que põe à frente do interesse nacional o
interesse interno de alguns partidos políticos desta Câmara.
Aplausos do CDS-PP.
Protestos do BE e do PCP.
É a fábrica e o investimento que podem sair e não somos nós que o dizemos: é o representante da comissão
de trabalhadores, que teme que a produção do novo modelo possa ir para outras fábricas do grupo, fora de
Portugal; é o Ministro do Trabalho, que nas horas vagas também tem de assumir a pasta da economia, que
afirma que este impasse põe a empresa em risco; é o próprio Presidente da República, que já fez um apelo à
paz social na empresa, com tudo o que isso representa.
A Autoeuropa, por irresponsabilidade de alguns agentes políticos, não pode ter o mesmo fim que a Opel da
Azambuja teve: fechar as portas e partir para outras latitudes.
O Sr. Bruno Dias (PCP): — Mas assinaram o acordo!
O Sr. Pedro Mota Soares (CDS-PP): — É isso que pode estar em risco de acontecer e as consequências
para Portugal seriam graves demais.
É por isso que daqui fazemos um apelo muito veemente ao Governo e aos partidos que o suportam, o Partido
Socialista, o Partido Comunista, o Bloco de Esquerda e Os Verdes: não usem a situação laboral da Autoeuropa
para ter avanços ou recuos no acordo com o Governo, isso seria totalmente irresponsável; não instrumentalizem
uma empresa e os seus trabalhadores…
Protestos do BE e do Deputado do PCP Miguel Tiago.
… numa altura em que está em causa o futuro de um investimento de mais de 700 milhões de euros, capaz
de duplicar a sua capacidade produtiva, pois isso seria atentar contra os interesses nacionais; não ponham em