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16 Diário da Câmara dos Deputados

blica, porque eu não admito que alguém, que êste uniforme vista, possa oferecer dúvidas sobre a sua identidade política!

Repugna-me até, Sr. Presidente, que quando um oficial precisa de ser admitido a certos serviços, só vá colhêr a informação se é republicano ou não!

Apoiados.

Não! Vestindo-se êsse uniforme, é-se republicano ou é se desonrado!

Apoiados.

Mas eu disse mais: se proclamaram a Monarquia, compete-nos ir proclamar a República. Estamos aqui nós, estão na parada os soldados, estão na arrecadação os canhotos do pólvora! Que mais precisamos?

Mas só um alferes - o Sr. João Queiroz - um engenheiro muito distinto é que disse: tem razão. Diz muito bom o nosso tenente. É o que temos que fazer. Mas estas palavras foram imediatamente afogadas com o vociferar, com as chufas negativas do resto da corporação. Vendo então a inutilidade da minha acção, que não tinha ninguém para quem apelar, o que fiz? Arranquei os galões que tinha sôbre as mangas, galões honrados onde tinha batido muito fumo de pólvora, muita lama de trincheiras, galões que tinham já sido salpicados pelo sangue português.

Sr. Presidente: se invoquei isto, eu, o humilde, o modesto, foi para revestir de toda a autoridade que indubitavelmente têm as minhas palavras de agora. O curso das minhas ideas levou-me a dizer que nesta ocasião eu entrei para a guarda nacional republicana e como os acontecimentos que se debatem se dão com a guarda nacional republicana, eu tenho prazer de a êles me referir, porque estive nessa unidade cêrca de uns três anos. É, por consequência, uma unidade que eu conheço por dentro e por fora. V. Exas. compreendem que eu não tenho os olhos fechados e sei ver o que se passa à minha volta. Sabem talvez V. Exas. a razão por que ainda hoje eu não faço parte dessa corporação e a abandonei contra todos os pedidos, contra todas as pressões, de todas as maneiras, abruptamente?

Fez-se o 19 de Outubro e eu não servi mais naquela corporação.

Vêem bem V. Exas. que dentro da minha humildade, dentro da minha talvez apagada individualidade, ou tenho mantido uma linha de conduta inflexível. Saí por só ter leito o 10 do Outubro. E agora que alguns parlamentares anunciam que outra nuvem se avizinha, que outro 19 de Outubro se prepara, eu, que fiz isto há alguns anos, repito, sou capaz de o voltar a fazer.

E não me limitei a abandonar o meu quartel. Não. Dentro dos recursos da minha caneta eu escrevi o artigo mais violento que tenho escrito na minha vida, verberando êsso procedimento. Ocorre-me agora fazer justiça ao director do jornal que nesse tempo tinha a responsabilidade do mesmo, O Primeiro de Janeiro, que com uma coragem que se podia igualar à daquele que escreveu o artigo, aceitou e publicou em editorial êsse artigo. Também, sem ter convite para manifestações, sem ter possibilidade do anunciar o meu carinho por António Granjo, tive ainda o recurso da minha caneta para desfolhar, com as minhas possibilidades e os meus poucos recursos de homem de letras, a minha grinalda de saudades à memória dêsse honrado, alto o perpetuo republicano.

Apoiados.

Sr. Presidente: invoco todos êstes factos e dados para que V. Exa. veja que as palavras que vou dizer, de observação e análise aos acontecimentos do dia 6, possam ter da parte das inteligências claras, da parte dos homens que as paixões não toldam as vistas, da parte daqueles que continuadamente encontram nos menores atritos más vontades e nas mais leves reticências desejos de mágoa, a certeza de que a minha crítica é absolutamente independente.

Analisemos e observemos os factos. Eu tenho desejo de acertar nestas minhas palavras; eu tenho o desejo de me balizar de uma maneira irrefutável, de apontar de uma forma que fique rígida e nítida os acontecimentos que se deram.

Sou um homem que gosto de acertar na vida.

Há caminhos que não precisam de balizas para que a gente dentro dele bem se conduza; é, por exemplo, o caminho da honra, que todos sabemos; é, por exemplo, o caminho do carácter, que todos sabemos.

Dentro do caminho militar, acerta-se