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1284 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 164

A técnica se encarregará de ir resolvê-lo a breve prazo em toda a parte onde as cinco condições atrás apontadas se verificarem: segurança política, respeito pela propriedade privada, dinamismo empresarial, capacidade de organização e quadros adequados.
Hoje o problema já não é o da estabilidade do salário e do custo de vida. A estabilidade do salário real é um conceito ultrapassado, economicamente inconveniente, socialmente perigoso e politicamente inaceitável. O problema de hoje é o da estabilidade do custo de vida, sim, mas não da estabilidade do salário. Muito pelo contrário, hoje o que se pretende é o seu aumento real, constante e simultâneo com o aumento da produtividade.
São, pois, estes os dois problemas essenciais da ordem económica do nosso tempo. Todos têm a consciência deles a empresa, o operário e o Estado - e todos sabem também que a solução - está entregue à técnica v ao dinamismo empresarial e não constitui, por isso, um problema político activo «senão na medida em que tão Estado dependa ou possa depender o desenvolvimento da tecnologia e da sua aplicação, ou na medida em que a empresa ou o operariado atraiçoarem a sua missão, o que só por excepção pode ocorrer desde que funcionem os incentivos ou aumento da produtividade: o aumento de lucro para o empresário; o aumento do salário real para o trabalhador.
Creio, por isso, firmemente que o problema social deixou de estar indissoluvelmente soldado ao económico e que o problema que hoje se põe não é tanto o da miséria como o problema da insatisfação das massas.
Caminhamos num mundo em que o social vai estando crescentemente condicionado pelo técnico, em que o político e o espiritual terão de intervir mais e mais para corrigir as deformações mentais e morais a que o técnico conduz, para contrabalançar o seu crescente poder, a sua avassaladora tirania.
O problema social situa-se, assim, noutro campo, num campo mais vasto e transcendente: o da defesa da pessoa humana, da sua independência, da satisfação espiritual do homem; numa palavra, da sua felicidade.
Demos-lhe tudo o que poderia ambicionar os cómodos da vida, mas não lhe demos, com a riqueza, a felicidade. Nada do que possui é a sua obra, obra individual; nada criou, depende em tudo dos outros; sobra-lhe o tempo livre, vive na confusão publicitária; já não escolhe, escolhem por ele; já não pensa, pensam por ele; tudo está regulamentado, tem tudo ao seu dispor, num mundo de proibições; a lei persegue-o em qualquer sítio onde se mova, é guardado à vista como um criminoso.
A família descorou-se com a emancipação da mulher, primeiro, da criança, depois,- e, no fim, a degradação do chefe, sem poderes, sem autoridade.
A fiscalização intransigente mas humana dos vizinhos na terra ou no bairro, os companheiros na associação ou na igreja, da família em casa esvaiu-se no anonimato da cidade imensa e na dissolução das instituições intermédias, e o homem ficou só abandonado em faço do Estado absoluto, frio, inexorável na sua justiça abstracta, tardia, dura e preventiva.
O enfraquecimento dos grupos intermédios atirou o homem para a tribo irresponsável, em que se integrou para não viver isolado numa sociedade de indivíduos, sociedade ecléctica, corrompida, em que a noção do bem e do mal, do bom e do mau, do belo e do horrível, da normalidade e da aberrarão, já não são antíteses nem dilemas, nos valores homólogos, que não dignificam nem rebaixam.
O problema social está de pé, como um fantasma a quem a opulência não tenta.
O problema social está de pé, mas num campo bem diverso do económico.
E para este mundo que temos de legislar, para este mundo que é do nosso tempo, que será a nossa grande preocupação de amanhã.
Se a corporação ainda hoje tem muito a dizer entre nós no económico-social, pelo atraso em quo andamos, é, sobretudo, no social-político e no político propriamente dito que o futuro a espera. E como órgão político que a corporação atinge a máxima expressão da sua vontade colectiva.
Canalizando as forças políticas quo estão atrás das actividades e dos interesses, tornando-as orgânicas, a corporação evita que, abandonadas a si próprias, essas forças se dispersem.
As forças, políticas são poderosos factos sociais e têm a sua origem em duas fontes distintas: as consciências colectivas e; as consciências individuais.
As consciências colectivas podem existir em estado potencial ou organizadas. O sistema corporativo pretende articular na corporação as que derivam dos interesses. A vontade política das corporações é assim a vontade dos interesses.
As consciências individuais expressam estados de alma, sentimentos que são realidades políticas, ou ideias, mesmo ideologias, que também são realidades políticas.
O conjunto de umas e outras são a expressão política da Nação. O conjunto dos órgãos que as articulam à sua imagem política.
Não vejo, por isso que uma simples representação corporativa expresse a plenitude das forças políticas que comandam a vontade nacional.
Não vejo tão-pouco que a representação emanada do sufrágio directo ou popular seja capaz, só por si, de articular e dar expressão à vontade colectiva da comunidade nacional o simultaneamente servir a Nação com eficácia.
Não podemos manter intactas as instituições contemporâneas da revolução liberal. Século e meio de avanço no económico, no social e na técnica, os progressos da organização em tojos os sectores das actividades humanas, a propagação da cultura fazem ressaltar o atraso do político, portanto a incapacidade das instituições políticas para satisfazerem as exigências dos outros sectores sociais, indo ao encontro da nova mentalidade quo eles determinaram e condicionam.
Assim é que o problema da organização política se situa como o problema mais premente do nosso tempo. Daí a luta de ideologias, daí o temor do comunismo, daí o ódio ao capitalismo. E, no entanto, nem um nem outro fornecem todos os dados para a paz política, sem o qual não há tranquilidade nos espíritos. As certezas em que a vida assunta escapam às instituições políticas do nosso tempo e a humanidade sente-se desamparada e n homem insatisfeito.
A estruturação política exige, assim, novas soluções, que se apoiem na realidade pluriforme da sociedade, fugindo aos sistemas padronizados, às ideologias inspiradas de um racionalismo puro. A nova estruturação política requer que todas as realidades sociais sejam consideradas e avaliadas na sua relativa importância (extensão e permanência). Nenhuma pode ser ignorada, porque todas são parte deste aglomerado humano em que vivemos e que formamos. É preciso que as instituições políticas que criarmos se lhe adaptem perfeitamente.
Temos de articular a consciência colectiva das actividades. Precisamos que elas intervenham na vida e