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II SÉRIE-D — NÚMERO 25

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O verdadeiro limiar de uma globalização à escala do humano consistirá

em levarmos a cabo essa agenda universal — uma agenda que, mais do

que nunca, mereça o nome de agenda da dignidade.

É aqui que a UIP, enquanto organização que emana dos parlamentos

do planeta, acaba por ter nas mãos uma parte da credibilidade global da

democracia — da democracia como criação humana.

Parlamentares que se revelassem indiferentes ou ineficazes para

impulsionar uma agenda de dignidade poriam em causa, mais do que a

imagem, o futuro da democracia.

Uma parte dos nossos parlamentos, ao longo de muitos anos, tantas

vezes através de difíceis confrontos, enfrentaram obstáculos e assumiram

medidas, financeiras, legislativas e políticas, contra a privação e a

desigualdade, pela saúde das crianças e das mães, pelo acesso de todos à

escola, por uma governação democrática amiga dos direitos fundamentais,

contra o terrorismo — e, mais recentemente, pela sustentabilidade

ambiental e pela preservação do planeta, que é de todos, diante das

agressões de alguns.

Nunca houve facilidades neste caminho.

Foi preciso esforço, sacrifício, tensão, uma constante perseverança. São muito poucos os progressos que

podem ser recordados como dádivas.

A nossa responsabilidade de parlamentares é que essa capacidade, e esse potencial — que é de toda a

humanidade — se manifestem agora a uma escala planetária.

Sabemos que a maior dificuldade não está, hoje, do lado dos recursos, mas do lado da mobilização da

energia política necessária para agir, para ultrapassar a captura de políticas públicas por interesses

particulares.

Metade da riqueza do planeta pertence a um por cento da humanidade. Não é imaginável que esse um por

cento não tenha um contributo majorado para uma agenda de dignidade. Temos dificuldade em imaginar uma

atitude negativa, mas não temos dificuldade em imaginar o que seriam ,no futuro, as suas consequências.

A irreprimível dimensão humana que é a aspiração à dignidade tem vindo a manifestar-se, sob diversas

formas, e a comunicar-se, entre países e continentes, à velocidade dos actuais recursos comunicacionais. A

incrível desigualdade, que se tornou mais visível no mundo actual, é de molde a imprimir a esse contágio uma

dimensão viral.

Impõe-se uma viragem. Um compromisso firme tem de ser assumido, com urgência, pelas nossas

instituições globais. As Nações Unidas no próximo mês de Setembro, vão ter uma nova oportunidade de fazer

história. É imperativo para os parlamentares do mundo compreender o momento, apoiar esse esforço, dar-lhe

sustentação, em cada país e à volta do mundo.

Além das Nações Unidas, muitas outras instituições, fundadas na história, na solidariedade ou nos

interesses comuns, têm aqui um papel à sua frente. Isto vale em particular para as organizações que reúnem

Estados de diferentes continentes, da metade sul e da metade norte do planeta.

Falando em português, permitam-me que distinga uma: a Comunidade dos Povos de Língua Portuguesa,

com Estados— membros na África, na América, na Ásia-Pacífico e na Europa, cujos povos irmãos daqui

saúdo, consciente das oportunidades de trabalho comum pelo progresso humano que tanto são impulsionadas

pela adopção duma agenda de dignidade.

Nem sempre o temos presente, mas a língua portuguesa é a língua mais falada no hemisfério sul, um

hemisfério rudemente marcado pela privação e pelos efeitos dramáticos da assimetria global. Isso só pode

constituir uma motivação e uma responsalidade adicional para todos os que no mundo actual comunicam

através da língua portuguesa se empenharem nesta nova ambição.

Defender hoje um novo compromisso, a pensar nos seres humanos de todos os continentes, obriga a que

não se faça silêncio, nenhuma espécie de silêncio, sobre uma ameaça bárbara que está hoje presente no

nosso quotidiano global. A frontal condenação de todas as espécies de terrorismo é elemento incontornável de

uma agenda de dignidade, que tem de significar, em todas as direcções, a erradicação da barbárie e para isso

convocar todas as crenças e esperanças do homem.