O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

21 DE NOVEMBRO DE 1952 1125

industrial mas não chega para satisfazer certas aspirações mal definidas de electricidade barata.
Não se pretende que o conjunto de centrais atrás apontadas para execução dentro dos próximos seis anos constitua a única solução do problema. Mas o certo é que dos sistemas hidroeléctricos com projectos em fase adiantada não há muito mais por onde escolher.
De facto, passemos esses outros aproveitamentos em rápida revista. A central de Fratel, no Tejo, é muito cara em face da sua capacidade de produção, considerada isoladamente; segundo um estudo preliminar apresentado pela empresa, foi possível atribuir à energia permanente o preço de $32 por kilowatt-hora - francamente fora dos limites que atrás se chamaram razoáreis. Há, contudo, um projecto mais recente, tendo em conta a regularização do Ocreza, que conduzirá seguramente a valores melhores e será porventura uma solução a aproveitar; esta central, assim como a de Belver, já construída, melhorarão as condições de produção quando o Tejo, mercê das regularizações em Espanha, aumente o seu caudal de Verão.
A central do (Sabor, estudada há muitos anos pela hidráulica agrícola, é, seguramente, um aproveitamento interessante pela sua finalidade múltipla de rega o energia; mas como o projecto foi elaborado numa época em que colocar 100 milhões de kilowatts-hora (sua produção prevista) era um problema, com a agravante de que n produção de energia tinha nos objectivos da obra um papel acessório, receia-se que tal projecto não esteja adaptado às ideias de hoje; pensa-se que vale a pena retomá-lo e, sem perder de vista a rega de Vilariça, integrá-lo num estudo completo da bacia do Sabor.
O aproveitamento conjunto do alto Mondego e do alto Zêzere reúne, como o anterior, as duas finalidades de gerar energia e dar água para rega da Cova da Beira; mas como o projecto foi feito por uma entidade particular com o objectivo de produzir energia, e as necessidades da rega, juntamente com a adaptação das obras a esse fim, necessitam do estudo das entidades oficiais competentes, o que ainda se não fez, não se considera este sistema em condições de ser proposto para execução imediata.
E acabou-se tudo que há de concreto. Parece não ficarem grandes dúvidas sobre, a legitimidade da preferência, que se deu às centrais propostas para construção nos próximos anos.
É evidente a necessidade de novos estudos, para que, ao findar o Plano que neste momento se discute, se não ofereçam as dúvidas que ainda hoje se oferecem sobre o Douro.
Independentemente do Sabor, do alto Mondego e de outros aproveitamentos que se apresentem de novo (nomeadamente os que os concessionários estudem para total utilização das bacias concedidas), é intuitivo que o estudo do Douro e seus afluentes não concedidos deve continuar até total esgotamento do assunto; é trabalho que os serviços oficiais não podem abandonar.
Quanto ao Tejo, há nele, seguramente, curiosos problemas, que ultimamente vêm sendo debatidos e que interessa investigar. O seu aproveitamento hidroeléctrico em toda a extensão utilizável, incluindo o troço internacional, a sua melhor regularização por conjugação com o Ocreza e bombagem no Inverno, o desvio da água para rega em grande escala, são temas que merecem a atenção de um estudo de pormenor. A única reserva que se oferece é a de que, magro de caudal como é no Verão, o Tejo não deve permitir um aproveitamento hidroeléctrico barato sem que, como se disse atrás, nos venha de Espanha - e há obras em curso nesse sentido - uma regularização substancial. É por isso que se pensa que o aproveitamento integral do Tejo não será oportuno nos anos mais chegados.

5) A CAPACIDADE DA PRODUÇÃO. - Com as centrais hidráulicas existentes e aquelas cuja construção ficou prevista poderão produzir-se em ano médio os volumes de energia que a seguir se indicam, considerando-se apenas o conjunto da rede interligada, isto é, com exclusão, como atrás se disse, das produções de serviço particular e das pequenas centrais de serviço público, não integradas no Repartidor Nacional de Cargas. Fará 1952 faremos a estimativa seguinte, de acordo com os números já atrás indicados:
Milhões de
Kilowatts-hora
Produção total prevista.................. 1 390
A deduzir:

Produção de Massarelos.......... 30
Outra produção térmica dentro
do Repartidor Nacional de Cargas 30
Serviço particular.............. 80
Serviço público não integrado no
Repartidor Nacional de Cargas... 50 190

Produção hidráulica dentro do
Repartidor Nacional de Cargas... 1200

Verifica-se assim que no ano corrente se produzirão, se o Verão de S. Martinho não for muito longo, 30 milhões de kilowatts-hora térmicos, que poderiam ter sido dispensados; mas o facto não resultou tanto de insuficiência das centrais hidráulicas como de só no correr do ano se terem completado algumas interligações.
Importa, notar que para este resultado contribuiu o facto de as novas centrais do Castelo do Bode e Vila Nova terem produzido mais energia do que a que lhes atribuíram as previsões oficiais, apesar de as chuvas do no corrente não terem excedido a média.
Assim, Castelo do Bode deve findar o ano com cerca de 350 milhões de kilowatts-hora e Vila Nova com cerca de 170, embora esta central tivesse podido produzir mais uns 20 ou 30 milhões nos primeiros meses do ano, o que não fez por falta de mercado. Há, pois, uni excesso sobre as estimativas oficiais de aproximadamente, 300 milhões de kilowatts-hora no conjunto das duas Centrais, resultado de três factores concordantes: o primeiro é o de que a produção média permanente, como já se disse que acontece, é superior ao valor calculado; o segundo é o de que, tendo-se feito com as duas centrais um importante fornecimento â electroquímica. que é em parte temporário e, portanto, sobreponível ao permanente, n produção das centrais resultou superior; o terceiro reside no melhor aproveitamento da água, que se obteve com a exploração conjunta das duas albufeiras, feita através do Repartidor Nacional de Cargas mediante o prévio acordo das empresas.
Para o ano de 1953, independentemente da produção de novas centrais, teremos de contar com o que algumas unidades já existentes poderão produzir e não produziram em 1952 por falta de mercado. Estão nesse caso:

Milhões de
kilowatts-hora
Vila Nova................. 20
Belver e Pracana.......... 30
Centrais do Alva.......... 10