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da Defesa, no dia 2 de Dezembro, tinha dirigido um ofício ao gabinete do Estado-Maior General das

Forças Armadas a solicitar que informasse com urgência o que entendesse por conveniente sobre a

venda de armas para o Irão – respondeu:

«Tanto quanto me recordo, quando o Conselho de Ministros reuniu depois da notícia do

acidente, por volta das 10h ou 11h da noite, e tomou as primeiras decisões sobre o que havia

a fazer, ficou entendido que, nos termos da Constituição, eu assumia temporariamente as

funções de Primeiro-Ministro interino, por ser Vice-Primeiro-Ministro, que delegava a maior

parte das responsabilidades do Ministério dos Negócios Estrangeiros no então Secretário de

Estado dos Negócios Estrangeiros, que era o Sr. Eng.º Luís Azevedo Coutinho; e quanto às

funções de Ministro da Defesa Nacional, não me recordo de elas terem sido atribuídas

especificadamente a qualquer membro do governo mas, no termos da Constituição, se não

houvesse ninguém para substituir o Eng.º Adelino Amaro da Costa, e creio que não havia

Secretário de Estado da Defesa nessa altura, essa responsabilidade acabava por ser de quem

fosse Primeiro-Ministro. Devo dizer que não me ocorreu, tal era o choque em que me

encontrava naquele dia pela morte de pessoas tão próximas e tao amigas, não me ocorreu

que, na qualidade de substituto do Ministro da Defesa, deveria ir ao seu gabinete e não fui.

Passei a ir todos os dias ao gabinete do Primeiro-Ministro, na residência oficial de S. Bento,

onde fui, aliás, impecavelmente apoiado pelas pessoas que pertenciam ao gabinete do Dr. Sá

Carneiro, também ia um dia ou dois por semana ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, onde

mantinha o meu gabinete, mas de facto nunca fui ao gabinete do ministro Adelino Amaro da

Costa. Suponho, mas não posso jurar que foi assim, que quem se encarregou de reunir os

documentos que o Eng.º Amaro da Costa porventura tivesse no seu gabinete ou nalguma pasta

que tivesse ficado no gabinete, suponho que terá sido o seu chefe de gabinete à época, que eu

conheci muito bem, Hugo Rocha».

Questionado se nessas funções não recebeu qualquer dossier ou documento urgente, nomeadamente

relativo à NATO, que merecesse despacho urgente, respondeu:

«Não recebi nenhuma lista de dossiers nem recebi nenhum conjunto de dossiers. Recordo que

o Ministério da Defesa nessa altura tinha um serviço de apoio muito pequeno e um Movimento

de papéis e de burocracia muito, muito limitado. É muito possível que algumas matérias,

designadamente relativas à Nato, ou outras, tivessem vindo a despacho durante aqueles 30

dias em que eu estive nessa função interina, mas não me recordo de que alguma fosse de

grande importância, porque relativamente a todo esse período, a minha memória já não

regista todos os pormenores, mas as coisas importantes normalmente recordo-me. Recordo-

me das conversas que tive com o Ministro dos Transportes por causa da comissão de inquérito

que decorria na aeronáutica civil, recordo-me da conversa que tive com o Ministro-Adjunto,

Dr. Francisco Pinto Balsemão que ficou a ser o principal representante do PSD na coligação.

Tenho quase a certeza, ou pelo menos não me lembro, que não recebi uma lista concreta de

assuntos pendentes, ou de assuntos em marcha, e nomeadamente, não tomei conhecimento

nessa altura – só muito mais tarde, numa das vindas a estas comissões -, é que tomei

conhecimento desse ofício do Eng.º Adelino Amaro da Costa para o Estado-Maior General. Isso

quer dizer que durante esses 30 dias não fiz nenhuma insistência junto do Estado-Maior

General, não me apercebi ou não me foi comunicado que houvesse qualquer matéria urgente

e como realmente eu sabia que o ministério tinha pouco expediente e pouco despacho, não

senti essa curiosidade».

II SÉRIE-B — NÚMERO 56______________________________________________________________________________________________________________

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