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Sessão de 10 de Fevereiro de 1925 17

sempre, porque aí ou se obedeço ou se manda.

Na política é que é mais difícil acertar. Pois eu quero ter a certeza de que o meu espírito não me engana, e que aquelas palavras que disse quando da apresentação do Govêrno, e as que vou dizer hoje, estão dentro do ponto de vista que hoje é exigido à política da República.

Sr. Presidente: quantas entidades estão em jôgo nos acontecimentos do dia 6?

Quantas entidades e quais as entidades que estão em jôgo?

Estão em jôgo, Sr. Presidente, as seguintes entidades: o povo, a guarda republicana e, pelo decorrer do debate, em vista dos acontecimentos que se deram, o Sr. Presidente do Ministério.

O povo é a razão profunda e eterna da nacionalidade.

O Sr. Agatão Lança (interrompendo): - Nem todo o povo deseja essa nacionalidade.

O Orador: - V. Exa. é muito inteligente e sabe bem o sentido das minhas palavras.

Além disso, V. Exa. não é mais homem de ordem do que eu.

O Sr. Agatão Lança (interrompendo): - Já tivemos ocasião do apreciar isto, ainda não há muito tempo.

O Orador: - Apreciou-o V. Exa. O povo, Sr. Presidente, é, repito, a razão suprema das nacionalidades.

Basta ver o que êle tem feito através de toda a história, como, por exemplo, nas guerras de Napoleão.

De resto eu não vejo, na verdade, razão alguma para que se esteja fazendo um ataque tam cerrado, como êste que se está fazendo, a propósito dos acontecimentos que ultimamente se deram.

Ficam no mesmo pé de pureza as intenções que o povo denuncia (Apoiados), ficam tendo a mesma grandeza, as mesmas características, as manifestações que o povo por si procura.

A outra entidade em jôgo é a guarda republicana.

Esta corporação, a que já tive a honra de pertencer durante três anos, é uma corporação briosa.

Eu creio que os oficiais da guarda republicana, meus camaradas, os sargentos, meus camaradas, e os soldados, que camaradas são, porque a todos nivela e a todos obriga o mesmo regulamento e as mesmas responsabilidades, não se melindram se eu lhes disser que a frase atribuída ao Sr. Presidente do Ministério não me incomodou.

Apoiados.

Se queremos fazer a defesa dessa corporação, para que lhe vamos atribuir desgostos e ofensas, se a alta figura de militar, que é a do seu nobilíssimo comandante, se não encontra ofendido?

Eu creio bem que é de reparar por S. Exa., que é de reparar por todos, que não precisando, aliás, do manifestar o seu desagrado, venham outros sem procuração alguma, manifestar êsse desagrado.

O Sr. Tavares de Carvalho (em àparte): - Convém-lhe para os seus fins.

O Orador: - Os oficiais da guarda republicana compreendem que um homem exaltado podia dizer uma frase que os ferisse.

Porém, não aconteceu assim; e o homem exaltado que as proferisse, retomando a serenidade, não lhe custaria nada retirar essa frase.

A mim não me custaria.

Mas, Sr. Presidente, não foi proferida nenhuma frase que os pudesse ferir.

A guarda republicana disparou para o ar...

Os comandantes humildes dessa pequena fracção, e os próprios soldados, isoladamente, merecem do povo trabalhador, e de mim, que sou militar, os mais inteiros e completos aplausos.

Apoiados.

Dêste lugar os cumprimento, desde o mais humilde, de manga lisa, ao mais graduado.

Sr. Presidente: há tempos li num jornal francês uma notícia, que neste momento me ocorre, por causa dêste episódio.

Um oficial de uma unidade, enviado a um motim popular de índole mais perigosa, de efeitos mais videntos e de características mais acentuadamente desordeiras, porquanto se tratava de uma ma-