26 DE JANEIRO DE 2018
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Em primeiro lugar, gostaria de cumprimentar o Governo português, na pessoa do Ministro Pedro Marques,
pelo sucesso das políticas públicas deste Governo e por aquilo que têm sido as expectativas, sempre excedidas,
no pagamento às empresas.
O Plano 100, que o Governo apresentou para os primeiros 100 dias de governação, foi ultrapassado e foram
pagos, desde logo, mais de 100 milhões de euros às empresas portuguesas, assim como aconteceu com o
«plano 450» e o «plano 1000». Ou seja, as políticas públicas tinham sucesso e a economia nacional servia-se
bem desse sucesso das políticas públicas.
A resposta positiva da economia nacional não pode parar. O Governo tem de continuar a alimentar estas
políticas e a dar corpo à ansiedade da economia nacional em investir, em produzir, em criar riqueza e em criar
emprego.
Na verdade, temos um grande desígnio, o de acabar com as lacunas que Portugal tem, lacunas de coesão
territorial que ainda grassam no nosso País e que desgraçam, muitas vezes, algumas das nossas regiões. É por
isso que, de forma simples, pergunto ao Governo que medidas pretende implementar, não só para o próximo
Quadro Comunitário de Apoio mas também para o que resta deste, porque as medidas que VV. Ex.as
apresentarem serão sempre em benefício da nossa economia, como têm sido exemplo disso as que têm
vigorado.
Por último, quero dizer que o Partido Socialista estará sempre disponível para o debate. Disponível para
concertar o que houver a concertar com quem connosco também estiver disponível, porque nós quando
apresentamos como proposta a criação de uma comissão eventual para debatermos em conjunto as prioridades
de crescimento e as prioridades do País fazemo-lo com sentido de responsabilidade e apostados no futuro do
País. Ao invés, as duas últimas comissões que foram apresentadas e propostas à Assembleia da República
apenas tinham como motivo descredibilizar o banco público nacional, a Caixa Geral de Depósitos.
Aplausos do PS.
O Sr. Presidente: — Para pedir esclarecimentos, tem a palavra o Sr. Deputado Paulino Ascenção.
O Sr. Paulino Ascenção (BE): — Sr. Presidente, Sr. Ministro, começo por saudar o Partido Socialista por
trazer este tema à Assembleia da República e por sublinhar o facto de, nesta apresentação do Programa 2030,
ter sido reconhecido que o processo de convergência na União Europeia, que existiu, se inverteu com a adesão
ao euro. E isto não é, obviamente, uma coincidência.
Portanto, é significativo que esse reconhecimento seja feito e, posteriormente, vem identificado como uma
das condicionantes para a convergência, só não encontramos, nesta apresentação, uma resposta direta para
este constrangimento, mas estamos prontos para fazer esse debate, quando o Governo e o Partido Socialista
entenderem.
O Sr. Ministro destacou também o bom historial dos índices de execução dos fundos comunitários, até foi o
primeiro a fazê-lo. Ora, quantidade não é qualidade e um outro aspeto que também é comummente reconhecido
pelos economistas é a má qualidade do investimento para o qual foram canalizados os fundos estruturais ao
longo dos anos, através dos diversos quadros comunitários dos vários governos. Ou seja, a opção pelo betão e
por atividades não reprodutivas que não geram bens transacionáveis que conduziram a investimentos privados
em áreas especulativas estão na raiz dos problemas sérios que o País enfrenta neste momento, que são a
dívida e a emigração, a pobreza e o desemprego mas que, felizmente, estão a atenuar-se no presente.
Um outro aspeto foi o da canalização de fundos para a formação. Floresceu o negócio da formação
profissional, mas isso não impediu, infelizmente, que voltassem a ser identificadas neste quadro, como
constrangimentos, a baixa qualificação dos portugueses e a dificuldade na transição para o modelo económico
baseado na qualificação e na inovação. Estas considerações visam alertar para a necessidade de haver grande
rigor na aplicação dos fundos, grande transparência e escolha criteriosa dos projetos a financiar.
O Sr. Heitor Sousa (BE): — Muito bem!