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Sessão de 7 e 8 de Julho de 1920

quadros do exército e foi-me declarado simplesmente que pelo ingresso dos oficiais milicianos os quadros constantes da reorganização do exército de 1911 estão excedidos em muitas dezenas de oficiais.

E se estas censuras que merece tantas vezes o Governo da República polo facto de permitir e consentir, sem esclarecer devidamente o assunto, que a imprensa diga que há oficiais a mais, como o disse ainJa há pouco tempo o jornal O Século em artigo de fundo, £ porque é que o Governo não dá o nó górdio na questão organizando os quadros militares?

Não posso ir além destas pequeníssimas considerações.

Apenas ainda para salvar a honra do convento republicano, para evitar que os adversários do regime e os insatisfeitos dos Governos da República uma vez mais explorem a situação, eu espero que o Sr. Ministro da Guerra, que é um civil e que portanto não tem aquele espírito de casta, há-de atender as aspirações justas do exército e nomeadamente as aspirações de todos os republicanos que desejam que não haja escândalos dentro da pasta da Guerra.

Diz a declaração ministerial que o Governo segue com toda a atenção os acontecimentos do Extremo-Oriente, fazendo votos por que rapidamente se estabeleçam a paz e a tranquilidade entre a China e as outras nações.

Sr. Presidente: este é um ponto internacional que eu posso também versar, embora não fizesse parte da Conferência da Paz nem nunca tivesse sido indicado para representar o Governo da República e a Nação Portuguesa lá por Paris, pelas bandas da Suíça ou pelas regiões mimosas da Itália.

Aqueles que tom andado no estrangeiro a defender os interesses da República, quiçá os da Nação, poderiam melhor do que eu apreciar o assunto que certamente foi ventilado e estudado nas múltiplas conferências realizadas e que ao Estado Português têm custado rios de ouro.

A questão da China, chamada questão do Oriente, pode trazer para Portugal horas de tristeza, pode até acarretar a perda daquela jóia colonial portuguesa que é Macau, a qual representa uma tradição grande para os portugueses, tam grande que basta recordarmo-nos dos Lu-

síadas e de Camões para sentirmos a necessidade de defender essa pérola colonial com toda a dedicação e com todo o esforço.

Dizem os jornais que o Governo mandou um navio de gueira para acautelar e defender aquela nossa colónia, na qual os interesses portugueses são já arcaicos porque vêm desde a guerra do ópio.

Eu desejaria ver o Governo disposto a fornecer à província de Macau todos os meios de defesa possíveis e até imagináveis.

A possibilidade de defesa de Macau não é tam grande que possa dispensar a assjstência da metrópole.

É preciso não confiar somente no patriotismo do seu governador, dos seus "funcionários e da própria população; é preciso dar-lhe os meios de defesa necessários para poder continuar a subsistir ali a soberania nacional e esta man-ter-se há com armas, munições, navios de guerra, soldados, -boa artilharia e melhor aviação.

Não espere o Governo pela hora infeliz do uma derrota para depois fazer acordar o patriotismo nacional e mandar--Ihe já tardiamente os meios que melhor seria que existissem já hoje em Macau, não como ameaça para a república da China, mas como demonstração de força, de vitalidade e sobretudo como arma de defesa da própria colónia.

Sr. Presidente: dirijo-me ao Sr. Ministro do Interior, criticando a declaração ' ministerial na parte que diz respeito ao melhoramento dos serviços policiais e de emigração.

Parece que foi esquecido o serviço a que devia estar subordinada a repartição de emigração ou comissariado geral de emigração, e parece porque o bloco de onde saiu o Governo do Partido Democrático e Acção Republicana não- soube encontrar para governador civil de Lisboa, senão o comissário geral do serviço de emigração.

'Bastaria este facto para me justificar o rompimento polo Sr. António Maria da Silva desse bloco.