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Diário das Sessões do Senado

vêrno, na sua acção em face sobretudo do problema eleitoral, o na sua acção em lace de tantos germens de perturbação, que têm infelicitado a República e a Na- . cão, tivesse três atributos na sua acção em face do problema eleitoral.

Palavras do Sr. Silva Barroto: desejava que o Governo fosse imparcial; desejava que o Governo afirmasse por todas as correntes o por todas as opiniões o máximo respeito; desejava que o Governo desse a todas as correntes de opinião a garantia de uma livre expressão quer na propaganda quer nas urnas.

Chamo eu a estas palavras do Sr. Silva Barreto palavras notáveis por parte do representante de um partido que tem sido acusado, e já durante o debate político, quer nesta Câmara quer na outra o foi, de desejar obter para si o máximo de vantagens, o máximo de condições favoráveis para perante o acto eleitoral ser superior no seu êxito aos êxitos quo os outros partidos o as outras correntes de -opinião pudessem obter.

Confirmaram as palavras de S. Ex.a as afirmações feitas por mim aos representantes dos partidos quando fui encarregado pelo Sr. Presidente da República de dar uma solução à crise ministerial; pois"a todos afirmei que, embora pertencendo a um partido e por acaso fazendo parte até do seu corpo dirigente, não iria para as «adeiras do Poder com o espírito reservado de favorecer um partido mais do que qualquer outro ou fazer qualquer cousa «m benefício deles que pudesse ser ofensivo da justiça e do respeito devido aos outros.

A obra de pacificação que o Governo deseja efectuar corresponde, de facto, ás intenções mais firmes e mais honestas de promover á pacificação dos espíritos, começando pelos meios políticos, que são os mais próprios a agitações, para daí essa pacificação irradiar para toda a população portuguesa.

Todos verificamos que os superiores interesses da Nação não têm sido devidamente encarados pelos Governos, não têm sido resolvidos na hora própria, nem sequer têm sido estudados lia hora precisa.

As pessoas que têm acentuado esta verdade não podem de modo nenhum ter no seu espírito a idea do que todas as pessoas quo têm passado por estas cadeiras

não têm dado solução aos diversos problemas da administração por falta de compete n cia, por falta de amor à Pátria e á República.

£ Porque /é então quo essas pessoas, tendo essas qualidades c muitas delas em' alto grau, não têrn produzido uma obra benéfica para o P is?

É sempre pela mesma razão; porque, de facto,, temos vivido entretidos em lutas pequeninas, porque temos andado à roda de vantagens partidárias o do vantagens políticas., e quo muito têm contribuído para quo os homens públicos do Portugal hajam decaído cada vez mais na consideração pública.

O Poder Executivo e as instituições parlamentares têm de facto perdido, no conceito geral do País, uma respeitabilidade que ó indispensável restabelecer. Tem se dito quo das instituições parlamentares ó que advém todo o mal que o País atravessa.

Profundamente parlamentarista e, no fundo, um dos mais respeitadores das instituições parlamentares, entendo que elas, por muito más que sejam, laborando, com todos os seus erros, são sempre superiores a qualquer Governo pessoalista, a qualquer homem, por muito superior que seja.

Apoiados.

Eu não posso, de modo nenhum, participar desta doutrina e desta opinião.

Mas, se assim "é, todos nós devemos meter a mão na consciência e fazer a confissão dos nossos erros.

Por mini não tenho nenhuma espécie do repugnância em o fazer.

Os nossos erros são elevados ao excesso quando nos combatemos uns aos outros por divergências de programas e elas não são tam profundas como se pode supor.

Sr. Presidente: £ porque é .que nós havemos de pôr estes sentimentos em primeiro plano, porque é que nos havemos de atacar uns aos outros como se não fôssemos filhos da mesma terra e não havemos de trabalhar no sentido de produzirmos todos alguma cousa de útil para este País se somos todos filhos da mesma Pátria? .