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II SÉRIE-B — NÚMERO 36

(linha de solidas), podemos afirmar que as gotas de metal só parcialmente estavam fundidas quando caíram sobre os corpos. Para a gama de temperaturas indicada a fragmentação da liga em gotículas é extremamente difícil, exigindo uma elevada energia.

Da nossa experiência pessoal em trabalhos de investigação envolvendo a atomização de ligas aeronáuticas com atomizadores de água e dos ensaios agora efectuados, podemos afirmar que a produção de gotículas metálicas de muito pequena dimensão não seria possível com uma energia correspondente à da queda entre cotas inferiores a 1 m-2 m (espaço entre o tecto e os passageiros caídos).

Assim, a presença de gotículas microscópicas de metal só pode resultar de dois fenómenos: ou fusão associada a uma fonte de alta energia da chapa da fuselagem ou fragmentação prévia da mesma em pedaços sólidos minúsculos que posteriormente sujeitos a elevada temperatura fundiram, adquirindo formas arredondadas.

Estes vestígios encontram-se em várias radiografias observadas à lupa e foram objecto de alguma perplexidade por parte de alguns perjtos médicos, como já se referiu.

Na figura 9, referente à amostra H, e na figura 11 podemos observar gotículas de formas arredondadas que, por comparação com as barras de escala de 100 micras e 200 micras, podemos concluir serem de dimensões muito pequenas.

Estas minúsculas gotículas são em nosso entender a prova da existência de um processo de deflagração que projectou nos corpos, com elevada energia, pequeníssimos fragmentos de metal que ulteriormente fundiram devido ao incêndio.

A existência destes vestígios foi objecto do olhar experiente de um perito com larga experiência, na observação de vítimas de explosões, o Prof. Crane, que considerou que existiam fragmentos fundidos demasiado pequenos para serem simplesmente provenientes de um incêndio (13p597).

- Estamos assim, em nosso entender, em face de uma abundante e bem caracterizada prova material da existência de uma deflagração antes do incêndio, documentada a nível radiográfico e de microscopia electrónica de varrimento.

3 — Outros vestígios radiológicos e perda da informação química devido ao tratamento não adequado das amostras

Na exumação dos corpos feita em 1995 procedeu-se ao exame radiológico detalhado das vítimas.

Foram detectados numerosos pedaços de material radiopaco que foram devidamente assinalados e depois recolhidos para análise.

As amostras foram enviadas para o laboratório inglês do FEL (sucessor do RARDE), e aqui novamente a pesquisa foi orientada no sentido de possível identificação de assinatura física de uma explosão.

Conforme se pode ler no relatório (FEL, p. 2), a acção de dissolução dos resíduos orgânicos que envolviam o material biológico «also cleaned any metallic fragments çontained therein sufficienüy to allow their examination and analysis by SEM coupled to an X-ray eriergy analyser (EDAX). However this solvent treatment negated any possibility of carrying oüt any form of chemical analysis for explosions residus upon lhe recovered fragments and hence none was attemped [...]

In some instances after the removal of the biological materiais did not reveal any metallic fragments at their centre [...J

Thus the examination were limited to SEM microscopic examination for symptons irtdicative of an explosive event».

Do cruzamento dos relatórios da autópsia (Vilaça Ramos, Luís Aires Sousa, Gama Afonso) com os resultados do FEL verificase que as amostras A9, AIO e Ai2 identificadas por quatro especialistas em radiologia e medicina legal como contendo corpos opacos foram' considerados como matéria orgânica.

A confusão entre matéria orgânica e material de número atómico feita por quatro especialistas não é possível, tanto mais que foi feita a posterior verificação da remoção dessas amostras através de nova radiografia do respectivo recipiente de transporte.

Pode concluir-se facilmente que haveria vestígios de elevado número atómico que se desagregaram durante a operação de limpeza.

Ora esses vestígios poderiam proporcionar informações muito relevantes para orientar a investigação num sentido diferente das duas únicas alternativas à hipótese de acidente proposta pela investigação: bomba de alto poder ou bomba incendiária.

Vejamos como poderiam ter sido encaradas outras alternativas igualmente eficazes para a destruição de um pequeno avião.

3.1 — Armas e dispositivos de guerra

Da consulta do índice do manual da NATO FM 8-285 encontramos os seguintes capítulos:

Capítulo II, «Agentes sobre os nervos»;

Capítulo III, «Agentes incapacitantes»;

Capítulo IV, «Agentes vesicantes»;

Capítulo V, «Agentes de choque (produzindo danos

nos pulmões)»; Capítulo VI, «Agentes sobre o sangue»; Capítulo VII, «Agentes irritatívos e indutores do

vómito»; Capítulo VLH, «Fumos»; Capítulo IX, «Agentes incendiários»; Capítulo X, «Agentes tóxicos».

Em cada capítulo são descritos os produtos utilizados para obter cada efeito e as consequências nefastas do seu uso. Como se poderá facilmente perceber, muitos destes dispositivos ou produtos militares podem originar em muito pouco tempo a perda das faculdades de um piloto, com consequências quase certamente falais se tal ocorrer num momento crítico do voo como é uma operação de descolagem.

Podemos verificar que para a produção de fumos são utilizados produtos contendo fósforo, óxido de tinco e muitas veies tetracloreto de titânio associados a materiais orgânicos, tais como óleos especiais, gasóleo, borracha, etc.

Artesanalmente uma bomba de fumo pode ser eficazmente construída com açúcar, serrim e outros produtos de fácil obtenção.

No referido manual pode ler-se que uma alta concentração de fumo num. ambiente fechado é extremamente perigosa, podendo ser fatal.

Podemos ainda verificar que o tetracloreto de titânio, produtor de um denso fumo branco, pode ser dispersado

" por um avião ou utilizando um explosivo.