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398 DIÁRIO DAS SESSÕES - N.º 140

Não irei enumerá-los todos, porque isso seria impossível, mas citarei apenas alguns factos para exemplo.
Quando da Campanha do Trigo se criou a brigada e nos deram mais amplos meios de acção para visitar todos os concelhos e estabelecer campos de demonstração de adubações racionais e outros em muitas freguesias, encontrámos um concelho, o de Moura, que teca boas terras de barro, mas, como tais, exigem adubações pelo menos azoto-fosfatadas para produzirem bem.
Neste concelho não se empregava então um só quilograma de adubo azotado.
Mercê da propaganda e instruções da brigada, o sindicato agrícola mandou logo vir algumas toneladas de sulfato de amónia, e antes da última guerra, quando havia facilidade em adquirir adubos azotados, já se empregavam naquele concelho muitos vagões de adubos azotados além do superfosfato.
O emprego do azote com o fósforo, nas doses convenientes, aumenta a produção de pelo menos, um terço, mas pode ir até 50 por cento em anos bons, e, desde que os adubos azotados se continuam a empregar, ninguém poderá contestar este beneficio na técnica cultural, que se traduz no aumento da produção cerealífera.
Duma maneira geral a brigada, criou uma técnica especial na adubação das terras de barro de toda a região e mesmo nas terras geladas, embora menos generalizada nestas, a ponto de valer a pena a uma empresa de adubos pedir autorização para industrializar as formulas por nós preconizadas para os principais terrenos-tipos da região, por lhe serem insistentemente pedidas essas misturas pelos seus clientes.
O melhor trabalho das terras de barro, por meio das charruadas de verão, que já se faziam com alguns jogos de lavoura por meio de cabos, tomou grande incremento com o uso das autocharruas do Estado, que a brigada alugava, e agora, depois de gastas, estão sendo substituídas por modernos tractores dos particulares. Algumas máquinas tem os técnicos da brigada ideado e modificado outras, que hoje são largamente usadas na região e alguma coisa terão contribuído para o progresso da técnica cultural.
A poda racional da oliveira por nós preconizada vai sendo seguida em todas as zonas mais olivícolas da região, onde se puderam fazer cursos de podadores, e há já podadores em todos os concelhos olivícolas, sendo no entanto necessários muitos mais. A brigada continua por isso habilitando por ano cerca de trinta podadores, além de muitos outros em pequenos núcleos dispersos que não frequentam os cursos, e por isso os podadores que os constituem não são encartados.
Se me permitem a modestia, direi até que da minha brigada saíram as normas escritas sobre a poda da oliveira que hoje estão sendo seguidas mais ou menos por todas as brigadas nos cursos de podadores que se realizam no País.
Em todos os olivais onde se adoptou o novo regime de poda, tanto naqueles em que os trabalhos são orientados há anos pela brigada, como nos dirigidos por particulares, as produções aumentaram consideràvelmente e a alternância das safras e contra-safras é menos sensível. Julgo que isto é muito importante, e deve-se à actuação dos serviços oficiais.
Segundo o último relatório dos serviços arborícolas e hortícolas, encontram-se já habilitados em todo o País:

[ver tabela na imagem]

Há no entanto muitas zonas olivícolas onde ainda não chegaram os podadores encartados, o que mostra a necessidade de ampliar ainda estes serviços.
Muitas outras normas técnicas a brigada de Beja tem espalhado e continua a divulgar por meio das suas folhas de divulgação, das quais já estão publicadas quarenta e três (e continuam a publicar-se mais). Enviam-se gratuitamente a quem as pede e têm sido pedidas de todo o País.
Nos nossos campos experimentais e postos, tanto no de Vale Formoso, nas terras pobres da serra de Mértola, como no do Campo Branco nas terras galegas, e no do Soeiro, nos barros frios de Beja, têm-se feito ensaios e experiências sobre alqueives, adubações, métodos de sementeiras, adaptação de trigos e de forragens, além da criação de novos trigos híbridos, que se espera se adaptem às respectivas regiões, com vantagens sobre as antigas variedades.
Muitos outros ensaios de plantas e de métodos de cultura constituem ensinamentos e material precioso, que é preciso divulgar por toda a região; mas isso só é possível (cá estamos sempre perante a mesma dificuldade) quando os serviços forem convenientemente dotados de verba e de pessoal e estejam devidamente apetrechados para chegarem a todos os pontos onde for necessário levar estes ensinamentos.
Para se poder aproveitar e divulgar esse valioso material, que se vem acumulando há anos, e produzir outro muita falta está fazendo a Estação Agrária de Beja, de há muito projectada, mas que ainda não foi instalada, por falta de verba/apesar de já haver para esse fim 70 hectares de bom terreno e bem situado, junto à cidade, para a aquisição do qual muito, e principalmente, contribuiu o antigo governador civil de Beja e hoje ilustre membro desta Assembleia, Dr. Magalhães Pessoa.
Mesmo não desejando alongar demasiadamente esta apreciação ao parecer e justificação do meu ponto de vista, não resisto à tentação de ler, devidamente autorizado, a seguinte passagem de um relatório, ainda inédito, da Direcção Geral dos Serviços Agrícolas, na parte relativa à acção dos seus serviços de culturas arvenses, relatório que, apesar de ser redigido em forma telegráfica, tem a sua publicação calculada em cerca de 400 contos, e certamente não se publicará, por falta de verba:

Pode-se afirmar que o melhoramento das técnicas culturais realizado nestes últimos dez anos é verdadeiramente notável, não nos custando acreditar que se conseguiu elevar em Portugal o nível destas técnicas mais depressa do que em qualquer outro país da Europa, o que não impede que a grande maioria dos agricultores portugueses se encontre ainda num apreciável estado de atraso, em virtude de se ter partido inicialmente de nível muito baixo.
Deve-se destacar o domínio que hoje se possui sobre certos ramos da técnica cultural, que nos permite, sem hesitações, indicar para qualquer região, terra e cultura, salvo casos excepcionais e imprevistos:

A) As fertilizações mais convenientes;
B) As mobilizações de terras mais apropriadas;
C) As máquinas agrícolas mais recomendáveis para a realização dos diferentes trabalhos;
D) As espécies e variedades de plantas melhor adaptadas a cada caso cultural considerado - cereais, forragens, batata, cânhamo, etc.;
E) Os melhores métodos de ensilagem e os tipos de silos mais económicamente recomendáveis;