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Diário das Sessões do Senado

putados, era conveniente que S. Ex.a dissesse, duma forma clara e terminante qual a solução que pretende adoptar!

Ainda a propósito do Governo anterior, presidido pelo Sr. Álvaro de Castro, pela lei n.° 1;424, o Governo fora autorizado a trocar a prata por ouro; quer dizer fazer uma operação única.

A intenção do legislador foi para que se fizesse a troca da prata por -ouro e nunca uma operação de venda.

O Sr. Álvaro de Castro em vez de se sujeitar aos princípios e regras da contabilidade, que manda que operações dessa natureza sejam feitas por concurso público, S. Ex.a entendeu que devia fazer a venda conforme entendesse e quisesse.

A prata lá foi, uma parte, de longada para o estrangeiro.

Outra parte encontra-se ainda na Casa da Moeda e Banco de Portugal.

Ora a continuação rigorosa da obra do Governo anterior importa a remessa da prata toda para o estrangeiro.

Estou certo que S. Ex.a não se meteria numa cousa destas, senão nos termos dessa autorização.

Não sei; a única parte que eu compreendo ser isso possível, é valorizando a peãsoa do Sr. Alberto Xavier.. .

A única forma de continuar a obra do Governo anterior é dar uma colocação melhor ao Sr. Alberto Xavier, até ele chegar à categoria superior de tubarão da República...

O Sr. Álvaro de Castro entendeu que o Sr. Alberto Xavier devia estar no Banco de Portugal a exercer funções gratuitamente.

Apesar, porém, dessa gratuidade, como o Banco não o consentisse lá, o Sr. Alberto Xavier foi então nomeado para os caminhos de ferro.

JRisos.

Mas, Sr. Presidente, a obra do Governo passado foi também de ruína do Estado. Colocou o País numa situação desgraçada.

A Companhia Portuguesa recusou ao Governo todas as requisições de passagens, a Companhia dos Telefones cortou as comunicações para os Ministérios

do Comércio e da Agricultura, alguns credores recusaram-se a pagar certas verbas ao Ministério das Colónias.

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Se se tratasse de valorizar a situação do Estado, seria uma obra de reconstrução.

Não compreendo como é que a Companhia Portuguesa recusa requisições do Governo e o Governo não a faz entrar na ordem.

A aludida Companhia recebeu por conta das reparações en nature algumas locomotivas.

jPois essa Companhia ainda não pagou ao Estado nem l centavo por conta dessas locomotivas porque diz que não há lei que a obrigue!

Más também' não há lei que conceda licença á Companhia para ter as locomotivas em seu poder.

Essa Companhia, devedora do Estado não pode ter autoridade moral para negar as requisições que lhe são feitas.

A Companhia dos Telefones, qne vive num regime de excepção, com telefones num estado tal que é preferível, todos o conhecem, não falarmos por eles; um serviço vergonhoso, que constitui quási um exclusivo, não tem direito de cortar telefones dizendo que o faz porque o Estado não lhe paga.

^Porque é que o Estado não toma conta da Companhia e não a mete na ordem ?

Outro ponto, Sr. Presidente, que (não é novidade para ninguém. Quero refèrir--me ao descrédito a que chegou o Banco Ultramarino na transferência de fundos conforme referem os jornais.

Chegaram as notas do Banco Ultramarino a ser vendidas à porta; um detentor delas que as fora trocar, como ninguém lhe desse nem 1000 por 20$00, ele então, por espírito de indisposição com o Banco, vendeu-as à porta por todo o preço.