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Sessão de 10 de Fevereiro de 1925 19

Mas apesar disso, Sr. Presidente, reconheço - e aqui as responsabilides são de todos - que o momento de hoje é grave, e grave porque não vejo lealdade política capaz de encarar a situação e de poder colocar os homens nos lugares onde devem estar.

Não se deve procurar desvirtuar as intenções de ninguém.

Nunca, Sr. Presidente, na minha vida política desvirtuei as intenções de alguém, e a minha bôca nunca se abriu para incriminar aqueles que tenham intenções boas e que mandem para a Mesa propostas no sentido de bem governar.

Não é, Sr. Presidente, um episódio classificador das intenções e dos desejos do Govêrno o incidente de sexta-feira à noite, o qual só assim poderá ser apreciado por aqueles, a quem a sua obra, parte da qual já posta em prática, não convém.

O que êste Govôrno tem pretendido fazer é garantir a todos um maior equilíbrio e dar também a todos uma maior percentagem de amor neste mundo.

E, além disso, levar pela rigorosa intervenção do Estado, onde ela seja necessária, o império da lei.

O que caracteriza os Governos, repito, não são os episódios da rua, mas sim as medidas que apresentam.

E, assim, eu esperava que sobre essas medidas recaíssem a critica e a observação inteligente e ponderada das oposições, quando afinal o que surge são comentário sôbre ninharias, para justificar a apresentação de certos papelinhos, denominados moções de desconfiança.

O ataque que havia a fazer era às medidas especiais.

Essas, sim, é que dizem se os Governos valem ou não valem.

Acabo as minhas considerações deixando a certeza absoluta na Câmara e no País de que o acontecimento do dia 6 foi um episódio da rua (Apoiados), episódio sem importância, pró ou contra o Govêrno.

Deixo a impressão de que a guarda nacional republicana não ficou deminuida.

Têm a certeza, o País e a Câmara, de que S. Exa. o Sr. Presidente do Ministério com aquela frase, não magoou ninguém, e não magoou também essa alta e nobilíssima figura do Sr. comandante da guarda republicana.

Apoiados.

O ataque feito à existência do Govêrno, peemitam-me que lhes diga sem detalhe de ironismo não fica bem.

Não dve atacar-se aqui o adversári abaixo da cintura, deve atacar-se, e o Govêrno asim o espera, em pleno peito.

Apoiados

Vozes: - Muito bem.

O orador não reviu.

O Sr. Carlos Pereira: - Sr. Presidente: ainda as ideas do sindicalismo parlamentar não fizeram carreira neste País, porque o bom senso dos primeiros homens da República, daqueles que, na verdade, tinham direito a fundar uma democracia, e sabiam que a mudança de instituições não era uma simples mudança de rótulos, não o fizeram então, apesar de toda a sua autoridade, que o povo lhes deu.

No emtanto o povo de hoje é o mesmo que implantou a República.

Parecia que havia esquecido êsses princípios políticos de então o povo de hoje.

Nos que não representamos aqui classes, nós que representamos a Nação no conjunto mesmo de todas as classes, que procuramos o equilíbrio delas, esquece-mo-nos daquela a que pertencemos.

Sr. Presidente: alguém nesta Câmara chamou-me à realidade para pensar que eu era também um proprietário; mas eu sou muito diferente de S. Exa., porque nunca contei com o suor do povo e porque corri sempre os riscos naturais de uma lavoura própria.

A arguição que então me ora feita revelava mais do que um estado de espírito: revelava uma tendência que era preciso fazer desaparecer desta casa.

Se nos lembrássemos mais dos interêsses próprios em detrimento dos da Nação, o Estado deixaria de ser aquela organização política e jurídica que os doutrinários nos afirmam que êle é, e passaria a ser o gáudio daqueles que estão dispostos a usar de todos os processos dos miseráveis que não conhecem o que é o dever.

Por mais superficial que seja no exame, é fácil determinar a razão do ser do carinho de tantos que aqui se sentam, sendo fácil até dterminar o entusiasmo que tomam, e, pulsando bem, nós sentimos apenas que, no momento grave que a Nação