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652 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 134

o paga [...],[...] ou recebe [...] tensão e satisfaz

de 40 000 t de algodão, , que em 1904 comprara 35 0001. [...]mania quatro acordos comerciais, e a promessa de aquisição de uma parte de arroz daquele país.
Há no Afeganistão investimentos em obras aproavas no valor de 3 500 000 dólares e um acordo comercial válido por cinco anos.
A Inglaterra dava à Jordânia -eu disse «dava» -10 milhões de libras - no corrente ano financeiro 12 700 000 libras. De 1946 para cá emprestou 75 milhões de libras.
Nem por isso conseguiu que a Jordânia aderisse ao pacto de Bagodá.
O comandante inglês da Legião Árabe é destituído das suas funções pelo rei Hussein e outros oficiais ingleses são também afastados.
Três países sem dinheiro aparecem feitos milionários de um dia para o outro: o Egipto, a Síria e a Arábia Saudita dividem entre si o encargo do auxilio inglês e oferecem ao Governo de Ama a generosa dádiva anual de mais de uma dúzia de milhões de libras.
Os Holandeses perdem a Indonésia.
Apagada a presença do Ocidente, a Rússia mostra-se ao jovem país fabricado à pressa com a pele de cordeiro da sua assistência económica.
Demite-se o Governo do Líbano por causa, diz-se, das suas negociações com a China, a Polónia e outros países além da «cortina de ferro», que «gelaram» as relações amigáveis com o Ocidente.
Na África do Norte andam os terroristas, com o nome de nacionalistas, a dizimar vidas e fazendas. Andam, a despeito da independência ... Nem ao menos se deu paz ao território para se dar autoridade à opinião.
Transigiu-se, negociou-se. Os bandos de insurrectos (a liberdade dos nomes!) continuam a matar e a incendiar. Não querem, talvez, a chamada interdependência...
E não tardarão, porventura, as tarefas comerciais, os contratos, as promessas, os planos, os auxílios, a penetração económica soviético-comunista.
Até que ponto esta ofensiva, toda esta ofensiva, poderá desordenar os esquemas da produção dos países do Ocidente?
Até que ponto esses países se verão forçados a perder hoje para poderem ganhar amanhã?
Até onde poderá levar a contra-ofensiva?
Que normas de previsão, de acerto económico, poderão resistir?
Repito: é muito difícil, é muito difícil estabelecer directrizes, manter rumos, salvar os programas do presente, dominar as perspectivas do futuro.

Vozes: - Muito bem!

O Orador:-Na sessão de encerramento da reunião de estudo sobre higiene e segurança industrial promovida pela Ordem dos Engenheiros o Prof. Marcelo Caetano, com a lucidez da sua visão e o poder da sua provada experiência de governante, atacou a política social baseada em motivos de propaganda, em ambientes demagógicos, em gestos espectaculares, e defendeu os planeamentos de conjunto para toda e qualquer acção económico-social.
Doutrina, escol consciente e eficiente, atenção às possibilidades do meio foram requisitos apontados pelo ilustre Ministro da Presidência para se poderem alcançar resultados duradouros.
Em três pontos fundamentais - sintetizou ainda - se firma o Governo no desenvolvimento da sua política social: elevação da riqueza através dos investimentos públicos e particulares, com vista ao aumento da produtividade; estabilidade de preços; justa repartição do poder de consumo.
Tudo para dar mais trabalho e mais rendimento aos Portugueses, mais garantias à produção, melhor nível de vida.
Política social nítida e conscientemente traçada. Mas a sua execução dependerá só de nós?
Recorde-se, por exemplo, a última reunião da O. E. C. E., em Paris, a liberalização das trocas para a criação de um vasto mercado livre europeu, ligada à necessidade de os compromissos assumidos e a assumir para tal fim deverem assentar numa base de perfeita reciprocidade, para cujo cálculo efectivo terá de entrar, como primeiro factor, o nível das tarifas aduaneiras com referência aos esforços a desenvolver por cada país.
Sr. Presidente: enumerei as razões que me levaram a subir a esta tribuna; fiz uma nota muito breve do déficit da nossa balança comercial; castiguei a ideia simplista do equilíbrio fácil; preenchi um quadro de acção; coloquei o País dentro desse quadro; admiti falhas de execução, omissões, erros; no entanto, imaginei o contrário; imaginando o óptimo de previsão e execução, dei conta dos embaraços emergentes da ordem -ia a dizer: da desordem- internacional; a propósito salientei a marcha da penetração económica do bloco comunista, designadamente nos países subevoluídos; apontei as consequências de tal penetração - as consequências para o mundo livre, para a sua economia; referi afirmações do Sr. Ministro da Presidência relacionadas com a política económica e social do Governo Português; perguntei se essa política dependia só de nós.
E tudo isto, Sr. Presidente, para quê?
No final da sua declaração de aviso prévio o Sr. Deputado Melo Machado reparou na falta de um organismo destinado a polarizar os movimentos da nossa balança comercial.
Antes de seguir o reparo e o desejo seja-me permitido começar pela necessidade, que se me afigura instante, de libertar cada Ministro dos afazeres a que chamarei de pura mecânica burocrática.
Assuntos de banal expediente, episódios sem a devida importância, notas ou resoluções de simples pormenor, deveriam, de um modo geral, ter andamento mais em baixo.
Por mais que se tenha feito neste particular, o certo é que os Ministros continuam assoberbados com a maré das coisas pequenas - das muitas coisas pequenas - que os impossibilitam de se dedicarem, como convém, às questões de fundo.
Contaram-me que certo funcionário superior, após duas horas de despacho com o Ministro competente, lhe pediu licença para objectar:

V. Ex.ª já reparou que está a trabalhar há duas horas e ainda não teve ocasião de exercer a sua inteligência?

Esta tragédia de não ter tempo, que está sendo a tragédia do exercício de muitas funções públicas, na esfera ministerial atinge um nível de gravidade inquietante.
Mas volto ao organismo polarizador:
Não há dúvida de que, em presença da situação internacional, de cada vez mais tecida por lances imprevistos de uma política económica de combate e salvação, apoiada nas exigências naturais e dirigida, aparentemente, pela actividade diplomática, mas comandada, no fundo, pelos rumos ideológicos e pelas conveniências da estratégia militar, se tem de melhorar o poder de coordenação.