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II SÉRIE -C— NÚMERO 31

vírgulas, de palavras, de frases, etc Será mais trabalhoso para quem queira consultar o relatório, mas julgo que é a situação mais real para que tudo possa ser visto sem qualquer juízo de valor.

O Sr. Presidente (Antunes da Silva): — Dado que já foi feita a apresentação dos documentos que têm a ver com o relatório e as conclusões da audição parlamentar, creio que poderíamos passar de imediato a outro ponto. Assim, tem a palavra o Sr. Deputado António Campos.

O Sr. António Campos (PS): — Gostaria de começar por afirmar que a posição não-é do Deputado António Campos mas, sim, do PS. O António Campos é apenas o coordenador do sector, pelo que assumiu esta posição.

Sr. Deputado Rui Carp, tenho visto a dificuldade com que V. Ex.° vem a esta comissão procurar tapar os olhos, «meter uma peneira» nos olhos das pessoas! E fá-lo de uma maneira como nunca pensei que fosse capaz de fazer. O que está aqui em causa são questões que, independentemente de serem técnicas e de Estado, também são de seriedade pessoal, de cada um se movimentar na vida de acordo com determinada seriedade pessoal. Gostaria de dizer-lhe que, antes de levantar esta situação publicamente, telefonei ao Sr. Director-Geral da Pecuária a perguntar se havia problemas nesta matéria que eu precisasse de esclarecer com ele e a resposta que obtive foi a de que não havia qualquer problema...

O Sr. Presidente (Antunes da Silva): — Sr. Deputado, peço desculpa por interrompê-lo, mas já solicitei que não fossem aqui repetidos aspectos, muitas vezes repisados anteriormente.

O Sr. António Campos (PS): — Isto é apenas para chamar a atenção do Sr. Deputado Rui Carp para estas situações! Quero dizer-lhe ainda que, quando levantei esta questão, foi em nome da verdade, do funcionamento do Estado, da defesa da saúde pública e contra a mentira. E, quando me vê levar isto a sério, é porque percebi, desde o primeiro dia, que o PSD tinha montado uma engrenagem para procurar a mentira! Foi esse o comportamento permanente nesta situação. Aliás, logo no dia em que falei ligeiramente nisso, o Sr. Secretário de Estado me chamou mentiroso numa conferência de imprensa que deu no seu próprio gabinete! Isto não são questões de mentira ou de verdade — são factos científicos e técnicos que não podem utilizar politicamente, ao sabor das vossas conveniências. Têm de aceitar a verdade, se ela é técnica e científica, e não podem utilizá-la em nome da política.

É estranho e inconcebível que o PSD venha dizer que não foi isolado o agente transmissor da doença. É estranhíssimo! E porquê? Porque em 1990 surgiu o primeiro caso e obrigam os técnicos e os cientistas a calar-se, não procurando fazer mais diagnósticos nem mais exames! De

qualquer modo, o diagnóstico da doença está feito em Portugal. Está mais do que. feito: todos os técnicos que lidaram com a questão o fizeram. O agente transmissor, esse nunca poderiam localizá-lo porque os cientistas foram proibidos de trabalhar nesta matéria, que foi tornada sigilosa!. Como é que agora, passados três anos, vêm reclamar o agente transmissor?

Essa questão é a mesma que ocorreu quando já havia Sida em Portugal — se não houvesse um laboratório nacional que tivesse detectado o agente transmissor, não havia Sida em Portugal! Havia gente com Sida, mas, em Portugal, não havia Sida!

Estas vacas são apanhadas em Portugal com encefalopatia e se fosse na Dinamarca teriam encefalopatia; se fosse em França também; se fosse em Inglaterra também; mas na cabeça do Sr. Deputado Rui Carp ou na cabeça do Sr. Ministro da Agricultura não têm encefalopatia!... Porquê? Por conveniência política, mais nada! E em nome da mentira, não em nome da verdade técnica e científica.

Sr. Deputado, não aceito essa forma de comportamento das pessoas — só posso discutir em nome da verdade! Quando vejo que as pessoas são agentes da mentira, indigno--me! Ainda hoje mantenho a minha indignação! Que é aquilo que V. Ex.* já não tem! Por isso mesmo, é capaz de vir fazer estes «fretes» e defender aqui aquilo que não tem defesa!

Protestos do PSD. É verdade!

Quando vejo que as pessoas são agentes da mentira, indigno-me. Sabe que sou um homem que ainda hoje mantenho a minha indignação, que é aquilo que V. Ex.a já não tem.

O Sr. Presidente (Antunes da Silva): — Sr. Deputado António Campos...

O Sr. António Campos (PS): — Já perdeu a indignação e por isso mesmo, já é capaz de fazer estes «fretes»: vir para aqui defender aquilo que não tem defesa possível.

Protestos do PSD.

Ouçam o resto!... Protestos do PSD.

O Sr. Presidente (Antunes da Silva): — Srs. Deputados, Sr. Deputado António Campos...

O Sr. António Campos (PS): — O Sr. Deputado passou o tempo, desde o início do seu discurso...

O Sr. Presidente (Antunes da Silva): — Sr. Deputado António Campos, já lhe dou a palavra, peço desculpa pela interrupção...!

O Sr. António Campos (PS): — Não ouvi o Sr. Presidente a interromper o Sr. Deputado Rui Carp quando me estava a insultar. Não ouvi! V. Ex." tem de se comportar aqui como presidente.

O Sr. Caio Roque (PS): —Muito bem! Protestos do PSD.

O Sr. Presidente (Antunes da Silva): — Vou dar-lhe a palavra, Sr. Deputado António Campos, mas peço-lhe a interrupção do uso da palavra para solicitar aos Srs. Deputados que saibamos manter a calma para continuarmos os nossos trabalhos.

Sr. Deputado António Campos, dou-lhe a palavra para continuar, mas peço-lhe que seja breve e que continuemos os nossos trabalhos.

O Sr. António Campos (PS): — E muito difícil uma pessoa não se indignar perante o que vê à sua frente, tanto

mais quando isso vem de algumas pessoas por quem, aliás,