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3 DE FEVEREIRO DE 2021

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própria comunidade e vizinhança procuram soluções para garantir o auxilio a muitos idosos seja em termos de acesso à alimentação, a medicamentos, ou de uma simples palavra amiga à janela para combater a solidão, a verdade é que com o primeiro desconfinamento muito do voluntarismo e das respostas das autarquias foram-se diluindo.

Atualmente milhares de idosos, praticamente confinados desde março, encontram-se sem quaisquer apoios, quando face às circunstâncias em que vivemos tal auxílio se torna ainda mais necessário. A situação não deriva meramente da pandemia, mas esta veio agravar a resposta a dar aos idosos, muitos dos quais a viver sozinhos e/ou isolados. Não raras vezes são encontrados idosos que faleceram nas suas habitações, vários dias depois de terem morrido.

No passado mês de outubro, no âmbito da operação «Censos Sénior» levado a cabo pela Guarda Nacional Republicana (GNR), operação que ocorre anualmente deste 2011, foram identificados 42 439 idosos que vivem sozinhos e/ou isolados a larga maioria nos distritos do interior do País.

O distanciamento físico levou ao distanciamento social, situação que se torna inquietante na população de idade mais avançada, nomeadamente naquela que reside sozinhos cujo suporte familiar é reduzido ou o social (centros de dia, relações de vizinhança) foram muito limitadas ou mesmo interrompidas, gerando consequências físicas e mentais.

As medidas de isolamento provocadas pela pandemia de COVID-19 diminuíram de forma muito mais acelerada a autonomia, mas também as capacidades cognitivas e funcionais dos idosos que não vivem em lares, com aumentos drásticos das queixas de perda de memória, segundo um estudo da Universidade de Coimbra.

O distanciamento físico tem sido uma medida importante para diminuir o contágio, todavia não pode ser transformado e potenciado em «gueto» social agravando a solidão e na falta de apoio às suas necessidades básicas a esta população idosa mais vulnerável. Embora já haja vacinas para o vírus, ainda não foi encontrada nenhuma vacina para a solidão, pelo que a medicação continua ser a mesma ancestral, a da proximidade social.

Importa realçar que milhares de idosos são igualmente cuidadores de muitos outros, nomeadamente conjugues, que perante situações de doença e de outras adversidades deixam tais idosos dependentes desprovidos de qualquer apoio, pelo que se torna igualmente necessário repensar e criar respostas céleres perante a gravidade das situações que frequentemente ocorrem.

A pandemia teve uma série de repercussões que vão muito para além da própria doença, atingindo todos os grupos etários, em particular a população de idade mais avançada. Desde logo muitos idosos além de terem ficado sem vários tipos de apoio, por exemplo com o encerramento dos centros de dia, acabaram também por ficar ainda mais isolados devido à redução e suspensão dos transportes públicos, em particular no interior do País.

Por outro lado, derivado à falta de transportes, à redução e suspensão de horários nos centros de saúde e encerramento de extensões de saúde, muitos os idosos viram dificultado ou mesmo bloqueado acesso aos serviços de saúde, em que a relação com as unidades dos cuidados de saúde primários passaram a ser preferencialmente por telefone e por correio eletrónico o que constituiu igualmente um bloqueio não só por uma parte significativa da população idosa ser infoexcluída, mas também pelo facto das chamadas telefónicas não serem frequentemente atendidas devido à falta de meios tecnológicos e de recursos humanos.

Se na primeira vaga da pandemia, que coincidiu com a primavera as temperaturas tinham tendência para aumentar, o que se veio a verificar, as atuais medidas de distanciamento físico em pleno inverno, onde as temperaturas que se tem feito sentir têm sido extremamente baixas, faz com que muitos idosos estejam confinados em casa, por vezes com condições muito débeis de habitabilidades em particular no que se refere à falta de aquecimento que não é alheio aos custos elevados da energia (eletricidade, gás e lenha), aumentando o número de óbitos nos picos de baixas temperaturas.

Se enquanto os idosos que residem lares tem um acompanhamento permanente, muitos dos que vivem sozinhos e isolados acabam por não ter um apoio constante e efetivo pelo que é necessário criar reforçar e direcionados medidas e apoios de forma a garantir uma boa qualidade de vida aos mais velhos, evitando que a cura não se torne num outro vírus que degrade a sua saúde física e mental.

Desde logo é necessário reforçar a resposta a dar aos idosos em termos saúde, pelas unidades dos