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constitucional. Agora, se me perguntar, objetivamente, se era o Almirante x ou o Almirante y

ou se era o General y ou o General z não sou capaz de lho dizer, a minha memória já não me

diz nada. Não sou capaz de identificar se o Eng.º Amaro da Costa me definiu como inimigo

principal da sua ação governativa Fulano ou… A resistência era sistémica, de organização e de

grupo, de fechamento, designadamente, havendo necessidade de dizer que a disciplina militar

impunha que se respondesse primeiro ao chefe militar e depois ao ministro».

Questionado sobre o poder militar que estaria a perturbar o Governo e a comentar se havia uma

espécie de controlo efetivo de tudo o que tinha a ver com Forças Armadas, Polícia Judiciária,

Serviços Secretos militares, Polícia de Segurança Pública, Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, a

própria Guarda Fiscal, entre outros, respondeu:

«Por estranho que pareça há um episódio entre mim e o General Ramalho Eanes numa altura

em que eu não concordei com a sua deliberação em mandar um militar para a Polícia Judiciária

e disse-lhe mesmo: «Parece-me mesmo a decisão mais desacertada que alguma vez se possa

fazer!», e abriu-se até uma certa controversa por esta maneira um pouco frontal com que eu

disse isto, isto numa fase em que efetivamente havia uma preocupação de controlo de todas

essas autoridades policiais. Pediu-me um comentário. A DINFO era, obviamente, talvez a mais

eficiente de todas elas, mas havia, inclusivamente, serviços militares que funcionavam, que

existiam na prática mas não existiam na realidade. Posso referir um exemplo: a DIMIL (Divisão

de Informações Militares). A DIMIL era uma organização militar de informações militares que

não havia em nenhum organigrama do Ministério, mas, no entanto, era o sistema de

informações mais eficaz que pude encontrar no meu Ministério. Portanto, antes da revisão

constitucional, essa rede existia obviamente e eu fui crítico relativamente a ela».

Sobre o facto de o FDMU não ter sido abordado na conversa que manteve com Adelino Amaro da

Costa, esclareceu:

«Por que é que não discuti com ele a questão do famoso Fundo? Por duas razões: sabendo ele

muito bem das relações que eu tinha tido durante o «Verão quente» com o Grupo dos Nove e

da relação que eu tinha com o General Ramalho Eanes e sabendo eu que ele tinha participado

em grande parte das operações do 25 de novembro com o conhecimento específico e pessoal

de ter tido envolvimento, eu nunca iria aceitar uma conversa que porventura pudesse assacar

uma responsabilidade ao General Ramalho Eanes do quer que fosse no que dissesse respeito

a esse Fundo de Defesa Militar do Ultramar. E, portanto, nunca falei com ele sobre isso, mas

propositadamente não quis que isso fosse objeto de conversa, porque poderia estragar

inclusivamente as nossas relações. Logo, nunca a tive. Perguntam-me se vim mais tarde a

procurar o destino dos fundos e se ainda existem saldos — penso que é esta a preocupação

dos Srs. Deputados. Ora bem, eu penso que foi o Prof. Cavaco Silva quem ficou encarregue de

efetuar essa compatibilização dos saldos do Fundo e integrá-los na organização do Ministério

das Finanças, visto que não fazia sentido absolutamente algum a Chefia do Estado-Maior das

Forças Armadas poder continuar a dispor de um «saco azul», porque o Fundo funcionava como

um «saco azul», tanto quanto me pude aperceber, para financiar operações encobertas,

algumas destas operações o Estado português fez. E, mais tarde, como Ministro, vim a ter o

relato vivo do pessoal que participou em operações encobertas, como seja o financiamento do

Savimbi. O Savimbi durante muito tempo foi financiado pelas Forças Armadas portuguesas, e

a maneira que as Forças Armadas tinham para o fazer só poderia ser através de instituições

1 DE JULHO DE 2015______________________________________________________________________________________________________________

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