I SÉRIE — NÚMERO 46
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Esse é o grande desafio e são essas as propostas do PCP.
Aplausos do PCP.
O Sr. Presidente: — Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Ministro do Trabalho, Solidariedade e
Segurança Social, Vieira da Silva.
O Sr. Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (Vieira da Silva): — Sr. Presidente, Sr.as e
Srs. Deputados: De facto, a realidade impõe-se às interpretações baseadas nas manchetes jornalísticas. A
realidade está bem expressa nos números oficiais do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre a quantidade
e a qualidade do emprego.
Depois de termos conhecimento dos dados finais sobre o emprego em 2017, o que sabemos é que esse ano
veio confirmar e acelerar o ritmo de criação de emprego e de diminuição do desemprego a níveis que não eram
conhecidos em Portugal há muitos e muitos anos, em alguns casos desde o início das séries estatísticas do INE.
Aplausos do PS.
Trata-se de um crescimento de emprego que é superior à diminuição do desemprego, o que quer dizer que,
finalmente, estamos a trazer para o mercado de trabalho muitos que eram inativos, muito que eram inativos
desencorajados, muitos que já tinham desistido de entrar no mercado de trabalho. Esta é uma mudança
estrutural, é uma mudança de fundo que foi trazida com as novas políticas e a nova maioria que existe nesta
Assembleia.
Aplausos do PS.
É verdade que há um crescimento quantitativo do emprego, mas estaríamos enganados se limitássemos
essa mudança ao crescimento quantitativo.
É verdade também que nos dois últimos anos, em particular em 2017, diminuiu o emprego a tempo parcial,
o subemprego a tempo parcial, o trabalho por conta própria, o trabalho familiar não remunerado e outras formas
atípicas de emprego.
O Sr. HugoLopesSoares (PSD): — Está tudo ótimo!
O Sr. Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social: — Se outros números forem necessários,
basta dizer que, se é verdade que, no último ano, 78% dos contratos por conta de outrem foram contratos sem
termo, 85% de emprego criado em 2017 foi da responsabilidade do crescimento da contratação sem termo, e
esse é um dado novo nos últimos anos em Portugal.
Aplausos do PS.
É uma realidade que nenhuma primeira página de qualquer jornal pode desmentir, porque é a realidade dos
dados oficiais.
Trata-se de crescimento do emprego em quantidade e em qualidade, porque, ao contrário do que alguns
afirmam, tem crescido substancialmente o salário dos portugueses, depois de um período longo em que a
política era a de reduzir salários, congelar o salário mínimo, contrariar a contratação coletiva.
Protestos do PSD.
Os dados da segurança social são muito óbvios, são dados oficiais. São dados que perturbam a oposição,
mas são dados reais.
Continuação de protestos do PSD.