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Diário das Sessões do Senado

há cadastros, não se sabe quais são as escolas que estão vagas, as que estão preenchidas interinamente, nem tam pouco as que não têm casa!

Sabe S. Ex.a que em virtude do desleixo deste Ministério deixaram de pagar as rendas em devido tempo rnuitas escolas e tiveram de sair dos edifícios onde estavam instaladas por terem recebido ordem judicial de despejo.

Projectou-se uma reforma do Ministério da Instrução, projecto esse que não foi aprovado na Câmara dos Deputados e só encontra no Senado, mas ainda não tivemos tempo de estudar esse assunto.

Pelo conhecimento muito restrito que tenho dossa reforma, parece-me que ela vai custar muito dinheiro ao Tesouro e talvez os seus resultados não sejam tam profícuos como o autor dela julgava.

Pelo Ministério do Trabalho também se dão factos que merecem ponderação. No Parlamento passou uma lei que dá ein resultado acabar por completo a indústria mineira em Portugal. Eu não estava tio País; se estivesse não só a guerreava como lavrava o meu mais solene protesto.

Já tive ocasião de interpelar o Sr. Ministro do Trabalho do Governo passado, sobre este assunto e tenciono apresentar um projecto de lei modificando a parte que se refere a esta indústria miceira, que, apesar de tudo, faz entrar muito oiro para o País, ao mesmo tempo que emprega muitos milhares de operários.

Renovo os meus cumprimentos ao Ministério, especialmente ao Chefe do Governo declarado que estou pronto a colaborar no sentido de que S. Ex.a alguma cousa possa fazer a bem da Pátria e da Republica.

Tenho dito.

O Sr. Presidente do Ministério e Ministro da Guerra (António Maria da Silva):— Sr. Presidente do Senado: intervieran no debate sôb^e declaração ministerial os seguintes Senadores: Catauho de Meneses, Augusto de Vasconcelos, D. Tomás de Vilhena, Mendes dos Reis, Procópio de Freitas, Roberto Baptista, Ribeiro de Melo, José Pontes e Álvares Cabral.

A todos eles ou agradeço muito penhorado as expressões com que receberam o Governo porque mesmo aqueles que dis-

cordam do qualquer ponto de vista inserto na declaração ministerial por serem da oposição foram penhorantes para o Governo, e nada mais me pode satisfazer do que a justiça feita aos meus colaboradores.

Alguns velhos amigos e condiscípulos referiram-se com tais palavras ao que chamam os meus méritos que sendo embora exageradas são coadas por lábios-amigos e eu não posso jamais esquecê-las-embora ea esteja de há muito acostumado à ternura que tem vindo através da vida dos secs actos para comigo.

O ilustre leader do Partido Democrático Sr. Catanho de Meneses, meu ilustre colaborador no Ministério de 1922, a quem esse Ministério tanto deve pelo seu bom conselho, pelo seu fino critério, por tudo quanto exorna S. Ex.a e que é bem conhecido do Senado, referiu-se a mim e aos meus colaboradores por uma forma tam gentil, tam cativante, tam própria da sua fina educação e dos seus belos sentimentos que S. Ex.a deve saber quanto isso é grato ao meu espírito e ao meu coração..

Ao Sr. Augusto de Vasconcelos devo dizer que uma grandf» parte da obra que fez o meu principal Governo deve-se principalmente a S. Ex.a, e S. Ex.a bem sabe que apesar de a nossa declaração ministerial ser bastante longa nessa época e que» foi apresentada ao Congresso da República depois do regresso a Lisboa do Presidente da República de então o grande republicano Dr. António José de Almeida, em grande parte esses problemas foram cumpridos, estando entre esse número um que durante bastantes anos de República e mesmo no tempo da monarquia o não tinha sido: — a modificação do sistema tributário.

Essa obra não foi continuada pelos outros Ministérios, e eu com estas palavras não ofendo o grande homem público que é o Sr. Álvaro de Castro porque não pré-' ciso amesquinhar seja quem for e principalmente quem tam bem intencionado é como S. Ex.a que bastantes serviços tem. prestado ao País.