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tiessão de 18 de Janeiro de 1924

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Além de que, é de boa cortesia eu dirigir aos Srs. Ministros as minhas saudações. Faço-o com aquela boa vontade que mo habituei sempre a usar pela educação que me deram os meus, e que costumo sempre imprimir a todos os actos da minha vida, tanto política como pessoal. \

Mas ó certo também que poderia dispensar-me do entrar no debate da apresentação do Governo, desde que não considero como estando naquelas cadeiras outro Ministério que não^seja o do Sr. António Maria da Silva. É corto que ali encontro a figura aliás muito simpática do Sr. Álvaro de Castro, mas a pessoa que não posso desviar daquele lugar ó a do Sr. António Maria da Silva, que é sem dúvida nenhuma o mais hábil político da terra portuguesa.

O Sr. António Maria da Silva ó tara hábil que conseguiu, organizando-se este Ministério, usufruir todos os benefícios sem nenhuma das responsabilidades. K tam hábil que conseguiu, no momento incerto da política republicana portuguesa, duma cajadada, pormita-se-me a frase que é muito significativa, matar pelo menos três coelhos, o alguns que o embaraçavam bastante dentro das suas tapadas políticas.

Tendo por todos os trabalhadores da inteligência aquele respeito que devo a mim próprio, entendo que devo distinguir com as minhas saudações o Sr. António Sérgio pela muita consideração e respeito que me merecem todos os homens do pensamento.

Sr. Presidente: não compreendo este Governo como um Governo definitivo para rã a obra tremenda que é preciso realizar neste País e não compreendo, porque estou absoluta e intimamente convencido de que não é possível dentro deste regime levar a cabo tal obra.

Admito a crença de todos aqueles que estão do lado contrário, mas estou também Intimamente convencido de que a República não podo realizar essa obra.

jTem 13 anos já de existência! Era já bastante para ter feito qualquer cousa do útil para o nosso País. E não seria eu que regatearia os meus aplausos a todo o qualquer homem qúo pudesse realizar essa obra. Mas, Sr. Presidente, nós estamos numa situação de tal maneira desgraçada o horrorosa, tanto no campo económico o financeiro, como no campo polí-

tico o sobretudo moral, que eu, vendo que nenhuma responsabilidade há para quem quer que seja, tenho de atribuir fatalmente ao regime as culpas e responsabilidades da situação, porque não posso crer que, no decorrer de tantos Ministérios através de 13 anos, todos os homens da República que se sentarauí naquelas cadeiras não quisessem concorrer com o seu esforço, com a sua boa vontade para realizar qualquer obra útil. Não o fizeram simplesmente porque não puderam.

Por isso digo que a culpa é do regime.

E então, todos estão recordados, foi chamado do Paris um homem a cuja inteligência não posso, como ninguém, embora sou adversário político, regatear elogios.

Mas esse homem era chamado num dado momento para.realizar uma obra, que era, nem mais nem menos, do que a sua própria .obra, porque a obra da República é a filha dilecta da sua inteligência e arção. E talvez fosse por isso mesmo que S. Ex.a não quisesse vir contrair unia tam grande responsabilidade.

Foi chamado o Sr. Álvaro de Castro quando S. Ex.a ainda defendia a efectivação dum gabinete nacional, adentro do Partido Nacionalista.

Considero S. Ex.a como um precursor da obra desse «Messias» que há de salvar o redimir a Pátria Portuguesa. Quando chegar esse dia, realizar-se hão as profecias, a profecia do Isaías, que se poderá aplicar desta maneira:

— jLevanta-te Portugal o brilha ; volvo os olhos em redor do ti c vc como todos se amontoam o te veneram I

Mas talvez ao contrário de tudo isso se levantem algumas pedras da calçada e o «Messias» não possa realizar a sua obra, porque não há ninguém que mão soja vítima dos seus próprios erros. Mas, Sr. Presidente, o Sr. Álvaro de Castro assumo a governação pública contraindo uma responsabilidade profunda perante o País, o eu, sempre crente na obra dos homens, apesar de tudo o, contra tudo, tenho estado do guarda a observar o que tem sido a marcha administrativa do Governo, o reparei na espécie do epístolas do Sr. Álvaro de Castro e são já três as que vieram a público.