I SÉRIE — NÚMERO 56
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A PAC deve ter como objetivo central assegurar a soberania alimentar; deve assegurar o equilíbrio e a justiça
entre países, regiões, produtores e produções; deve assegurar ajudas ligadas à produção, pois ajudas sem se
produzir são um escândalo; deve retomar o caminho da regulação dos mercados; e deve garantir,
preferencialmente, os apoios à pequena e média agricultura.
O Sr. João Oliveira (PCP): — Exatamente!
O Sr. João Dias (PCP): — Como é que com menos dinheiro se vai fazer face às mesmas exigências?! Quem
vai ajudar, Sr. Ministro? Os pequenos e médios ou os grandes agricultores?
Está disponível para lutar pela reintrodução dos mecanismos de regulação dos mercados, designadamente
no leite e nas vinhas?
Assume o objetivo de alterar a lógica de distribuição dos fundos, apoiando mais a agricultura familiar, criando
programas simplificados, com dotação financeira suficiente?
Aplausos do PCP.
A Sr.ª Presidente (Teresa Caeiro): — Tem a palavra, para responder, o Sr. Ministro do Planeamento.
O Sr. Ministro do Planeamento: — Sr.ª Presidente, Sr. Deputado Mota Soares, temos de ser coerentes,
não podemos querer tudo na vida.
O Sr. Pedro Mota Soares (CDS-PP): — Isso era o que os senhores queriam!
O Sr. Ministro do Planeamento: — Quando dizemos que queremos uma Europa com maior ambição, e
Portugal acha que a Europa deve ter maior ambição, deve ter a ambição de prosseguir, certamente, as políticas
que constituem o coração da sua fundação — e, por isso mesmo, entendemos que deve preservar, a todo o
custo, a política de coesão, a política agrícola comum, que faz parte da matriz fundadora da União Europeia —
, mas também deve ter a ambição de incorporar as novas prioridades, deve ter a ambição de não dizer «não» à
integração daqueles que veem na Europa o seu último refúgio, deve ter a ambição de não dizer a si própria que
não pode deixar de querer competir na fronteira tecnológica, com todos os outros competidores, a nível
internacional, ou seja, quando aceitamos que a Europa deve ter todas estas ambições, a par da política de
coesão, naturalmente, também temos de admitir que existem necessidades de financiamento.
A Sr.ª Presidente (Teresa Caeiro): — Sr. Ministro, queira concluir, por favor, já ultrapassou o tempo de que
dispunha.
O Sr. Pedro Mota Soares (CDS-PP): — Que impostos é que vai aumentar?!
O Sr. Ministro do Planeamento: — Não se trata de aumentar impostos,…
O Sr. Pedro Mota Soares (CDS-PP): — Trata-se de aumentar impostos! Que impostos é que vai aumentar?!
O Sr. Ministro do Planeamento: — … trata-se de resolver o problema onde ele deve ser resolvido, a nível
da União Europeia, porque o problema é da União Europeia, não é de Portugal.
Aplausos do PS.
O problema é do espaço económico europeu e é aí que deve ser resolvido.
A Sr.ª Presidente (Teresa Caeiro): — Muito obrigada, Sr. Ministro.
O Sr. Ministro do Planeamento: — Sr. Deputado Bruno Dias,…