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Sessão de 25 de Julho de 1924

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Nestas circunstâncias, e sem que eu, com propriedade, possa qualificar de formoso bouquet de rosas o conjunto ministerial, vaticino-lhe, contudo, a duração das rosas de Malherbe, desfolhadas ao sopro impiedoso do furacão democrático.

E continuamos assim a viver neste gâ-chis, em que só governa quem o Partido Democrático muito bem entende e quere, para afinal não dar apoio eficaz aos Governos assim formados.

E é por isso, Sr. Presidente, que de há tempos a esta parte se vem dizendo, e com absoluta verdade, que nos últimos anos não se têm resolvido crises políticas ou de Governo, e sim e tam somente, mas sempre em vão, a crise em que se debate o Partido Democrático.

Registe-se o caso para os devidos efeitos e consequências futuras.

Mas, Sr. Presidente, pregunto eu:

Por mim, Sr. Presidente, confio nas energias da raça, que mais uma vez despertarão no momento próprio, trazendo consigo o remédio adequado ...

Sr. Presidente: tendo eu saudado os meus dois ilustres patrícios, Sr s. Rodrigues Gaspar e Catanho de Meneses, desejaria também saudar JD ilustre professor Sr. Abranches Ferrão, que não tenho o prazer de ver presente, mas que convencido estou que tomou conta duma pasta para que tinha absoluta competência e onde, a demorar-se, prestaria relevantes serviços, porque, Sr. Presidente, eu não esqueço que num ministério anterior S. Ex.a sobraçou a pasta da Justiça e desempenhou essas funcções com tamanho acerto e independência que desde • então se impOs à consideração de todos os republicanos.

Aos demais Ministros, Sr. Presidente, eu dirijo as minhas saudações, mas farei referência especial tam somente ao Sr. Ministro das Finanças, que sinto não ver presente, porque nas circunstâncias particularmente difíceis que o País atravessa, esta pasta reveste tamanha importância que todos nós temos obrigação de fitá-la atentamente.

Ora. a sobraçar a pasta das Finanças, eu vejo o Sr. Daniel Rodrigues, meu antigo colega nesta casa do Parlamento,

onde nunca percebi nem descortinei que S. Ex.a tivesse a menor competência em assuntos ^financeiros.

v E certo, Sr. Presidente, que num dado momento e à força foi S. Ex.a encaixado na Caixa Geral de Depósitos, instituição essa que encontroxu já com uma administração modelar, porque as suas normas eram severas, de forma que todo o seu trabalho consistiu em seguir aquilo que já encontrou feito e receber no fim de cada mês, e especialmente no fim de cada exercício, os pingues proventos.

O Sr. Joaquim Crisóstomo (em aparte):—No relatório não consta quanto é.

O Orador (continuando): — Como V. Ex.a vê, Sr. Presidente, é bem insignificante a bagagem que nos apresenta o Sr. Daniel Rodrigues para o desempenho da pasta das Finanças, mormente, não me farto de repetir, nas circunstâncias particularmente difíceis que o País atravessa.

Eu bem desejaria ter a surpresa duma obra sua, verdadeiramente útil, praticamente comprovada com a melhoria cambial e consequente barateamento da vida.

Infelizmente para mim e para todos, a passagem do Sr. Daniel Rodrigues pela pasta das Finanças, servirá tam somente para comprovar que é possível ser-se simultaneamente um bom administrador da Caixa Geral de Depósitos e um péssimo Ministro das Finanças, mormente eivado do pior facciosismo político.

A uma circunstância que na constituição deste ministério me satisfaz, eu quero .fazer leal referência: refiro-me ao facto de o seu Presidente, Sr. Rodrigues Gaspar, ter reservado para si a pasta do Interior.

S. Ex.a é, sem favor de ninguém, um homem honrado, incapaz, portanto, faço.--Ihe essa justiça, de cobrir com o seu nome autênticas violências ou porcarias, pelo que certo fico de que em ponto algum do País -será possível repetirem-se aquelas scenas vergonhosas e escandalosas que há um ano o meu distrito presenciou.

Sr. Presidente: tenho diante de mim a declaração ministerial.