12 DE JULHO DE 1956 1283
exposição, para não nos perdermos nos casos particulares, a que procurei fugir, por serem pouco relevantes para a orientação que penso dar às minhas considerações.
Em resumo, a integração corporativa efectiva-se quando a realidade tiver dado vida a consciência corporativa, e isto não é obra de arquitectos sociais nem »e cria por lei.
No económico é ao nível da empresa que começa, a operar o fenómeno da integração corporativa.
O agregado social «empresa» é comandado por uma simbiose de quatro consciências, que nela se encontram e se defrontam. À primeira, que a todas subordina e a todas sobreleva, é «a consciência do dever para com a empresa».
E a alma do grupo. Sem ela não se concebe o funcionamento eficaz da empresa ou simplesmente o seu funcionamento. À consciência do dever para com n empresa integra a consciência do dever para com os superiores (a consciência da disciplina), a consciência de que todos e cada um se devem ao objectivo supremo de contribuir para o bom nome e prosperidade da casa, o bem comum do grupo. E a consciência corporativa na sua mais bela florescência.
Depois vem a «consciência individual», a dos interesses específicos de cada um por oposição aos dos outros.
Depois, a consciência colectiva dos trabalhadores, a sua solidariedade de interesses por oposição nos de empresário, a «consciência de classe». e, finalmente, a «consciência empresarial», consciência complexa, misto de social, económico e político. O empresário na economia moderna já não age como simples agente ou instrumento da função económica fundamenta. - o lucro -, que lhe pertence assegurar.
É na medida em que as quatro consciências se harmonizam no sacrifício das ires últimas à primeira que se consolida a consciência corporativa, que afinal não é mais do que a consciência do dever para com o grupo.
Toda a vida social da empresa se resume a um constante esforço para se atingir esse equilíbrio na prevalência da lealdade ao grupo sobre as outras lealdades.
É na medida em que a empresa satisfaz as aspirações materiais e espirituais dos que nela trabalham que a integração se reforça e a paz social se alcança. Estabelecida a paz na empresa, célula do corpo económico, ela propaga-se ao conjunto social, impondo-se como vontade indestrutível da comunidade nacional.
Na medida em que impedirmos ou dificultarmos a coordenação ao nível da empresa e sindicalizarmos desde a origem estaremos a fomentar a desintegrarão e não chegaremos nunca, impelidos pela força centrífuga da cisão sindical na base, a nenhuma integração corporativa perfeita nos vértice».
A medida das várias lealdades é o problema social fundamental. Essa medida não pode deixar de ser a utilidade social. A maior contribuição para o maior bem social é o limite de cada subordinação, de cada lealdade.
O equilíbrio melhor se estabelece, mais natural surge ao nível da empresa, porque ali é viva e clara a consciência do bem comum, formada no contacto diário com as realidades da vida comum.
A corporação surgiria assim como o enquadramento natural das empresas ou dos organismos primários que as tivessem antes enquadrado.
E esta a forma de integração que a natureza inspira. Como tudo o que se forma espontaneamente, é simples e pode ser eficaz.
Estamos bem longe do liberalismo individualista e perdeu muito do seu conteúdo a luta de classes. A empresa moderna evolucionou no sentido do social com a transformação da mentalidade do empresário. O chefe da empresa do nosso tempo tem outra visão dos problemas e outra compreensão da função empresarial.
A empresa moderna, a grande empresa, apoia a gestão administrativa na constante observação 'e análise do fenómeno económico e social e subordina todos os factores ao conceito que forma do bem comum, que é um conceito complexo que abarca a prosperidade nacional, a prosperidade da empresa, n mais útil distribuição dos rendimentos entre o capital e o trabalho, entre o merendo dos capitais e o mercado dos consumos, em vista à expansão da produção, u elevação do nível de vida, à rentabilidade dos capitais e ao pleno emprego, tetralogia que o chefe da empresa moderna tem sempre presente em todos os seus actos, porque do conveniente equilíbrio dos quatro objectivo» resulta a segurança da empresa, que se desdobra na permanência da sua prosperidade e na continuidade da paz social.
Por isso o chefe da empresa segue com atenção a política, nacional e mesmo internacional, a política económica e a política social na sua formação e na sua execução.
A consciência empresarial expande-se assim para além do plano específico da espécie económica, do produto. E uma consciência com duas faces: uma virada para o grupo-empresa e para a espécie, outra para o agrupamento empresarial no seu todo.
A consciência colectiva do grupo empresarial forma-se em torno das ideias, dos interesses gerais. Aproxima-se do bem comum geral.
O agrupamento empresarial como tal - interessa-se muito menos pelos casos particulares de âmbito restrito, que - melhor são encarados e resolvidos ao plano da empresa, do que pela política económica e social, ou pelas medidas tomadas pelos governos no prosseguimento da sua política, porque são estas que afectam ou podem afectar a generalidade das empresas. £ este o plano da sua solidariedade.
A consciência, empresarial é uma realidade própria da função, que se não pode ignorar e não convém entorpecer, mas antes valorizar como poderosa força social quo no processo de formação do bem comum geral se feita filtre ele e o bem comum da empresa.
Creio não atraiçoar a realidade se afirmar que é da empresa (cuja transformação profunda se não pode ignorar) que há-de nascer a nação orgânica do futuro.
Por isso é tão importante no mundo moderno a função empresarial.
Talvez tenha sido inconveniente a desmedida preponderância dada na doutrina corporativa ao económico em vista a encontrar solução para o social.
Suplantando a economia de mercados pela economia dirigida e o preço-função pelo preço-ético, procurou-se chegar ao social através do económico.
O progresso técnico, tornando possível a produção praticamente ilimitada de bens, pôs à disposição da humanidade, civilizada um manancial inesgotável de riqueza, em todo o caso mais do que ela é capaz de consumir.
Quero referir-me ao que se passa nos países mais avançados e pode ser seguido em qualquer parte em que a segurança política e o respeito da propriedade privada, o dinamismo empresarial, a capacidade de organização e a existência de quadros adequados tornem possível a aplicação sem reservas dos processos constantemente renovados que a técnica põe ao dispor da produção.
Na era electrónica em que estamos vivendo e a dois passos da era atómica, o problema social já se não situa no campo das satisfações materiais propriamente ditas. O bem-estar material das massas já não é a preocupação dominante do nosso tempo nos países mais avançados do Ocidente. Ele está relegado agora aos países subdesenvolvidos e simultaneamente sobrepovoados.