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12 Diário da Câmara dos Deputados

A êste problema responde-se também com negócios urgentes e moções de desconfiança ao Govêrno, que tem a confiança e o aplauso dos que trabalham e dos que sofrem.

Apoiados.

Como é triste verificar estes factos, que são verdadeiras anomalias!

Sr. Presidente: ontra fôsse a orientação e outro fôsse o critério desta Câmara, e outro seria também o futuro da nacionalidade portuguesa.

Eu receio, Sr. Presidente, que possa chegar uma hora em que as labaredas atinjam tal altura, que todos nós tenhamos do nos queimar, os da direita e os da esquerda.

Oxalá que ainda seja tempo de remediar talvez isto e de reconhecer que é necessário deixar trabalhar aqueles que desejam trabalhar e que são capazes de investir contra todos os interêsses ilegítimos, tudo sacrificando pela República.

Eu dou, Sr. Presidente, por terminadas as minhas considerações, fazendo votos sinceros e ardentes para que não tenha de voltar a usar da palavra numas condições tam excepcionalmente graves como estas em que agora o fiz.

Apoiados.

Tenho dito.

O orador não reviu.

O Sr. Cunha Leal: - Sr. Presidente: nos termos do Regimento, mando para a Mesa a minha moção de ordem, que é concebida nos seguintes termos:

Moção

A Câmara dos Deputados, reconhecendo que o procedimento do Sr. Presidente do Ministério, pelas palavras que proferiu e pelos actos que praticou, afecta profundamente o prestígio da fôrça pública, a disciplina militar e a ordem social, passa à ordem do dia. - O Deputado, Cunha Leal.

A pouco e pouco esta questão vai-se esclarecendo. A pouco e pouco vai-se fazendo luz sôbre ela, maior e mais intensa luz, com certeza, do que aquela que poderá projectar sôbre o assunto a sindicância feita por um dos manifestantes.

Apoiados.

Mas faltava ainda um depoimento, faltava ainda um elemento de certeza para nos convencermos do que efectivamente o Sr. Presidente do Ministério, numa hora do arrebatado entusiasmo, perante uma multidão que gritava "Abaixo a República" e "Viva a revolução social", proferira aquelas palavras que alguns jornais publicaram.

O Sr. Presidente do Ministério dirigiu, e creio que dirige ainda, um jornal do Porto - A Tribuna. Importa, pois, saber qual o rolato de A Jribuna sôbre os acontecimentos de sexta-feira. Vejamos, pois, como êsse jornal, que com certeza não quis, a soldo das fôrças vivas, comprometer o Sr. Presidente do Ministério, conta os factos passados:

Leu.

Uma certeza moral nós poderíamos ter independentemente dêste relato: é a do que eram verdadeiras as palavras atribuídas ao chefe do Govêrno. Se S. Exa. tivesse proferido palavras diferentes não teria por certo o entusiasmo delirante das multidões. Assim, teve-o; mas conquistou-o com uma arma fácil: o desprestígio da fôrça pública, o desprestígio da fôrça militar. Entro o aplauso e a ordem S. Exa. optou pelo aplauso, o então entregou, amarrada do pés e mãos, a guarda republicana à cólera da multidão que o rodeava.

E para que V. Exas. vejam até que ponto ia o delírio da multidão nessa hora, quero ainda ler de novo outra passagem do relato de A Tribuna:

Leu.

Quere dizer: perante a fôrça pública, prestígio da ordem social e da disciplina militar, os manifestantes, com o aplauso do Sr. Presidente do Ministério, com certeza, achavam-se com o direito de disparar, em sinal de regozijo e de vitória, as suas pistolas para o ar. Mas quando a fôrça tentava fazer uma cousa semelhante os mesmos manifestantes protestavam indignadamente! Isto é rebaixar demasiadamente a fôrça pública!

Apoiados.

Mas, Sr. Presidenta, tratava-se ao menos de vitoriar a República? Não! Disse o Sr. Agatão Lança que nã ouvira, no desfilar do comício de domingo uma única voz de "Viva a República"!

O Sr. Presidente o Ministério procurou a fácil vitória de dominar pelo ter-