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das Sessões do Senado

rio da Instrução para pedir a transferência de uma escola normal duma freguesia para outra que não tinha escola alguma, ao passo que a que tinha a escola normal, que funcionava há três anos, tinha, além dessas, duas escolas fixas.

As duas freguesias pertenciam ao mesmo concelho.

O meu pedido era justo e legal e, pelas informações que me deram, suponho que não haveria dificuldades na transferência da escola; mas, como tivesse decorrido bastante tempo depois do meu pedido, e a transferência se não fizesse, fui saber qual b motivo, e informaram-mo que o Sr. Ministro necessitava do falar primeiramente com uma pessoa da terra a esse respeito.

Quere dizer, o Sr. Ministro .precisava de saber se da transferência de tal escola lhe viriam alguns prejuízos políticos;, alguns votos a menos, E claro que eu, com o meu feitio, disse :

—Muito boas tardes, passem muito bem.

E nunca mais lá voltei. Porque isto revolta-me. A transferência não se efectuou.

E assim que se olha para a instrução e educação do povo.

É preciso também ter em vista que não basta criar escolas e nomear professores, é necessário atender à qualidade desses professores, porque infelizmente nem. todos os actuais professores de instrução primária estão nas condições de educar crianças. A responsabilidade do mestre-escola é muito grande.

A respeito do habeas corpus vejo novamente nesta declaração ministerial a promessa de que se regulamentará. Oxalá que isso não fique só em promessas. Para vergonha da República já basta estarmos há quatorze anos sem essa regulamentação.

ji indispensável alterar o regime penal e prisional, e também acabar com os calabouços infectos que existem no País para vergonha nossa. Ainda há pouco tempo, alguns amigos meus foram injustamente vexados com a prisão num desses calabouços. Preguntando se não havia mantas com que se cobrissem, a polícia, à luz de uma fresta, mostrou-lhes um pequeno trapo, um serapilheira suja. Quando pediam água para se lavar, diziam-lhes que lá não era costume ninguém^ lavar-se, e se

pediam água para beber faziam correr um jacto do água sobro uma pia com dejectos. Isto passou-se na esquadra do Caminho Novo.

Vou terminar, dizendo que o Governo não pode coutar coin o meu apoio, não pode o Govôrno contar coin a minha confiança. Porque este Goyt-ruo, corno os outros que o antecederam, enferma do mesmo mal, não só pela forma como é constituído, como também polo facto da maioria em que se apoia não me merecer confiança absolutamente nenhuma, visto que é a essa maioria que atribuo todas as res-ponsabilidades do descalabro em que vivemos o do descrédito do regime.

Portanto, emqUanto não houver um Governo estável, com força, com energia para realizar a obra que ó necessário que só faça, nenhum Governo há-de contar com a minha confiança. E estou certo do que assim cumpro patriòticamente o meu dever.

Tenho dito.

O Sr. Dias de Andrade :—Em nome da minoria católica . ou apresento as minhas saudações ao novo Governo e ao seu ilustro Presidente, Sr. Vitorino Guimarães.

Não vou discutir a constituição do Governo ; não me interessa isso, nem tam pouco a declaração ministerial.

Esta, como tantas outras dos muitos Governos que têm passado por estas cadeiras, ó, apenas, uma promessa ou muitas promessas; significa, apenas, boas intenções, e não é com boas intenções nem com palavras, por mais belas que elas sejao, quo se faz a prosperidade de um povo.

Per isso, Sr. Presidente, a minoria católica aguarda os actos concretos do Governo para os apreciar à luz da justiça, e em função dos interesses gerais da colectividade.

O nosso País, Sr. Presidente, tem neste momento uma aspiração única; carece apenas duma única cousa, que tem o direito do exigir a todo o Governo: é ser bem governado.