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Cessão de 25 de Julho de 1924

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Se S. Ex.a entende que a operação é vantajosa, essa operação que aliás não teve precedentes nos nossos processos 'financeiros, necessário é dizê-lo e defini-lo em termos bem claros, porque, não tenha a Câmara dúvidas, o mistério que se fez à roda dessa operação, o segredo que tudo isso revestiu, foi exactamente aquilo que fez despertar a desconfiança pública e conseqúentemente o agravamento do câmbio, pois que o câmbio ó sempre perniciosamente, influenciado pela desconfiança no público.

Portanto, ou mantenha S. Ex.a a operação, ou faça regressar ao País a prata, o- que ó necessário é que explique claramente a sua atitude.

Eu rebusquei também, com compreensível interesse, o que rezava a declaração ministerial com referência às ilhas adjacentes, ou, pelo menos, acerca da Madeira.

Perdoe-me a Câmara o egoísmo, mas vendo eu as duas primeiras cadeiras ministeriais ocupadas por dois ilustres madeirenses, capacitei-me — exactamente porque este facto era absolutamente inédito— de que S. Ex.as se lembrariam da nossa linda terra, daquela formosíssima ilha, sem rival no mundo, sempre tam apreciada e cobiçada pelos estrangeiros, sempre tam esquecida e ignorada pelos portugueses, que têm acerca dela, e isto até nas altas regiões, as mais bizarras e estravagantes ideas.

Li, pois, e reli a declaração ministerial, mas em vão.

S. Ex.as não tiveram um único pensamento para a terra em que nasceram.

Porquê ?

£ Julgam S. Ex.as que a ilha da Madeira atingiu já o máximo grau de desenvolvimento e de prosperidade, de nada mais precisando?

Infelizmente não é assim.

Não há dúvida de que a nossa terra, Sr. Presidente do Ministério, acusa nos últimos catorze anos um grau acentuado de progresso e de desenvolvimento, graças na sua maior parte ao esforço tenaz e persistente dos seus laboriosos filhos, que são o exemplo vivo do trabalho profícuo e honrado, e em nada ou quási nada ao favor oficial.

É certo também que desde há vinte anos temos a autonomia administrativa,

mas com tam escassos recursos financeiros que bem pouco tem sido possível efectivar-se, e as poucas obras realizadas representam muito esforço e acentuado espírito de sacrifício.

Bem podiam, pois, os Srs. Presidentes do Ministério e Ministro da Justiça aproveitar a ocasião da sua passagem pelo Poder para se lembrarem da sua terra, não para lhe fazerem favores, porque não queremos esmolas nem delas precisamos, mas sim e tam somente para que lhe seja feita justiça, dando-se-lhe um maior quinhão daquilo que é muito dela, daquilo que honradamente produz coni o suor do rosto dos seus filhos, a fim de que assim a Madeira possa conseguir aqueles melhoramentos por que há tanto almeja, ou, pelo menos, possa prosseguir na construção das estradas, sem as quais a Madeira não pode explorar devidamente as suas múltiplas riquezas, nem dar incremento à indústria do turismo que é precisamente aquela que maiores vantagens lhe trará no futuro.

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A situação da Junta Geral define-se em duas palavras: antes da guerra, o rendimento da Junta Geral andava por 200 ou 200 e tal contos por ano. Dada a desvalorização da moeda, que tem de ser computada —e isso já é favor— em 30 vezes, precisaria a Junta Geral de ter agora um rendimento nunca inferior a 6:000 ou 7:000 contos.

Pois muito bem, a Junta Geral este ano, e pela primeira vez, terá um rendimento à roda de 3:000 contos, o que significa que a sua situação é bem pior do que antes de 1914, porque representa metade do rendimento que então tinha.