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Sessão de 18 de Fevereiro de 1919 7

O Sr. Presidente: - Está reaberta a sessão.

Eram 16 horas e 15 minutos.

O Sr. Presidente: - Não se encontra na sala número suficiente de Srs. Deputados para a Câmara poder funcionar.

O Orador: - Mas eu, Sr. Presidente, ainda não tinha concluído as minhas considerações.

Estou no uso da palavra.

O Sr. Presidente: - Nesse caso, pode V. Exa. continuar as suas considerações.

O Orador: - Estava eu dizendo, Sr. Presidente, que o povo vinha ao Parlamento da República não em tem de violência para exercer coacção, mas apenas manifestar uma vontade, uma opinião; e nós não podemos, não devemos pedir ao povo e dele esperar que conheça êsses excessos de cortezia, êsses requintes de delicadeza que se usam nos salões dourados que êle por felicidade sua não frequenta.

Se por um lado esta franqueza rude do povo pode desagradar àqueles que do perto não o conhecem, aqueles que bem o estimam e o sabem acompanhar nas horas más o difíceis compreendem bem esta franqueza rude que por vezes o povo patenteia.

A voz da multidão não vive para encobrir a verdade e não encobre a mentira, porque o povo diz e grita sempre a verdade.

Não veio aqui a chamada sua usar duma coacção, exercer violências.

Não.

Saíram ontem, e sairão hoje os Srs. Deputados desta casa entre alas de povo e ninguém os maltratou ou maltratará, ninguém abusou nem abusará da fôrça contra êles.

Manifestou a multidão a sua vontade com calor, como sempre, rude e francamente, porque o povo é rude e franco e por isso não se pode dizer, não se deve dizer que o Parlamento da República está coacto por essas manifestações.

Quem o disser pode estar em êrro, mas pode também ter a mesquinha intenção de concluir que não deve esta Câmara ao país o supremo serviço de não criar dificuldades à solução do problema constitucional, e facilitar a sua solução, dissolvendo-se.

A meu ver e segundo minha opinião pessoal, porque neste assunto de suprema importância creio que as opiniões pessoais se devem manifestar fora da acção disciplinar dos partidos, a meu ver pessoal, o Parlamento deve imediatamente dissolver-se, porque o Parlamento corresponde a uma situação extinta, ou pelo menos a uma situação política que já se modificou profundamente.

Só quem não tenha olhos de ver, ou não queira ver, pode imaginar que depois dos sucessos passados neste país a situação se não tem de alterar, se não há-de alterar profundamente.

Só quem não tem olhos de ver, ou não tem vontade de ver com olhos claros pode imaginar que neste momento de suprema crise da República, quando ,é necessário, por assim dizer, reimplantá-la em Portugal, se pode deixar de ouvir a soberania nacional, pela única forma como podemos e devemos escutá-la: pelas eleições, pelas urnas.

Por mim o digo francamente, por mim o afirmo.

E um "cambalacho", perdõem-me a rudeza do termo que se justifica pela justiça, e aqui tem de ser definidas as cousas por justas palavras.

E um "cambalacho" contra todas as boas regras de direito público e contra todas as boas regras da política a proposta que tente iludir a questão, procurando conseguir eleições suplementares.

Esta solução alvitrada já da consulta parcial, à vontade de determinados círculos, cujos Deputados por fôrça das circunstâncias desapareceram, ou que, por serem monárquicos, foram eliminados, não pode nunca ser aceite, porque representaria uma grave falsificação do sufrágio, em vez de ampla consulta à vontade nacional.

Todos os círculos eleitorais devem ser agora consultados, todos devem ser ouvidos pela boca da urna para que claramente saibamos qual a sua vontade geral, qual a sua opinião predominante, quais são as correntes partidárias que hão de prevalecer como orientadoras da República, quais são aquelas que da mão do