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14 Diário da Câmara dos Deputados

Pôsto isto mando para a Mesa a seguinte:

Moção

A Câmara, entenden-lo que só deve prestigiar a fôrça publica o manter a ordem e o respeito por todos os cidadãos, passa à ordem do dia.

Em 10 de Fevereiro de 1925 - Joaquim Ribeiro.

Sr. Presidente: esta moçao é bem simples. É talvez até simples de mais para muita gente; é possível, todavia, que esto Govêrno, que se tem caracterizado pela maneira como interpreta as moções apresentadas, que pode chamar-se um pouco Govêrno de faquires, aceite esta moção como de confiança ou como de desconfiança, conforme o critério do Sr. Presidente do Ministério.

Por míi, o significado desta moção será de confiança, se o Govêrno está disposto daqui em diante a manter o prestigio da fôrça pública, o será de desconfiança se o Govêrno não estiver nessa disposição.

Sr. Presidente: eu tenho sido sempre, em todos os actos da minha vida, um homem coerente.

Logo de princípio eu afirmei aqui não concordar com a forma como tinha sido constituído êsto Govêrno, que derrubou o Ministério Rodrigues Gaspar para escalar o Poder.

O Govêrno transacto tinha tomado uma atitude não menos enérgica do que êste, mantendo intacto o regulamento do sêlo, combatendo as forças vivas.

Mas êste Govêrno apareceu e eu, coerente sempre, acatei o que vinha, o dispus-me logo a auxiliá-lo em tudo o que fôsse para bem da Pátria e da República.

Eu, que sou um homem de ordem, repito, fui dos que mais combateram as forças vivas, com as quais eu jámais posso concordar, desde que elas tomem, como tomaram, uma atitude de manifesta rebéldia.

Mas, perante os actos que o Govêrno tem praticado ultimamente, eu não posso continuar a ajudá-lo. Se o Govêrno, porém, reconhecer os seus erros e vir que tem amigos - permita se me o têrmo - dos diabos, que o comprometem, e continuar a combater as fôrças vivas, então terá outra vez o meu apoio.

A minha atitude, desde o princípio até hoje, é cheia de lógica.

Sr. Presidente: há um colega nosso nesta Câmara, de quem tenho a honra de ser amigo, mas de quem nunca fui correligionário, o Sr. Cunha Leal, que tenho de saudar pela sua atitude.

S. Exa. manifestou se como um homem de carácter e de energia, não havendo ameaças nem insultos que o impeçam de, altivamente, afirmar o que entende.

Como gosto do fazer justiça a toda a gente, saúdo com muito prazer o Sr. Cunha Leal.

Sr. Presidente: as célebres fôrças vivas são por mim combatidas, o que poderá parecer estranho; mas, como já expliquei, acima dos meus interêsses ou dos da classe a que pertenço, ponho os interêsses da Pátria o da República.

Essa classe das forças vivas hoje não acata as leis da República e por isso merece ser castigada.

O grande êrro do Sr. Rodrigues Gaspar fui justamente o do não mandar encerrar a Associação Comercial.

Logo da primeira vez em que esta associação começou discutindo política, imiscuindo-se naquilo em que não devia, eu vim a Lisboa de propósito para aconselhar ao Sr. Rodrigues Gaspar o encerramento dessa agremiação.

S. Exa., no seu alto critério, não o fez, e as fôrças vivas julgaram-se vencedoras.

Mas não queira o Govêrno fazer, por causa disto, a revolução de baixo.

Não transformemos isto numa tragédia.

Os princípios que regem a sociedade podem modificar-se, mas lentamente, a pouco o pouco.

Não sou reaccionário. Reconheço que é preciso andar para a fronte, mas sabe toda a gente que isso se faz por evolução e não aos solavancos.

Apoiados.

Somos todos irmãos; para que havemos de nos matar uns aos outros?

O Govêrno cairá, porventura.

O Sr. Velhinho Correia: - Não apoiado.

O Orador: - Não se julgue que a sua queda fará triunfar as fôrças vivas.

Apoiados.